FAZER LOGINCapítulo 4
Ísis achou que ainda era cedo para dormir. Puxou uma poltrona confortável para perto da cama, tirou os sapatos e se acomodou ao lado de Leon. Observou ele por alguns instantes. O rosto dele parecia tranquilo, a respiração estava lenta e regular. Pegou um dos livros da estante e sorriu ao ler o título. — Gosta de histórias de aventura? — perguntou baixinho. Esperou alguns segundos, como se realmente pudesse ouvir uma resposta e sorriu de novo. — Vou fingir que você disse “sim”. Abriu o livro e começou a ler em voz baixa. O silêncio do local dava espaço apenas para sua voz suave. De vez em quando, fazia uma pausa. — Essa parte foi boa... — murmurava, virando a página. — Acho que você teria gostado desse personagem. O tempo passou sem que percebesse. Quando terminou mais um capítulo, fechou o livro por um instante para beber um gole d’água. Foi então que notou: os olhos de Leon estavam fechados. Ela ficou observando-o por longos segundos. Teria adormecido? Ou era só mais um momento de descanso profundo? Não saberia dizer. Fechou o livro com cuidado e o colocou sobre a mesa de cabeceira. — Boa noite, Leon — sussurrou. Apagou o abajur e se deitou. O cansaço do dia a derrubou assim que deitou. Adormeceu quase de imediato. Às seis da manhã, o despertador vibrou baixinho. Ísis desligou rapidamente, antes que o som pudesse incomodar Leon. Lavou o rosto, prendeu os cabelos em um coque alto e voltou ao quarto. A enfermeira já estava lá, conferindo os sinais vitais. — Bom dia — cumprimentou Ísis com um sorriso. — Bom dia. Ele passou uma noite tranquila. Sem precisar pedir, Ísis começou a ajudar. Trocaram o soro, ajeitaram os travesseiros e organizaram a cama com movimentos suaves e coordenados. Pouco depois, Leon abriu os olhos. — Bom dia, dorminhoco... — disse Ísis, sorrindo com carinho. Com cuidado, as duas o transferiram para a cadeira de rodas. Assim que terminaram, a enfermeira se despediu. Ísis pegou uma manta fina e cobriu as pernas dele. Depois, com delicadeza, ajeitou uma mecha loira que havia caído sobre a testa. — Pronto — murmurou, satisfeita. — Agora sim... ficou bonito. Passou para trás da cadeira de rodas. — Vamos tomar um pouco de ar? Acho que vai fazer bem para nós dois. Foi nesse momento que percebeu alguém parado à porta. Caio. Ele observava a cena em silêncio. Um discreto sorriso surgiu em seus lábios. Fazia muito tempo que ninguém tratava Leon daquela forma, sem pena, sem exagero nos cuidados. Apenas com carinho genuíno. Quando Ísis notou sua presença, sentiu o rosto esquentar. — Senhor Caio... desculpe. Não vi o senhor chegar. — Não precisa se desculpar. Na verdade... gostei de ver isso. Ísis abaixou os olhos, um pouco envergonhada. — Eu só queria que ele se sentisse confortável. — E você conseguiu. Caio se aproximou da cadeira de rodas. — Posso levá-lo até a sala por alguns minutos? — Claro. — Enquanto isso, vá tomar seu café. Ela sorriu, agradecida. — Obrigada. *** Depois que Ísis saiu, Caio empurrou a cadeira de rodas até a sala e acomodou Leon perto da janela, onde a luz da manhã entrava de forma suave e dourada. Sentou diante do irmão. Ficou alguns segundos em silêncio, então sorriu. — Gostou dela? Como sempre, nenhuma resposta. Mas isso não o impediu de continuar. — Eu gostei. Apoiou os cotovelos nos joelhos, olhando diretamente para Leon. — Faz muito tempo que não vejo alguém conversar com você desse jeito. Ela não parece enxergar só o acidente. — Fez uma pausa curta. — Ela olha para você como se ainda existisse um homem aí dentro. Silêncio. Caio respirou fundo. — Espero que ela esteja certa. Pegou a xícara de café que uma funcionária havia deixado na mesa. Antes de beber, encarou o irmão novamente. Um sorriso triste surgiu em seus lábios. — Só não demora muito para voltar, irmão... — A voz quase falhou. — Acho que essa menina merece conhecer o homem que você era. Fez uma breve pausa, engolindo o aperto na garganta. — E eu também sinto falta dele.Capítulo 161 O jato particular da família Whitmore pousou em um pequeno aeroporto próximo à aldeia. Ísis desceu as escadas da aeronave com Leon segurando sua mão. Julian e Hanna caminhavam logo atrás, curiosos e um pouco tímidos. Liam e Emma dormiam nos braços de Sofia e Rose. Ísis respirou fundo. O ar quente do deserto trouxe memórias que não eram mais fragmentos. Ela sorriu. — Aqui... eu nasci de novo. Leon apertou sua mão. — Vamos agradecer quem cuidou de você. *** A aldeia recebeu o pequeno grupo com surpresa e alegria. As pessoas começaram a se aproximar. A curandeira foi uma das primeiras. A idosa caminhou devagar até Ísis, seus olhos brilhavam de emoção. Ísis a abraçou com carinho. A curandeira acariciou seus cabelos, como fazia quando ela era apenas uma mulher sem nome. Falou algo em árabe. Ísis compreendeu cada palavra. — Você voltou... minha filha. As lágrimas desceram pelos rostos das duas. Amina apareceu correndo. Parou a alguns metros deles e arregalou os o
Capítulo 160 Assim que amanheceu, Julian abriu os olhos devagar. Ainda estava um pouco sonolento e esfregou os olhos. Virou para o lado e congelou. A mãe estava na frente dele, dormindo. A mão dela permanecia entrelaçada à do pai por cima dele e de Hanna. Julian arregalou os olhos. - Mamãe... — sua voz saiu num sussurro. Ísis abriu lentamente os olhos, demorou alguns segundos para entender onde estava. Então encontrou o rostinho do filho bem diante do seu e sorriu. - Bom dia... Julian não disse nada, se atirou sobre ela. Que o abraçou com força. - Meu menino... — disse entre as lágrimas. O movimento acordou Hanna, que olhou para o pai e depois se virou e viu a mãe. - Mamãe? Ísis abriu um dos braços, olhando para sua filha com carinho. - Vem cá, meu amor. Hanna também se jogou nos braços dela. Leon observava em silêncio o reencontro deles. Seu coração parecia pequeno demais para tanta felicidade. Hanna levantou o rostinho. - Você voltou? Ísis acariciou seus cabelos. -
Capítulo 159 - Arthur, apenas dirija. Sem pressa - Leon disse ao motorista. - Sim, senhor. Em seguida, acionou o botão que fechava completamente o vidro de privacidade entre eles. Ísis piscou algumas vezes e depois olhou para Leon. - Não me olhe assim, amor. Está tudo bem - O sorriso dele era tranquilo. Ele passou um braço por sua cintura, puxando para mais perto e a acomodou sentada em seu colo. Ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre os ombros dele para manter o equilíbrio. - O que está fazendo? - perguntou, um pouco preocupada. Ele sorriu com ternura. - Aproveitando o fato de que minha esposa finalmente voltou para mim. - Eu ainda não consigo lembrar direito... - Eu sei. Os olhos dele passearam delicadamente pelo rosto dela. Com muito cuidado, afastou uma mecha de cabelo que caía sobre sua testa. - Só vou fazer aquilo que você permitir. Ela relaxou os ombros. Passou as mãos pelo peito dele sentindo o coração ainda acelerado. - Continua acelerado. - Culpa sua
Capítulo 158 Enquanto isso, na cozinha da Mansão Whitmore. — Molly! Uma das cozinheiras se ajoelhou ao lado dela. — Tragam água! Arthur ligou novamente e alguém atendeu. — O que aconteceu? Ela está bem? — Senhor Arthur? — Sim! — Ela desmaiou. — Chamem um médico imediatamente! — Já chamamos. — Me Avise quando ela acordar. Momentos após o susto, Molly abriu lentamente os olhos. Piscou algumas vezes olhando para o teto. Ela sentou tão depressa que assustou todos ao redor. — O telefone! A cozinheira entregou o aparelho e ela ligou para o marido. — Molly! Ela nem o deixou terminar de falar. — Você mentiu para mim? — Não. — Jura por Deus? Arthur enxugou discretamente uma lágrima. — Pela minha vida. Ela está viva. Molly colocou a mão na boca. E começou a chorar alto, um choro que parecia vir de dentro da alma. — Meu Deus... Meu Deus... Ela está viva... Arthur respirou fundo. — Ela está sentada à mesa com o patrão neste momento num restaurante. Molly fechou os olho
Capítulo 157Leon permaneceu alguns segundos em silêncio, admirando o rosto de Ísis. Ergueu levemente o queixo dela com a ponta dos dedos.— Quer sair daqui?Ela sustentou seu olhar por alguns instantes e depois assentiu.— Quero.Ele sorriu. Sem soltar sua mão, eles desceram.Richard os viu e percebeu o que o chefe pretendia fazer.Quando o viu andar em direção à saída, se aproximou de Wilson.— Pode ir atrás deles. Eu volto de táxi.Wilson apenas concordou com um movimento de cabeça e caminhou alguns metros atrás do casal, mantendo a distância de sempre.Do lado de fora, a longa limusine os aguardava.O motorista abriu a porta e franziu a testa ao ver a mulher.Leon ajudou Ísis a entrar e, em seguida, se acomodou ao lado dela. A cidade começou a passar lentamente pelas janelas escuras do veículo.Nenhum dos dois falou durante alguns minutos. Leon apenas a observava. Como se tivesse medo de que ela desaparecesse outra vez. Muito devagar, abriu um dos braços.Ísis entendeu o convite e
Capítulo 156Ísis congelou. Seu coração, que já batia descompassado, pareceu parar por um segundo.— O... o que disse?Leon continuava olhando para ela. Haviam lágrimas contidas em seus próprios olhos.— Repete — a voz dela saiu quase num sussurro.Leon sentiu o peito apertar.— Pequena sereia.Ela colocou a mão na cabeça e cambaleou. Ele a segurou e no instante em que seus corpos se tocaram, ela fechou os olhos. As lágrimas começaram a descer.— Eu conheço você... — disse num tom trêmulo.Leon fechou os olhos por um segundo.— Sim... — sua voz falhou devido a grande emoção.Na entrada, Richard observava a cena em absoluto silêncio junto com Wilson. Do outro lado, Nikos chegou acompanhado de Clara e Anastácia.Leon acariciou delicadamente o rosto dela com o polegar. Como havia feito tantas vezes antes de perdê-la.— Olhe para mim.Ela assim o fez. Os olhos dele estavam vermelhos.— Você não sabe quem eu sou...Ela negou lentamente.— Não.Passou a mão sobre a dele em seu rosto.— Mas,







