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CAPÍTULO 3

Autor: Mia Bianchi
last update Data de publicação: 2026-01-14 01:09:03

RODRIGO NARRANDO:

Ignorei todos os alertas de furacão quando embarquei para Cancun. A sirene de emergência soava alto, mas nada importava mais para mim do que estar com Micaela, e eu estava preocupado do que Renan pudesse fazer com ela.

O resort estava em alerta máximo, com hóspedes sendo levados para os bunkers e equipes de emergência correndo de um lado para o outro.

Eu e a garota do bar corremos pela parte coberta do hotel, onde o chão já começava a ficar alagado. Pequenas correntes de água formavam poças profundas enquanto a chuva batia furiosamente contra as janelas. O vento era implacável, tão forte que parecia querer nos arrastar para longe. Por mais que tentássemos nos abrigar, a chuva entrava pelas janelas quebradas, molhando nossas roupas e nos deixando ensopados.

No meio da correria, ouvi um estalo e, em questão de segundos, o vidro de uma das janelas explodiu ao nosso lado. Estilhaços voaram para todos os lados, e, antes que pudesse reagir, vi Gisele ao meu lado tentando se proteger com os braços. Um pedaço de vidro cortou sua mão, e ela quase perdeu o equilíbrio.

Eu a segurei antes que ela caísse.

— Gracias — disse ela, ofegante, segurando a mão ferida.

— Vamos! — respondi, puxando-a para continuar correndo.

Finalmente, encontramos uma sala segura, um dos bunkers que o resort tinha preparado para emergências como furacões que costumam acontecer nessa época do ano. Quando entramos, percebi que estávamos sozinhos, o que, de certo modo, foi um alívio. Lá dentro, o som do vento e da chuva era abafado, mas a tensão não diminuía.

Peguei meu celular e tentei verificar a situação, mas, como esperado, não havia sinal. O de Gisele também estava sem serviço. Tínhamos apenas as lanternas de emergência, algumas barras de cereais, água e um kit de primeiros socorros.

Senti o peso da situação cair sobre meus ombros, mas tentei manter a calma.

— É melhor esperarmos aqui a tempestade passar — ela disse, com a voz trêmula, os olhos buscando alguma segurança.

— Sim, estamos seguros agora — respondi, tentando esconder a preocupação que começava a tomar conta de mim.

A tensão entre nós crescia. Gisele estava completamente molhada, sua blusa grudada em seu corpo exibindo seu decote com seios médios, e o frio no bunker a fazia tremer levemente. Seus olhos, de um castanho cor de mel, me encaravam com uma mistura de curiosidade e algo mais.

Eu podia sentir a atração entre nós crescendo com cada segundo.

— Você está bem? — perguntei, notando que ela pressionava a mão contra o peito, incomodada.

— Não, cortei a mão com o vidro... está doendo muito — ela respondeu, estendendo a mão para que eu pudesse ver o ferimento.

O corte era mais profundo do que eu imaginava.

Não parecia haver nenhum pedaço de vidro preso, mas o sangue escorria lentamente, e a dor era visível no rosto dela. Preocupado, ajoelhei-me à sua frente e abri o kit de primeiros socorros. Sabia que precisava agir rápido para estancar o sangramento.

Com cuidado, limpei o ferimento e procurei algo para fazer um curativo improvisado. Peguei o lenço branco que sempre carregava no bolso, com minhas iniciais "R.C." bordadas em um canto.

Amarrei o lenço ao redor da mão dela, com o tecido macio absorvendo o sangue e estancando o ferimento. Quando me aproximei para ajustar o nó, senti o perfume suave que ela usava. Era delicado, com um toque floral que me envolveu.

— Isso deve ajudar a parar o sangramento por enquanto — falei, tentando me concentrar no que estava fazendo, mas a proximidade dela me deixava distraído.

— Obrigada, qual é o seu nome? — Ela perguntou, me fazendo lembrar que eu ainda não havia me apresentado.

— Rodrigo

— Obrigada Rodrigo, o meu é Gisele — Ela disse

— Eu sei, escutei o segurança falar com você no bar, muito prazer — Respondi terminando de amarrar o meu lenço em sua mão macia.

— Prazer — Ela respondeu timidamente

Nossos olhares se encontraram, e, naquele momento, percebi a intensidade nos olhos dela. Aquele olhar de mel parecia prender o meu, como se estivesse me puxando para mais perto.

Não consegui resistir. E, então, nossos lábios se encontraram.

O beijo foi intenso, como se todas as emoções contidas explodissem de uma vez. Minhas mãos subiram até seu rosto, acariciando sua pele enquanto nossos lábios se moviam com urgência e desejo. Gisele relaxou contra mim, com seus braços envolvendo meu pescoço, e, por um momento, o som do furacão lá fora desapareceu.

Havia apenas o som de nossas respirações, rápidas e entrecortadas, e o bater acelerado de nossos corações.

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Último capítulo

  • Uma noite, uma vida    CAPÍTULO 324

    GISELE NARRANDO:Às vezes eu paro e penso em como a vida pode mudar tão rápido.Fazia alguns meses que nossa pequena Tatiana havia chegado ao mundo, e a mansão parecia ter ganhado uma nova luz. Ela era a alegria da casa inteira. Eu não conseguia passar um dia sem pegar minha neta no colo, sentir seu cheirinho de bebê, ouvir aqueles barulhinhos fofos que ela fazia quando estava satisfeita. Rodriguinho estava completamente apaixonado pela filha, trocava fraldas no meio da noite, cantava baixinho para ela dormir, carregava ela pelo jardim enquanto contava histórias que ele mesmo inventava. Thalia, mesmo ainda se recuperando emocionalmente da perda do primeiro bebê, era uma mãe carinhosa e dedicada. Minha nora brilhava quando olhava para Tatiana, e eu via nos olhos dela uma força que me enchia de orgulho.Rodriguinho e Thalia haviam se mudado para a casa nova ao lado da nossa, conectada por uma passagem privada que Madah mandou construir, era lindo ver os dois construindo seu próprio

  • Uma noite, uma vida    CAPÍTULO 323

    THALIA NARRANDO:O dia do primeiro mês de vida da nossa pequena Tatiana foi especial de um jeito que eu nunca imaginei viver.Fizemos uma festa íntima, só para a família e os amigos mais próximos, no jardim da mansão. Eu prometi a mim mesma que iria me permitir sentir alegria plena naquele dia, não queria que a tristeza do passado roubasse nem um segundo da vida da nossa filha, o sol estava brilhante, o céu azul, e o jardim tinha sido decorado com delicadeza: balões brancos e rosados flutuando, flores suaves espalhadas pelas mesas, uma mesa central com um bolo pequeno de um andar só, coberto de flores comestíveis e o nome “Tatiana” escrito em letras douradas.Todos se reuniram para prestigiar nossa pequena e tudo o que Rodriguinho e eu estávamos construindo. Nunca me senti tão amada. Dona Madah comprou um presente enorme, um carrinho de bebê de luxo, Dona Gisele preparou um álbum de fotos personalizado com as primeiras imagens da neta. Meu sogro e meu avô Raphael compraram brinqued

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    ALINE NARRANDO:O último ano foi o pior da minha vida, um inferno que parecia ter durado dez anos.Passei o primeiro mês inteiro na solitária, um cubículo cinzento, úmido, com uma cama de concreto coberta por um colchão fino que cheirava a mofo. A luz ficava acesa 24 horas por dia, um zumbido constante que me enlouquecia. Não tinha janela, só uma fresta no alto da porta por onde passava a comida, uma papa insossa e fria que mal dava para engolir. Eu gritava por ajuda, batia na porta até os punhos sangrarem, chorava dizendo que era injusto, que eu não tinha matado ninguém, ninguém respondia. O silêncio era pior que os gritos.Quando me tiraram da solitária, fui para o convívio comum. Foi aí que o verdadeiro inferno começou. As outras detentas nos odiavam desde o primeiro dia “vadias mimadas”. Uma turma se juntou e nos deu uma surra brutal no pátio, chutavam minha barriga, meu rosto, minhas costelas, tu tentava proteger a cabeça, mas os golpes vinham de todos os lados, Renata levou

  • Uma noite, uma vida    CAPÍTULO 321

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  • Uma noite, uma vida    CAPÍTULO 320

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  • Uma noite, uma vida    CAPÍTULO 319

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