Compartir

Capítulo 5

last update Fecha de publicación: 2026-05-11 19:00:43

 Iria seguir em frente sem ele; seria apenas ela e o bebê. Esmeralda jurou naquele momento que jamais contaria a Vinícius sobre aquele filho. Se o manipulador descobrisse, tinha certeza de que usaria a situação para conseguir dinheiro fácil.

Ele jamais saberia da criança, e nem mesmo seus pais poderiam descobrir quem era o verdadeiro pai. Se fosse preciso, inventaria uma mentira.

— Eu não tenho para onde ir — respondeu Esmeralda, com um olhar perdido.

De repente, como se tudo estivesse contra ela, uma chuva forte começou a cair. Arthur respirou fundo, observou a estrada, ligou o carro e deu partida.

— Para onde vamos? — perguntou, surpresa.

— Para a minha casa. Não se preocupe, você estará segura lá. É só por essa noite.

Por mais que Arthur fosse apenas um estranho, havia sinceridade em suas palavras. Ela acreditava que ele não faria nada contra ela. Agradeceu a Deus por ter colocado aquele homem em seu caminho, pois não estava pronta para enfrentar os pais ou confessar à melhor amiga o quão estúpida havia sido.

A chuva caía intensa, deixando-a aflita.

— Vai demorar muito para chegar à sua casa?

— Estamos quase chegando, não se preocupe — Arthur pegou em sua mão para acalmá-la, mas logo retirou o gesto e se endireitou no banco.

 Aquele tipo de afeto parecia novo para Arthur, e isso estava estampado em seu rosto. Esmeralda reprimiu o riso, mordendo os lábios.

Ele era do tipo que não gostava de demonstrar sentimentos, mas adorava um chamego. Não precisava conhecê-lo profundamente para perceber isso. Mesmo com o olhar intenso e frio, parecia que, com ela, a barreira que havia erguido ao seu redor para afastar as pessoas tinha desmoronado.

 O brilho em seus olhos era um bom sinal, mas assim que ajeitou a postura, voltou a exibir o olhar frio e distante.

Esmeralda estava interessada em saber mais sobre aquele homem diferente. Não era como os outros da alta sociedade com quem estava acostumada, sempre falando de bens materiais, riqueza e forçando um ar sedutor.

Arthur, em nenhum momento, se gabou de si. Mesmo que a situação não fosse propícia, os homens ricos que conhecia sempre arrumavam qualquer pretexto para exibir o ego. Ele, ao contrário, parecia alheio a isso.

Estava preocupado com a chuva. A estrada mal podia ser vista, mas, por sorte, era um motorista experiente.

 Mais uma vez, agradeceu por estar com Arthur. Imagine se estivesse no meio da rua com toda aquela chuva!

 O carro foi diminuindo a velocidade enquanto se aproximava de um portão. Por sorte, a tempestade já começava a perder força. Esmeralda pôde ver a entrada do condomínio onde Arthur morava. Estava certa ao pensar que ele era podre de rico: as casas ao redor eram tão luxuosas quanto as do condomínio de seus pais.

 Graças a Deus por não morarem próximos; caso contrário, estaria perdida.

— Sua casa combina perfeitamente com você — disse, observando a entrada da residência luxuosa.

Ele sorriu.

— Espero que isso seja algo bom.

Assim que estacionou na garagem, Arthur se virou e pegou algo no banco de trás.

— Vista isso — disse, entregando-lhe um sobretudo que ficaria enorme nela.

Esmeralda arqueou a sobrancelha, mas aceitou o casaco.

— Para evitar alguma fofoca — ele se justificou.

— Tudo bem, eu entendi. Você tem toda a razão. Muito obrigada, mais uma vez se mostrando um perfeito cavalheiro.

Arthur engoliu em seco e endireitou a postura, como sempre fazia quando recebia um elogio. Parecia envergonhado ou desconfortável, como se não estivesse acostumado a ouvir palavras assim.

Saíram do carro e caminharam em direção à casa.

— Você mora sozinho? Não quero te causar problemas com sua namorada ou esposa.

— Não se preocupe com isso, sou solteiro e moro, sim, sozinho.

— Perfeito.

Arthur a encarou surpreso.

— Não foi o que quis dizer, perdão. Quero dizer, é bom que eu estando aqui não vá te trazer problemas com sua namorada, se tivesse uma… droga, me enrolei toda — disse Esmeralda, gaguejando. Sentia o calor aumentar; parecia que suas bochechas iriam pegar fogo.

Arthur, que a observava sério, não conseguiu evitar soltar uma gargalhada, o que a deixou ainda mais envergonhada.

— Que situação — ela murmurou, sem conseguir encará-lo, enquanto ele ainda ria.

— Tudo bem, eu entendi o que quis dizer.

Ele continuou andando, e Esmeralda o seguiu de cabeça baixa.

— Você não consegue ficar um minuto sem passar vergonha, não é mesmo? — repreendeu-se baixinho.

— O que disse? Eu não entendi — Arthur se virou para perguntar.

— Perdão, eu não estava falando com você. Quero dizer, estava falando sozinha.

Ela queria poder abrir um buraco no chão e se esconder de tanta vergonha. Aquele homem estava realmente mexendo com sua cabeça; nunca havia se sentido assim na presença de nenhum outro. O que estava acontecendo com ela?

Decidiu que era melhor falar menos dali em diante, para evitar novos constrangimentos.

— Aqui é a sala de estar, logo ao lado fica a cozinha. Lá em cima estão os quartos. Fique à vontade e sinta-se em casa.

— Certo, muito obrigada.

— Quer beber algo? Um vinho?

Ela bem que queria algo forte naquele momento. Estava tentada a dizer sim, afogar as mágoas e esquecer tudo o que havia passado. Porém, não podia beber nada alcoólico, não na situação em que se encontrava.

— Eu não bebo nada alcoólico.

Aquilo estava longe de ser verdade. Qualquer um que pesquisasse seu nome na internet encontraria sites de fofoca mostrando fotos dela bêbada em alguma boate. Por mais que seu pai tentasse pagar para que retirassem as imagens da filha caçula, alguns acabavam publicando.

 Mas isso ficou no passado. Depois que Nina morreu, tudo mudou: não só perdeu a pessoa mais importante de sua vida como também a liberdade. Sua rotina passou a ser vigiada vinte e quatro horas por dia. Os poucos momentos em que conseguia viver eram fruto de fugas calculadas dos seguranças, sempre com um bom plano e aliados.

 Pelo menos estava agradando seus pais, que haviam parado de cobrar tanto dela. Sua reputação estava melhorando; fazia tempo que não a chamavam de “patricinha baladeira” nas revistas ou redes sociais.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 101- Fim.

    Esmeralda escutou uma voz que fez um arrepio percorrer sua espinha; mordeu os lábios, insegura. Caminhou até a sala de estar e encontrou Margarida resmungando algo para Penélope, que parecia desesperada para sair dali. — Que absurdo, toda mulher deve se casar e formar uma família. Deus nos criou para ser companheira do homem e você me diz que não pensa em se casar tão cedo. Pois eu digo que deve aproveitar enquanto pode ter filhos; quando estiver velha será tarde demais. Esmeralda conteve o riso. Penélope estava pronta para rebater à altura quando Henri se levantou alegre ao notar sua presença. — Prima! — disse, aproximando-se e cumprimentando-a com um abraço.— Sobrinha, fico feliz que tenha chegado. Quem sabe, se disser sua opinião sobre o casamento, consigo colocar algum juízo nessa cabeça de vento — comentou Catarina, olhando em sua direção. Penélope encarou a cunhada com a boca aberta, como se não acreditasse no que havia escutado.— Estou tentando dizer à sua querida tia que

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 100

    Assim que saíram do avião, Esmeralda sentiu o vento balançando seus cabelos. Parecia que havia segurado o ar durante muito tempo e só agora conseguia respirar novamente.Era um alívio saber que aquele pesadelo havia acabado, que poderia enfim ter paz. Arthur segurou sua cintura e beijou-lhe a testa, enquanto Pérola resmungava palavras incompreensíveis em seu colo. Ao olhar para o marido, seu coração se acalmou; parecia que um peso havia sido tirado de suas costas. Sabia que não seria fácil seguir em frente depois de tudo o que viveu, mas aqueles olhos azuis que brilhavam ao encará-la despertavam uma chama de esperança, destruindo a tristeza que a consumira nos últimos dias. Eles estavam de volta, prontos para recomeçar e criar novas memórias. Esmeralda lembrou-se das palavras que dissera à mãe no dia em que partiu: precisava se permitir ser feliz, devia isso a Nina. Sua irmã perdera a vida lutando para manter a família segura, e ela não podia se deixar afundar na tristeza e deixar

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 99

    Havia outras gravações como aquelas, e Esmeralda compreendeu que o Alfa trocava peças originais destinadas a leilões por falsificadas. Não sabia como Nina havia conseguido aquelas imagens, mas podia perceber o risco enorme que correu. Algumas vinham de câmeras de segurança, outras de um celular. Um vídeo, porém, chamou sua atenção: estava nomeado como “O Alfa”. Esmeralda clicou para iniciar e suas mãos tremiam, um nó se formou em seu estômago. Estava prestes a descobrir quem era o maníaco que perseguia sua família. Era nítido que o vídeo foi gravado no quarto de Nina. Esmeralda reconhecia cada detalhe, não havia dúvida de que fora feito pela webcam. Engoliu em seco, aguardando o que viria. Nina apareceu, olhou para a câmera como se certificasse da posição correta. Estava nervosa. Pouco depois, passos ecoaram e alguém entrou. Era Carlo. Esmeralda mordeu os lábios, atônita: por que o tio estava naquela gravação? Ele fechou a porta e se aproximou de Marina, que o encarava com medo.

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 98

    Esmeralda arregalou os olhos diante de tudo o que ouviu. Não queria acreditar, mas talvez Rafael tivesse razão e o Alfa fosse mesmo algum parente próximo. O choro de Pérola a fez levantar-se ainda atordoada. Imaginou que Rafael soubesse mais do que ela, mas Marina havia escondido segredos até mesmo dele. Ao se aproximar do quarto, encontrou a bebê chorando de fome. Pegou-a no colo e sentou-se na cama de Cristal, que também havia acordado. Enquanto alimentava a filha, acariciava os cabelos da sobrinha, que a observava sonolenta. Pouco depois, Cristal levantou-se e espalhou seus brinquedos pelo chão. Esmeralda sentou-se junto, com Pérola no colo, que observava a prima e gargalhava. Rafael se aproximou para beijar o rosto da filha, mas quando a menina pediu mais atenção, ele se afastou dizendo que iria tomar banho e depois voltaria para brincar. Isso deixou Cristal irritada; ela não sabia lidar bem com seus sentimentos. Pérola segurava um urso de pelúcia da prima quando Cristal se ap

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 97

    João e Marta eram gentis, porém Esmeralda não conseguia sentir-se em casa; tinha a impressão de ser uma intrusa e torcia para que tudo aquilo acabasse logo. Enquanto isso, Rafael mantinha-se distante. Trocaram poucas palavras no dia em que chegaram. Esmeralda desejava um momento para conversar sobre Nina, mas sempre que tentava se aproximar, ele se afastava. De acordo com João, o café delicioso que bebiam era plantado ali mesmo, e Rafael passava os dias ajudando na lavoura. Para se aproximar dele e também ter alguma ocupação, Arthur começou a trabalhar, mesmo sem saber quase nada sobre o assunto, disposto a aprender. Esmeralda, por sua vez, preenchia os dias cuidando da sobrinha Cristal e da filha, além de ajudar Marta na cozinha. Já não se sentia um completo desastre como antes, pois Arthur havia lhe ensinado algumas coisas. Marta era calma e paciente, sempre disposta a ensinar, e Esmeralda sentia orgulho a cada receita que conseguia preparar sem cometer erros. Ainda assim, por m

  • Uma farsa de casamento   Capítulo 96

    A emoção tomou conta das duas. Esmeralda deu alguns passos à frente e abraçou a mãe. Aquele abraço foi diferente de todos os outros. Sentiu um peso enorme se desfazer de seus ombros; somente naquele instante teve certeza de que havia conseguido perdoá-la e compreender, ao menos em parte, suas atitudes. Catarina foi a primeira a sair do quarto. Arthur se aproximou de Esmeralda, segurando seu rosto. — Não imagina o quanto estou orgulhoso de você. É a mulher mais forte que conheço e ainda não consigo acreditar na sorte que tenho por tê-la como minha esposa — disse, beijando sua testa. — Obrigada, Arthur. Você me ajudou a seguir em frente.— Você fez o mesmo por mim, amor.……………….. Um nó se formou na garganta de Arthur ao se sentar à mesa e observar a família reunida. Seria difícil ficar longe do pai e da irmã, principalmente não ter notícias deles. Tinha esperança de que fosse por pouco tempo e que em breve estariam todos juntos novamente. O clima era pesado, dava para ver a trist

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status