O CEO é Meu Admirador Secreto

O CEO é Meu Admirador Secreto

last updateLast Updated : 2026-11-04
By:  K. F. MouraUpdated just now
Language: Portuguese
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Isabella Castillos só queria conquistar seu espaço no mundo da publicidade. Aos vinte e dois anos, dividia sua rotina entre a faculdade, as dificuldades financeiras e o novo emprego na Dorman Media Group, uma das empresas mais prestigiadas de Los Angeles. O que ela não esperava era se sentir atraída pelo homem mais poderoso da empresa: Justin Dorman. Frio, reservado e acostumado a manter tudo sob controle, Justin construiu um império, mas sua vida pessoal está longe de ser perfeita. Preso a um casamento sem amor, ele não procurava uma nova paixão. Até conhecer Isabella, uma jovem espontânea e determinada que desperta sentimentos que ele acreditava ter enterrado. Entre encontros inesperados, olhares intensos e gestos misteriosos, Justin começa a ajudar Isabella secretamente, enquanto luta contra o desejo crescente por sua funcionária. Mas existe um problema: ele é seu chefe e ainda é casado. Helena, sua esposa, não está disposta a abrir mão dos privilégios e da posição que conquistou. Ao perceber que outra mulher pode ameaçar seu casamento, ela decide ficar atenta a cada movimento do marido. Como se isso não bastasse, Isabella também precisa enfrentar Camila, uma colega invejosa disposta a sabotar sua carreira e destruir sua reputação. Enquanto segredos vêm à tona e a atração se torna impossível de ignorar, Justin precisará decidir se continuará preso às conveniências do passado ou se terá coragem de lutar por um futuro diferente. Entre o poder, a paixão e as mentiras, Isabella descobrirá que conquistar o coração de Justin pode ser muito mais perigoso do que jamais imaginou. Alguns desejos deveriam permanecer secretos. Mas como resistir quando o coração desafia todas as regras?

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Chapter 1

CAPÍTULO 1 — Quando tudo parece perdido

A carta estava sobre a mesa havia quase vinte minutos.

Isabella Castillos a encarava como se, por algum milagre, as palavras fossem desaparecer se ela permanecesse olhando por tempo suficiente.

Não desapareceram.

NOTIFICAÇÃO FINAL DE DESPEJO.

Ela fechou os olhos e respirou fundo, tentando conter o aperto que se formava em seu peito.

— Está tudo bem, Isabella. Você vai resolver isso — murmurou para si mesma.

Era a mesma frase que vinha repetindo havia dias. Talvez semanas. Já não sabia ao certo.

Aos vinte e dois anos, ela imaginava que sua maior preocupação seria concluir o penúltimo semestre da faculdade de Publicidade, conseguir um bom estágio e começar a construir uma carreira da qual seus pais pudessem se orgulhar.

Não estava nos planos aprender a calcular quantos dias conseguiria sobreviver com uma conta bancária praticamente vazia.

Muito menos receber uma notificação de despejo.

Ela largou a bolsa no sofá, tirou os sapatos e caminhou até a pequena cozinha do apartamento. O lugar era modesto, longe do luxo que costumava aparecer nas revistas que lia para estudar tendências de mercado, mas era seu cantinho.

Ou, pelo menos, ainda era.

Abriu a geladeira.

Uma garrafa de água pela metade. Dois sachês de molho esquecidos na porta. Um limão ressecado no compartimento de verduras.

Nada mais.

Isabella ficou alguns segundos observando o interior vazio, como se esperasse encontrar um jantar escondido atrás de alguma prateleira.

Fechou a geladeira.

Abriu o armário.

Dois pacotes de macarrão instantâneo, um pouco de sal e uma caixa de chá quase vazia.

— Maravilhoso. Um banquete digno da realeza.

Tentou rir da própria situação, mas o som morreu antes de chegar à garganta.

Estava cansada.

Cansada de estudar até tarde, de trabalhar em projetos acadêmicos como se estivesse disputando uma vaga no mercado todos os dias, de enviar currículos para empresas que sequer se davam ao trabalho de responder.

Cansada de fingir que estava tudo sob controle.

E, acima de tudo, estava cansada de sentir saudades de casa sem poder se dar ao luxo de comprar uma passagem para visitar os pais.

Seus pais.

A lembrança deles fez seus olhos arderem.

Moravam no Brasil, onde haviam passado boa parte da vida construindo uma pequena empresa familiar de jornais impressos. Seu pai acreditava que as notícias tinham valor quando chegavam às mãos das pessoas, que o cheiro da tinta no papel jamais seria substituído por uma tela e que o jornalismo local merecia sobreviver.

Sua mãe cuidava da administração, dos contratos e de tudo aquilo que ninguém via, mas sem o qual uma empresa não funcionaria.

Durante anos, o negócio sustentou a família.

Até que o mundo mudou mais rápido do que eles conseguiram acompanhar.

Os leitores migraram para a internet. Os anunciantes reduziram seus investimentos no papel. As despesas aumentaram, as receitas diminuíram e, quando perceberam, estavam tentando manter de pé uma empresa que já não conseguia pagar todas as próprias contas.

Vieram os empréstimos.

Depois, as cobranças.

Por último, as dívidas trabalhistas que ameaçavam consumir tudo o que seus pais haviam construído.

Mesmo assim, continuaram tentando.

E Isabella, que sempre fora a filha que resolvia os próprios problemas antes de pedir ajuda, decidira que não seria mais um peso sobre os ombros deles.

Na última ligação, sua mãe havia perguntado se ela precisava de dinheiro.

Isabella estava sentada no chão do banheiro, com o aplicativo do banco aberto no celular e um saldo que mal pagaria uma refeição.

Ainda assim, sorriu enquanto falava.

— Está tudo certo, mãe. Eu consegui me organizar.

— Tem certeza, filha? Este mês está complicado para nós. Seu pai está tentando negociar algumas dívidas, e eu não sei se vamos conseguir te mandar o valor de sempre.

Ela engoliu em seco.

— Mãe, não se preocupa comigo. De verdade. Eu estou bem. A partir de agora, vocês não precisam me ajudar com nada. Quero que usem o dinheiro para resolver as coisas da empresa.

Do outro lado da ligação, sua mãe permaneceu em silêncio.

— Você tem certeza disso, Isabella?

Ela olhou para o saldo bancário.

— Absoluta.

Mentiu com tanta naturalidade que sentiu vergonha de si mesma.

Não contou que havia gastado suas últimas economias com materiais, impressões e a produção de um projeto universitário importante. Não contou que estava atrasada com o aluguel. Não contou que vinha reduzindo as refeições para fazer o dinheiro durar mais.

E, definitivamente, não contou que estava com medo.

Não queria que sua mãe passasse noites acordada imaginando a filha sozinha em outro país, sem dinheiro e sem ninguém para ajudá-la.

Seus pais já tinham problemas demais.

Ela podia suportar mais um pouco.

Afinal, faltava tão pouco.

---

Isabella voltou à sala e pegou o notebook.

A tela demorou alguns segundos para acender, como se até o aparelho estivesse cansado de acompanhá-la.

Abriu a pasta de currículos.

Havia vinte e sete versões diferentes.

Vinte e sete.

Uma para cada agência, adaptada conforme a área de atuação, o perfil dos clientes e os requisitos das vagas.

Durante a última semana, ela havia enviado candidaturas para praticamente todas as agências de publicidade de Los Angeles que pareciam oferecer alguma possibilidade.

Empresas pequenas. Empresas grandes. Departamentos de marketing. Estúdios criativos. Agências digitais.

Algumas exigiam experiência profissional. Outras procuravam estudantes que estivessem começando a carreira. Isabella se candidatou a todas aquelas para as quais acreditava ter alguma chance.

O resultado?

Nenhuma entrevista.

Nem mesmo uma ligação.

Ela atualizou a caixa de entrada.

Nada.

Abriu o site de vagas.

Nada que ainda não tivesse visto.

Depois voltou ao currículo e releu a primeira página.

Isabella Castillos.

Estudante de Publicidade e Comunicação.

Experiência acadêmica em campanhas integradas, planejamento estratégico, identidade visual, pesquisa de mercado e produção de conteúdo.

Bons resultados.

Projetos premiados dentro da universidade.

Português fluente (língua nativa).

Inglês fluente.

Um portfólio construído com noites sem dormir e uma determinação que nem ela sabia de onde vinha.

O currículo não era ruim.

Ela sabia que não era.

Então, por que ninguém lhe dava uma chance?

A pergunta permaneceu no ar, sem resposta.

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