Compartilhar

Capítulo 02

Autor: DANI VENCES
last update Data de publicação: 2025-06-25 22:01:00

Olívia

306 dias depois do pedido

— ACORDAR.

O grito me fez acordar atordoada. Christine não tem o hábito de ser gentil; ela puxou o meu cobertor.

— Vai perder a hora, garota preguiçosa! Eu disse ao seu pai que deveríamos ter deixado você com sua avó. — Ela fala com mal-humor. Me levantei ainda sonolenta e olhei para o relógio. Eu entro às 09h no trabalho, e ainda eram 6h da manhã. — Maya faltou de novo, precisamos que você a substitua.

— Claro, porque eu não tenho outros planos. — Falei, sem questionar ou reclamar do jeito dela. Aprendi a não me irritar com Christine, não quando ela perde o controle tão facilmente e j**a o que tiver por perto em mim.

Puxei o ar com força. Ouvi Catharina reclamar de estar sendo acordada e Luana resmungar alguma coisa, mas Christine não se importava em acordar suas filhas. Na verdade, ela tem uma grande habilidade: não se importar com ninguém além dela mesma.

— Ande logo, estão precisando de você! — Ela gritou, e me arrastei até o banheiro.

— Me dá 20 minutos, preciso tomar um banho. — Ela gritou mais algumas ofensas, mas decidi não escutá-la; o barulho do chuveiro abafou seus gritos.

Quando Christine me fez a proposta de trabalhar no hotel dos meus pais, no primeiro momento eu recusei. Mas ela me lembrou que, ao contrário de suas filhas, eu não receberia mesada. Então, aceitei o trabalho de camareira. E assim, tenho sido jogada para fazer tudo no hotel. Christine não aceita o fato de que eu não recuo, não deixo ela me desanimar. Coloco um sorriso no rosto e o desentupidor de privada na mão, e sigo em frente.

E para ela, isso é um insulto. Como eu não caí aos seus pés e implorei por misericórdia. Christine é um ser desprezível, e eu tive o azar de meu pai se apaixonar por ela.

Sai do banho e vesti minha armadura de serviçal. Me lembro de quando era criança, perguntando à minha mãe por que eu não podia ter uma roupa como a das garotas do hotel. Eu achava lindo o tom azul escuro do uniforme. Era pequena demais para entender, mas a cor do uniforme era uma forma de distinguir quem era funcionário do hotel e quem não era.

Caminhei em passos firmes até a sala de jantar. O café estava servido. Não que eu pudesse me sentar com Christine, mas era bom que ela me visse indo trabalhar.

— Maya está bem? — Perguntei. Ela me avaliou com seus grandes olhos negros e deu de ombros.

— O filho está doente. Já falei para não contratar mulheres com filhos; elas usam eles como desculpas sempre que precisam. — Maya nunca falta, na verdade, é a melhor funcionária do hotel, mas não irei discutir isso com ela.

— Entendo, vou indo. — Falei, saindo da sala de jantar e indo para a escada de serviço. Christine diz que não devo sair pela porta da frente, não quando estou vestida de serviçal.

As coisas costumavam ser diferentes; por doze anos, eu fui a princesinha do meu pai, o hotel meu castelo, eu era mimada e amada, mas Christine apareceu em nossas vidas, acabara de perder o marido, assim como meu pai tinha perdido a minha mãe, rapidamente os dois criaram conexão, como não criar, ambos pais sozinhos aprendendo a lidar com o luto. No começo, eu achava bom, meu pai sorria,  teria irmãs para brincar. Mas tudo mudou quando meu pai ficou doente e, com doze anos, me tornei órfã, e Christine, minha amada madrasta, se sentiu na obrigação de me criar. E aí o mundo desabou, e a princesinha se tornou um estorvo.

— Graças a Deus chegou. — Cairo falou, ajeitando a gravata. Ele é o gerente do hotel, sempre foi leal ao meu pai e, apesar de não suportar Christine, ele me prometeu que nunca me deixaria à própria sorte com ela.

— Estamos lotados, sabe como é perto do Natal e Maya não conseguiu vir. — Sorri para ele, pegando o avental.

— Eu já estou pronta, o que preciso fazer? — Ele sorriu para mim.

— Leve esse café para o quarto 203. — Ele apontou o carrinho com o café da manhã. Senti um frio na espinha, eu sei quem está hospedado no 203.

— Eu posso arrumar os quartos, pede que outra leve o café da manhã. — Cairo olhou para mim impaciente.

— Não temos tempo para isso, sabe como o Sr. Carter é irritante pela manhã. — Puxei o ar, a verdade é que não desejo ir naquele quarto, não desejo chegar perto do Sr. Carter.

— Estou indo. — Falei, sabendo que não posso passar o resto da vida o evitando, ele provavelmente não lembra de mim, estava de máscara e foi uma noite agitada para ele.

Peguei o carrinho e entrei no elevador de serviço, meu coração pulsava como se estivesse em uma corrida de cavalo, já pensei em diversas situações possíveis caso o Sr. Carter me reconhecesse e todas elas terminam com ele me rejeitando quando percebesse que sou só mais uma funcionária do hotel. 

Já vi as garotas que Noah andam, todas sempre bem vestidas e lindas, sei que se ele não tivesse entendido naquela noite, nunca teria se aproximado de mim.

Parei de frente ao quarto 203, meu coração batia em um ritmo acelerado, sei que ele não vai me reconhecer. Bati na porta e esperei ele abrir. Seus cabelos negros estavam molhados, ele estava apenas com uma toalha na cintura demonstrando seus músculos, seus olhos grandes e azuis caíram sobre mim.

— Pode entrar, docinho, me desculpa por atendê-la assim, vou colocar o roupão, pode colocar a mesa. — Ele fala, andando para o quarto. O apartamento 203 é espaçoso, tem sala de visitas, o quarto, a sala de jantar, mas sei que ele prefere tomar seu café na varanda. Empurrei o carrinho até o lado de fora.

Não sou tão boa em organizar a mesa quanto Maya, ela tem mais habilidade com isso, apenas coloquei o café sobre a mesa da varanda. Ele logo apareceu, vestindo um roupão. Seus olhos me avaliaram enquanto eu colocava os talheres. Ele se sentou, e seus olhos continuavam fixos em mim. Uma onda de desespero e medo me tomou. Se ele me reconhecesse, se soubesse que a dama misteriosa era eu? Provavelmente falaria com o gerente ou até mesmo com Christine, o que a faria saber que eu não cumpri o acordo e fui ao baile.

— Como se chama? — Ele enfim perguntou, seus cabelos negros estavam bagunçados e molhados, o que o tornava estranhamente mais atraente.

— OlÍvia. — Falei, desviando de seu olhar, me preparando para sair o mais rápido dali. — Posso ajudar em algo mais?

Ele me avaliou como se estivesse pensando em algo, meu coração começou a bater mais depressa.

— Sabe de uma coisa? — Ele sorriu, um sorriso triunfante. — Pode sim, OlÍvia.

— E no que seria, senhor? — Prontifiquei-me depressa, esperando o pedido.

 Ele novamente me olhou de cima a baixo e sorriu.

— Por acaso tem namorado? — Neguei com a cabeça de imediato.

— Não, senhor. — Ele piscou para mim.

— Então me faça um grande favor e se case comigo?

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Um pedido inesperado do bilionário    Epílogo

    NoahO sol da tarde filtra pelas janelas altas da mansão Carter, lançando raios dourados sobre o jardim impecável onde o casamento será realizado. O ar carrega um perfume delicado de flores frescas — rosas brancas e lírios —, misturado ao cheiro terroso da grama recém-cortada. É um dia perfeito, daqueles que parecem saídos de um sonho, mas para mim, é o começo de algo real, algo que vai além dos contratos e das ambições que me definiram por tanto tempo. Olivia e eu decidimos nos casar aqui, na mansão do meu avô Ronaldo, como um gesto de reconciliação com o passado. Ele aprovou, é claro, com aquele grunhido característico que significa "finalmente você está fazendo algo certo, garoto".Antes da cerimônia, procuro Nicholas no estudo, uma sala forrada de livros antigos e móveis de madeira escura, o cheiro de couro envelhecido pairando no ar. Ele está lá, encostado na janela, o terno impecável como sempre, mas os olhos escuros carregados de uma surpresa que não esconde. Meu irmão — ou mei

  • Um pedido inesperado do bilionário    Capítulo 46

    O hall do Hotel Brown brilha com uma elegância que sempre me encheu de orgulho, mas hoje, sob as luzes suaves dos lustres de cristal, sinto apenas o peso da batalha que está por vir. O aroma sutil de pinho da árvore de Natal, adornada com enfeites dourados, mistura-se ao perfume polido de cera que mantém o chão de mármore impecável. Estou de pé no centro do hall, a pasta com as provas de Mark nas mãos, o coração batendo tão forte que parece ecoar no silêncio. Noah está ao meu lado, sua presença sólida, o calor do corpo dele me ancorando enquanto enfrentamos o momento que pode mudar tudo. Cairo e o Sr. Almeida, o advogado do hotel, estão atrás de nós, seus rostos tensos, mas determinados. Hoje, vou confrontar Christine, minha madrasta, a mulher que roubou meu passado e tentou apagar meu futuro.As portas de vidro se abrem, e Christine entra, impecável em um vestido preto que abraça suas curvas com uma precisão calculada. Luana e Catarina a seguem, hesitantes, os olhos nervosos desviand

  • Um pedido inesperado do bilionário    Capítulo 45

    O escritório de Mark está no topo de um arranha-céu no coração da cidade.. Olivia está ao meu lado, sentada em uma cadeira de design ergonômico, a pasta de Cairo apertada contra o peito como se fosse sua tábua de salvação. Seus olhos verdes estão fixos na tela de um tablet de última geração que Mark usa para organizar os documentos, mas sinto a tensão no corpo dela, o peso da suspeita que a consome: Christine, sua madrasta, pode ter envenenado Victor, seu primeiro marido, e Robert Brown, o pai dela. A ideia é um punhal no meu peito, porque sei que minha mãe, Elizabeth, ajudou Christine a roubar o testamento, pensando que isso me protegeria contra Nicholas. Minha cabeça gira, dividida entre a lealdade a Olivia e as correntes do nome Carter.Mark, um homem na casa dos cinquenta, com cabelo grisalho impecavelmente penteado e um terno sob medida que rivaliza com os meus, é o melhor detetive que o dinheiro dos Carter pode comprar. Sua reputação é impecável, e seu escritório reflete isso —

  • Um pedido inesperado do bilionário    Capítulo 44

    Sento-me na cadeira de couro macio, o estofado acolhendo meu corpo com um conforto que contrasta com o peso no meu peito. Cairo está atrás da mesa de mogno, ajeitando a gravata listrada com dedos calejados, os olhos negros me observando com uma preocupação que me faz lembrar do meu pai — seu jeito de inclinar a cabeça quando me contava histórias sobre os primeiros dias do hotel, quando ele e minha mãe o transformaram no coração pulsante da cidade. Meu coração está apertado, esmagado pela perda dos papéis do testamento, roubados no assalto que quase me custou mais do que posso suportar. Meu braço enfaixado lateja, um lembrete constante do que Christine e seus aliados são capazes de fazer.Perdi tudo, ou pelo menos é assim que parece. O testamento, a única prova de que o Hotel Brown é meu por direito, foi levado, e com ele, a esperança de recuperar o legado do meu pai. Sento-me ereta, tentando respirar fundo, mas o ar parece pesado, carregado com o perfume sutil de cera de chão que os f

  • Um pedido inesperado do bilionário    Capítulo 43

    O ar na mansão Carter é denso. Estou na sala de estar, de pé, encarando minha mãe, Elizabeth, que segura um copo de cristal com a calma de quem está acostumada a manipular o mundo ao seu redor. Meu peito aperta, uma mistura de raiva e decepção. Olivia está na minha cabeça, o braço enfaixado, os olhos verdes brilhando com dor e desconfiança na suíte do Hotel Brown. Ela não merece o que minha família fez. Eu não mereço o que ela me faz sentir.— Você mentiu para mim, mãe — digo, minha voz firme, mas tremendo nas bordas. — Ajudou Christine a apagar o passado de Olivia, roubou a herança dela. Como pôde? Acha que isso me faz querer o cargo de CEO?Elizabeth toma um gole lento do uísque, o líquido âmbar capturando a luz do fogo. Seus olhos, frios como o mármore do chão, me analisam com desdém. Ela ajeita o colar de pérolas, um gesto calculado, e inclina a cabeça.— Aquele bastardo, Nicholas, é uma ameaça — ela retruca, a voz afiada como uma lâmina. — Ele quer roubar o lugar que é seu por di

  • Um pedido inesperado do bilionário    Capítulo 42

    A suíte do Hotel Brown está silenciosa, exceto pelo som suave da respiração de Olivia, que descansa na cama, o braço enfaixado repousando sobre o lençol. O perfume de lavanda dos lençóis me envolve, misturado com o cheiro de antisséptico que ainda paira nela, um lembrete cruel do que aconteceu hoje. A neve cai lá fora, um véu branco contra a janela, e o letreiro do Hotel Brown brilha, um farol que parece zombar da minha impotência. Eu falhei com ela. Quando aqueles bandidos a seguraram, quando arrancaram a bolsa com o testamento das mãos dela, quando o tiro rasgou o ar e a feriu, eu não fui rápido o suficiente. Pulei na frente, mas a bala ainda a atingiu, mesmo que de raspão. O sangue dela na neve, o grito dela, a forma como seus olhos se fecharam por um momento no táxi... tudo isso está gravado em mim, como uma marca que não sai.Sento-me na cadeira ao lado da cama, as mãos apertando os joelhos, a culpa me sufocando. Olivia é mais do que o acordo, mais do que o Hotel Brown, mais do qu

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status