Compartilhar

Capítulo 5

Autor: Ravena
last update Data de publicação: 2025-04-23 03:55:05

Capítulo 5

Os dias passaram rapidamente. É estranho como se sentir em paz faz com que o tempo passe sem notarmos.

Hoje viajaremos para os EUA. É hora de conhecer a barriga de aluguel e comprar o enxoval da pequena Helena.

Ayla está extremamente ansiosa com a viagem, mas sei que o que realmente a inquieta é a possibilidade de ver Luan. Ela sempre foi apaixonada por ele...

Vamos para Nova York, mas Nova Jersey, onde ele mora, é bem perto. Por isso, combinei um encontro para matarmos a saudade.

Após horas de voo de primeira classe, finalmente chegamos ao destino. Pegamos dois táxis: um comigo, Ayla e algumas bagagens, e o outro com Caio, Willian e o restante das malas.

A cidade é incrível, repleta de arranha-céus, e só agora percebi que nunca perguntei com o que os dois trabalham...

— Ayla, o que eles fazem? Qual é o trabalho deles?

— Sabe a C&W Segurança de Alto Padrão?

— Sim.

— Eles a fundaram do zero. Hoje, fazem a segurança das pessoas mais famosas e influentes do Brasil, com equipes altamente treinadas e especializadas. Por isso digo que você está segura com eles.

Confesso que senti um grande alívio ao ouvir isso. Me sentir segura é algo raro para mim...

Paramos em frente a um arranha-céu enorme e subimos até a cobertura luxuosa que nos aguardava. Assim que entramos, a mulher que está esperando o bebê deles veio ao nosso encontro.

— Eu não sabia que vocês viriam hoje...

Ela parecia ansiosa. Sua barriga parecia pequena para cinco meses de gestação... Mas não entendo muito disso, então não comentei nada.

— E como está tudo, Alex? — Caio perguntou, largando as malas. Logo, uma funcionária surgiu para pegá-las.

— Estou bem. Helena está bem, chutando bastante.

— Ótimo. Marquei uma consulta para amanhã, para fazermos um ultrassom e definirmos uma data mais exata para o parto.

Vi que ela estremeceu um pouco, mas sorriu. Algo parecia errado...

— Caio, está tudo bem... É mesmo necessário já marcar o parto?

— Sim. Não podemos ficar indo e vindo para cá. Precisamos de datas para organizar nossas vidas antes da chegada de Helena.

Ela ficou em silêncio. Quando Will se aproximou, vi que ela saiu rapidamente.

— Essa é Milena. Ela será a babá de Helena e nos ajudará em tudo — disse Caio, me apresentando.

— Contrataram uma mãe também — Alex murmurou, saindo da sala antes que eu pudesse responder. Olhei para eles e para Ayla, esperando que tivessem achado a reação tão estranha quanto eu.

— Ela é estranha... — comentei.

— Ela se apegou à vida boa, isso sim. Eu te avisei, Caio — Willian falou, visivelmente irritado.

— Não ia deixá-la vivendo no básico enquanto espera nossa filha, Willian. Já falamos sobre isso.

Os dois estavam irritados, mas preferi, mais uma vez, o silêncio.

— Vou mostrar os quartos de vocês. Venham comigo — disse Caio, seguindo pelo corredor onde Alex havia entrado. Era um longo corredor com várias portas.

— Aqui é o seu — indicou ele para mim, e esse da frente pode ser o seu, Ayla.

— Obrigada, Caio.

Agradeci e entrei com minha pequena mala. Ayla fez o mesmo.

Guardei minhas roupas no enorme closet, tomei um banho e me troquei. A viagem foi longa e cansativa. Mas estou ansiosa. Peguei minha lista e revisei os itens do enxoval. Eles pediram a decoração em tons de lavanda e branco e deram algumas sugestões. Realmente, estão animados para serem pais, e isso é algo bonito de se ver.

Ouvi uma discussão no corredor, mas não quis me intrometer. Fiquei no meu canto, em silêncio.

Quando tudo silenciou, me assustei com as batidas na porta. Meu coração acelerou. Às vezes, me perco e esqueço que estou longe dele...

— Pode entrar, está aberta.

— Vamos dar uma volta. Diz que sim, por favor... Ayla pediu, quase implorando.

— Claro, vamos.

— Vou avisar Willian. Te espero na sala.

Ela sorriu e saiu. Troquei de roupa, colocando algo mais quente para enfrentar o frio lá fora.

Quando cheguei à sala, Caio e Willian estavam discutindo, mas silenciaram ao me ver.

— Mesmo à distância, ficarão dois seguranças com vocês. Podem ficar tranquilas no passeio — disse Caio com um tom sério, que nem cogitei contestar.

— Bom, qualquer coisa, me liga, Willian. Voltamos logo.

Ayla me pegou pela mão, me arrastando para fora. Assim que entramos no elevador, ela suspirou.

— Essa Alex é uma louca. Não sei como os meninos a aguentam!

— O que houve agora?

— Ela resolveu que quer ir para o Brasil e acompanhar os primeiros meses de Helena. Vê se pode!

— Mas eles não fizeram um contrato antes disso?

— Não exatamente. Caio conhecia Alex e pediu ajuda, pensando que seria mais fácil. No fim, ela está se aproveitando. Colocaram ela na cobertura, com empregadas e uma mesada mensal. Quem não gostaria de uma vida assim, não é?

— Ayla, você não acha que a barriga dela está muito pequena?

— Acho. E falei isso para Willian, o que foi motivo da discussão dos três. Mas amanhã eles vão ao médico, e tudo será resolvido. Espero que esteja tudo bem.

— Eu também. Sei o quanto eles querem esse bebê. Espero que tudo fique bem e que ela não complique as coisas...

Fico imaginando o quanto deve ser doloroso gerar, sentir o bebê e depois entregá-lo, sem nunca mais vê-lo. Eu realmente não conseguiria.

Passamos em algumas lojas e compramos alguns itens da lista. Então meu celular vibrou. Era uma mensagem de Luan.

"Oi, maninha! Já está nas terras do Tio Sam?"

"Luan! Que bom que enviou mensagem. Sim, chegamos. Que tal jantarmos juntos hoje? Estou morrendo de saudades."

"Perfeito! Saindo do trabalho, vou para aí. Me manda o endereço."

Meu humor melhorou instantaneamente.

— O Luan vem jantar com a gente — anunciei animada.

Ayla me olhou, surpresa.

— Hoje? Já? Hoje mesmo?

— Sim, calma. Ele vem hoje.

Ela começou a andar de um lado para o outro, ansiosa.

— Ayla, respira. Vai ficar tudo bem.

— Eu sei... É que faz tanto tempo...

— Vai ser bom vocês se reencontrarem, agora mais velhos e maduros, certo?

Ela respirou fundo concordando comigo e seguimos para mais algumas lojas antes de voltarmos para o apartamento. Assim que cheguei, mandei a localização para meu irmão.

— E aí, como foram as compras? — Caio perguntou a Ayla. Logo começamos a mostrar as peças.

Ele e Willian se derreteram vendo tudo. Olhei o relógio e me assustei com a hora.

— Ayla, Luan chega a qualquer momento. Precisamos ir.

— Ir para onde? — perguntou Caio curioso.

— Meu irmão está vindo. Vamos jantar.

— Por que não jantamos todos aqui? Vai ser bom conhecer seu irmão e saber mais sobre você.

Caio parecia animado. O clima parecia mais tranquilo agora.

A campainha tocou. O silêncio tomou conta.

Meu irmão chegou. Corri abrir a porta sem pensar duas vezes, o abracei e agora é como se eu realmente pudesse voltar a viver...

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 71

    Capítulo 71 Milena SilveiraDois meses se passaram desde que Willian enterrou o pai, ele e Ayla, tinham tudo para ter abandonado, e mesmo assim não fizeram, tenho muito orgulho deles...E agora, aqui estou, num cenário de sonho em Portugal, prestes a testemunhar o casamento de Ágata e Miguel, minha querida amiga brilha de tão radiante que está. E meu Deus o quanto ela merece essa alegria, não está escrito.Portugal… já ouvi tantos dizerem que é um dos lugares mais românticos do mundo, mas é só pisar aqui para sentir a verdade disso. O céu azul reflete o Atlântico, o sol aquece com ternura, e as vinhas que se estendem por colinas suaves parecem a metáfora perfeita para o florescer do amor às vésperas da cerimônia. O local escolhido foi o Palácio de Monserrate, em Sintra, um lugar mágico em todos os sentidos: jardins luxuosos, arcos de estilo mourisco e neogótico, fontes dançantes e flores de todas as cores abraçadas por folhagens antigas. Um conto de fadas real, perfeitamente encaixad

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 70

    Capítulo 70Willian CostaExistem segredos que a gente carrega não por covardia, mas por amor. E esse era o meu caso.Olhei para o celular ainda tremendo em minha mão. A voz do médico ecoava na minha cabeça como um trovão rasgando o silêncio:“Seu pai não resistiu.”Meu coração apertou. A garganta travou. Por alguns segundos, tudo à minha volta pareceu parar. Só havia o som abafado do meu sangue pulsando nos ouvidos. Um pedaço da minha história tinha acabado de partir… e eu não sabia como contar isso a ninguém.— Willian, o que houve?A voz da Milena me puxou de volta para a realidade. Era suave, mas carregada de preocupação. Eu tentei responder, mas as palavras se embolaram entre a dor e o medo. Até que, num sussurro rouco, consegui:— Meu pai... meu pai morreu.A expressão dela mudou imediatamente. Ela sabia o peso daquele nome, o quanto ele doía em nós — especialmente em Ayla. Sabia o quanto ele tinha sido ausente, omisso, o quanto tinha ferido a mulher forte que minha irmã se torn

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 69

    Capítulo 69Ayla Costa SilveiraDespedidas são sempre tão doloridas... Deixar as pessoas que amamos nem sempre é fácil, mas pra mim sempre teve um peso maior.Quando meus pais se separaram e Willian foi embora, eu comecei a acreditar que todos que amo acabam me abandonando. Mas preciso afastar esses pensamentos. Agora eu tenho a minha família, casei com o amor da minha vida, temos uma filha linda e vamos ser muito felizes. Não importa o lugar, o que importa é estarmos juntos.Assim que o anúncio do nosso voo ecoou pelos alto-falantes do aeroporto, a despedida dolorosa começou.— Bom, está na hora!— Eu vou sentir tanto sua falta, minha amiga! — Milena disse me abraçando, chorando muito. As lágrimas que eu lutava para conter se tornaram inevitáveis.— Eu também, Mile. Eu também... Mas quero vocês lá em breve, por isso vamos pegar uma casa bem grande. Queremos vocês sempre por perto.Segurei suas mãos, sorrindo em meio às lágrimas. Beijei os gêmeos e abracei meu irmão... Meu Deus, quant

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 68

    Capítulo 68Ágata GoulartO dia mal tinha clareado quando fui despertada por uma náusea forte que subia do estômago como um redemoinho violento. Sentei-me na cama de um salto, levei a mão à boca e corri para o banheiro sem nem pensar duas vezes. Mal cheguei à pia e já estava vomitando, o gosto amargo, o enjoo, a tontura. Tudo misturado.Depois do terceiro impulso, respirei fundo, lavei a boca e apoiei os cotovelos na bancada de mármore, olhando o próprio reflexo. Estava pálida, os olhos fundos, o cabelo bagunçado caindo em volta do rosto.— Que droga foi essa agora? — murmurei, sentindo o estômago ainda revirado.Voltei para o quarto devagar, com as pernas fracas. Miguel continuava dormindo, tranquilo, o rosto sereno sobre o travesseiro. E por um instante, aquela cena me trouxe paz. Tanta, que até o enjoo pareceu cessar por uns segundos. Me sentei à beira da cama, tentando entender o que estava acontecendo com meu corpo.Foi quando peguei o celular do criado-mudo para ver as horas. Ma

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 67

    Capítulo 67MilenaMeses depois – 1 ano dos gêmeosMal posso acreditar em tudo que aconteceu neste último ano. Aliás, pouco mais de um ano. Desde o dia em que criei coragem para sair daquela vida maldita que eu levava, tudo mudou.Desde que Ayla me ajudou a escapar do inferno que vivi por tanto tempo.Falando nela, lá vem ela, com a pequena Isis nos braços e Luan o pai mais babão que já vi, carregando as bolsas das duas mulheres da vida dele.Caio e Willian estavam nos brinquedos com os gêmeos, e eu aproveitava esse momento para agradecer a Deus por tudo: pelos meus filhos, pelos meus maridos. O que para muitos pode parecer um enorme pecado, pra mim é simplesmente amor. Não consigo ver de outra forma. Sou tão feliz, tão completa. Não vou mais me prender ao que os outros pensam. Isso já não faz parte da minha essência. A vida é minha, e qualquer consequência dela é responsabilidade minha, e de mais ninguém.Ágata e Miguel chegaram, e juro: se alguém me contasse, eu não acreditaria no q

  • Uma Doce Babá Para Dois CEOs   Capítulo 66

    Capítulo 66Miguel FonsecaEla estava nos meus braços. Ágata. A mulher que me tirou da escuridão com um simples olhar. E agora, deitada em meu peito, com a respiração ainda acelerada, a pele quente e o coração disparado, eu me sentia completo. Pela primeira vez em toda a minha vida, eu sabia o que era isso: plenitude.Tudo o que vivi antes dela parecia borrado, distante, irrelevante. Nenhuma conquista profissional, nenhum troféu de poder ou título de influência poderia se comparar ao que eu sentia com ela ali, depois de nos entregarmos como se o mundo lá fora não existisse.Acariciei os fios do cabelo dela enquanto minha mente voltava a tantos momentos. O instante em que a vi pela primeira vez. Tão firme, mas com os olhos cansados. Ela tentava parecer forte, mas eu vi a dor ali. Vi os estilhaços de alguém que já foi inteiro e foi quebrado mil vezes. E foi isso que me prendeu.Não a beleza, apesar de ela ser linda de uma maneira quase surreal. Foi a força escondida por trás do medo. F

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status