LOGINCarl ergueu os olhos da folha que estava lendo e encarou Olivia. Ela estava com o coração acelerado e os olhos vermelhos. Havia passado a noite remoendo o que acontecera no restaurante, enquanto ele permanecia tranquilamente sentado, como se nada tivesse acontecido.— Não, Olivia. Não te deixei naquele restaurante para ter um encontro com outra mulher. Apenas precisei sair.— Quem era aquela mulher ao telefone?— Apenas uma conhecida que encontrei pelo caminho.— Conhecida, Carl? — Olivia apertou as mãos contra a borda da mesa. — O que você estava fazendo para ela dizer que estava sentindo cócegas?— Nada demais. Ela apenas torceu o pé e fui ajudá-la.— Para cima de mim, Carl! Eu conheço essa história!— Ah, você conhece? Claro que conhece. É a mesma que você usou comigo no dia do enterro da mãe de Lucy, não é?Olivia abriu a boca, mas as palavras não saíram imediatamente. A comparação a deixou ainda mais irritada.— Não, eu não... — gaguejou. — Eu realmente torci meu pé. Você viu que
Carl abriu a porta para Jessi, que olhou nos olhos dele antes de entrar.Ele fechou a porta devagar, deu a volta no carro e se acomodou ao volante. Ajustou o cinto de segurança, enquanto Jessi fazia o mesmo. Deu a partida e seguiu em direção ao hospital.Os dois permaneceram em silêncio. Um silêncio estranho entre eles, já que quase nunca ficavam calados quando estavam juntos. Estavam sempre discutindo, até que Jessi rompeu o silêncio com algo que pareceu quase um murmúrio.— Eu sou maluca.— O quê? — Carl virou o rosto para ela por um instante.— Eu sou maluca! Como fui aceitar uma carona com você?— Do que está falando?— Você é maluco! Pode querer acabar comigo. Você me odeia, Carl!— Ora, Jessi, pare com isso! É você quem pega no meu pé o tempo todo. Nunca me deu sossego.— Meu Deus! Você quer se vingar de mim! — Ela se encolheu contra a porta de maneira exagerada.Carl ficou sem saber o que dizer. Jessi falava de um jeito tão sério que ele chegou a ficar surpreso.Ao perceber os
Carl continuava sentado à mesa, observando o movimento da rua, quando um grupo de pessoas passou pela calçada. Uma das vozes lhe pareceu familiar, mas ele não deu muita atenção, até ouvir:— Tchau! Não se preocupe, eu sei me cuidar!Carl ergueu os olhos e viu uma garota de cabelos longos, que se moviam conforme ela caminhava com passos rápidos e um tanto desajeitados. Ela atravessou entre os carros, levantando a mão para pedir passagem. Sorriu, agradeceu com um gesto e continuou andando.Quando se aproximou, Carl a reconheceu, surpreso. Era Jessi.— Carl? É sério? Estou tendo uma alucinação? Não, um pesadelo! O que faz aqui?— Boa noite, Jessi. Você é sempre mal-educada assim?— Não, só com quem merece.Carl ficou olhando para os olhos verdes dela, que brilhavam intensamente sob a luz do poste logo atrás dela.— O que está fazendo aqui sozinha a uma hora dessas? Onde está Lucy?— Pode não parecer, mas não estou colada em Lucy.— Mesmo? Eu achei que fosse.Jessi fez uma careta.— Estou
No fim da tarde, Carl estava deixando a empresa quando encontrou Olivia no corredor. Ela se aproximou assim que o viu.— Já está indo embora?— Estou. Foi um dia cheio.Olivia segurou seu braço.— Vamos jantar juntos?— Hoje não, Olivia. Estou cansado, quero ir para casa.— Carl, nós nunca mais saímos juntos!— Ando sem tempo. Estou com a cabeça cheia de problemas.— Mas você disse que agora estamos juntos! — Olivia apertou um pouco mais o braço dele. — Eu fiz tudo o que você queria. Pedi desculpas a Lucy, gravei aquele vídeo, publiquei nas minhas redes. Você disse que me daria o que eu queria.Carl olhou para ela.— E não estou cumprindo?— Então quero sair com você. Quero jantar com você hoje.Carl permaneceu em silêncio por alguns instantes.— Está bem, Olivia. Vamos jantar.Ela sorriu imediatamente.— Sério?— Sim. Escolha o lugar.Olivia soltou seu braço, satisfeita, e começou a procurar um restaurante no telefone.— Já sei onde quero ir!— Então vamos.Os dois seguiram até o est
Olivia permaneceu olhando para Carl, indignada. Apertou as mãos uma contra a outra, depois se aproximou e tocou o peito dele.— Carl, você está dizendo que eu sou culpada?— E não é?— Eu não acredito! Lucy partiu para cima de mim por ciúmes, Carl. Ela tem ciúmes de mim e de você. Há muito tempo venho te falando isso!— É, por muito tempo acreditei nisso, mas era bem mais do que isso. Nós dois sabemos. E agora preciso trabalhar.— Você não foi ao jantar dos meus pais, Carl! Eu fiquei te esperando. Meu pai está bravo comigo por causa daquele vídeo.Carl puxou o ar e se virou para ela.— Olivia, quando você vai crescer? Seu pai não está bravo com você por causa do vídeo. Ou, pelo menos, não deveria estar. O problema aqui não é o seu vídeo de pedido de desculpas. O problema foi você ter se apossado do trabalho de Lucy, do projeto dela, e tê-lo inscrito num concurso como se fosse seu. Esse é o verdadeiro problema. Ou você não consegue enxergar isso?— Você me deu o projeto dela, Carl!— E
Lucy estava decidida. Mesmo assim, suas mãos estavam levemente trêmulas enquanto assinava as páginas nos locais indicados.A cada página assinada, Carl sentia o coração apertar um pouco mais. Quando ela assinou a última, fechou a pasta e a afastou delicadamente sobre a mesa, ele se aproximou.Lucy se levantou. Carl tocou seu rosto com as mãos, segurando aquele rosto pequeno e delicado, e a olhou nos olhos.— Lucy, ainda podemos...— Não podemos, Carl. Vamos terminar aqui, enquanto ainda há respeito e apenas mágoas em meio a algumas boas lembranças. Não quero te odiar, Carl.Carl chegou mais perto. Lucy tocou as mãos dele para que a soltasse, mas ele se inclinou e, quando estava próximo o suficiente para quase beijá-la, Lucy virou o rosto. Carl depositou um beijo quase no canto de sua boca.— Carl, por favor — murmurou Lucy. — Não precisamos tornar isso ainda mais difícil.Carl retirou as mãos devagar e pegou a caneta.— É isso mesmo que você quer?— Sim, é. Será melhor para todos nós.







