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CAPÍTULO 4

Author: Última Neve
Quando a cerimônia terminou, todos começaram a voltar para casa.

Foi Carolina quem lembrou meus pais e Rafael de mim.

— Cami, por que você saiu andando sozinha de novo?

Não respondi. Entrei no carro por conta própria e fui direto para a última fileira.

Ninguém deu importância.

Depois que entraram, começaram a conversar animadamente sobre universidades e cursos.

— Carol, você e o Rafael vão juntos para a Universidade J. Com ele cuidando de você, a gente fica mais tranquilo.

Carolina assentiu, com o rosto levemente vermelho.

Meus pais discutiram um pouco porque tinham opiniões diferentes sobre qual curso ela deveria escolher.

No fim, decidiram deixar que ela mesma escolhesse.

— A Carol é inteligente e sabe o que quer. Não é como a Cami. Com ela, a gente nem precisa se preocupar.

Continuei em silêncio.

Só quando já estávamos quase chegando em casa é que perceberam que eu estava sentada lá atrás.

Minha mãe perguntou:

— Cami, e você? O que vai fazer?

Antes que eu pudesse responder, Rafael falou primeiro.

— Tia Renata, a Cami não foi bem. Vai estudar mais um ano e tentar de novo.

— Não tem problema. Eu e a Carol vamos primeiro para a Universidade J dar uma olhada por lá, e no ano que vem a Cami encontra a gente.

Meus pais trocaram um olhar e suspiraram.

— Cami, se você desse metade do sossego que a Carol dá pra gente, já estaria ótimo.

Pisquei, e uma lágrima caiu sobre a tela do celular.

Os 915 pontos na tela saltavam aos olhos.

Eles nunca tinham perguntado.

Bastou uma frase de Rafael para concluírem que eu tinha ido mal e precisaria tentar de novo no ano seguinte.

Comecei a vender, aos poucos, as joias que meus pais tinham me dado ao longo dos anos.

Também vendi os presentes que Rafael me dava em aniversários e datas especiais.

Somando isso ao dinheiro que eu vinha guardando havia anos, consegui uma quantia suficiente.

Era o bastante para pagar minha mensalidade e os primeiros meses de despesas.

Depois de resolver tudo, guardei com cuidado a carta de admissão da Universidade G e fechei a mala.

Quando saí do quarto puxando a bagagem, a casa estava vazia.

Rafael me ligou.

— Cami, eu já achei um cursinho preparatório pra você.

— Quando a comemoração de hoje acabar, eu vou com você fazer a matrícula.

Não respondi diretamente. Olhei para a foto de família na sala e perguntei:

— Comemoração de quem?

— Minha e da Carol, claro. A gente entrou na universidade.

Todo mundo tinha ido.

Só eu não sabia.

Era igual ao grupo em que eles sempre conversavam.

Todo mundo estava lá, menos eu.

— Meus pais e os seus conversaram. Como eu e a Carol vamos para a Universidade J, resolveram fazer uma comemoração conjunta para nós dois.

— Entendi.

Minha decepção já tinha chegado ao limite. Eu não queria mais dizer nada.

Rafael percebeu meu humor e suavizou a voz.

— Cami, a gente só não te chamou porque ficou com medo de você se sentir mal.

— Afinal, você vai tentar de novo no ano que vem. Quando chegar a sua vez, vamos fazer uma festa enorme pra você.

Uma pontada atravessou meu peito, seguida por uma onda de amargura.

— Rafael, na verdade eu...

— Rafael, vai começar. O que você está fazendo aí?

Eu queria explicar tudo de uma vez e aproveitar para terminar nosso relacionamento.

Mas Carolina me interrompeu.

Rafael desligou às pressas e não ouviu o resto da frase.

Olhei em volta pela última vez, para a casa onde tinha crescido.

Depois puxei minha mala e fui para o aeroporto.

...

Meus pais estavam sentados no salão, observando Carolina e Rafael.

Os dois estavam cheios de orgulho.

De repente, meu pai comentou:

— Olhando assim, a Carol e o Rafael até que combinam.

Minha mãe se endireitou na cadeira e deu um tapa firme no braço dele.

— Para de falar besteira. Você sabe que a Cami gosta do Rafael desde pequena.

Quando mencionaram meu nome, os dois sentiram um vazio estranho no peito.

— Também não sabemos onde a Cami pretende estudar mais um ano.

Enquanto conversavam, minha mãe recebeu uma ligação da professora Helena.

— Sra. Azevedo? Aqui é a Helena, professora da Camila.

Minha mãe colocou no viva-voz e respondeu sorrindo.

Helena continuou:

— Onde vocês vão fazer a comemoração pela aprovação da Camila? Será que eu posso participar também?

O sorriso da minha mãe congelou. Um constrangimento passou pelo rosto dela.

— Professora Helena, acho que vamos decepcionar você. A Camila não foi bem e vai ter que tentar de novo no ano que vem.

Do outro lado da linha, Helena ficou em silêncio por um instante e perguntou, confusa:

— Sra. Azevedo, a senhora está brincando? A Camila foi muito melhor do que o esperado e tirou 915 pontos de 1000. Como ela poderia precisar tentar de novo?

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