FAZER LOGINRODRIGO NARRANDO:
Precisava me esconder. Se Renan me visse, faria um escândalo e tudo estaria acabado. Por sorte, a bartender bonita fez um sinal para eu me abaixar e abriu uma porta lateral do bar. Rapidamente me escondi no vão, ouvindo claramente a discussão. — Cadê ele? Você acha que sou estúpido? Que viajei por quatorze horas sem saber que ia te encontrar aqui com seu amante? Eu já sei que está me traindo, Micaela! — Renan gritava. — Não faça escândalo. Estou sozinha, não estou com ninguém. Você não vê? Está agindo como um louco. Eu disse que precisava de espaço e não estava brincando!— Micaela retrucou. Senti-me péssimo. — Eu vi que tinha um copo junto com o seu. Onde está? Você guardou, garçonete? Está ajudando essa vadia? — Renan rosnou para a bartender, que se manteve firme. — Se o senhor continuar causando tumulto, vou chamar os seguranças — a jovem respondeu, apertando um botão vermelho próximo à pia. Senti-me um covarde por estar escondido, mas não queria expor Micaela. — Estou pouco me fodendo para o tumulto. Eu quero saber quem era o homem que estava com minha mulher aqui nesse bar! — Renan gritou. Escutei as vozes de alguns homens se aproximando. Olhei pelo vão e vi que eram os seguranças do resort. — Senhor, o que está acontecendo? — um dos seguranças perguntou. — Renan, por favor, vamos conversar no meu quarto, querido,— Micaela disse. — Não é problema de vocês,— Renan disse aos seguranças. — O senhor está incomodando os demais hóspedes, então se tornou um problema nosso. Estamos com alerta para um furacão que está crescendo para nível cinco, se aproximando do resort. É melhor voltarem para seus quartos — o segurança mais alto disse. — Vamos, Micaela. Isso é problema entre marido e mulher. Não se metam — Renan disse, puxando Micaela pelo braço. Pensei em ir atrás deles, preocupado com o que ele poderia fazer, mas ela sempre dizia que sabia lidar com Renan sozinha. — Gisele, feche o bar e procure um lugar seguro. Estamos todos em alerta! Agora!— o segurança mais alto ordenou a bartender. — Claro, vou fazer isso agora,— ela disse, recolhendo a porção de camarão e o drink de Micaela. Os seguranças se afastaram, discutindo questões emergenciais pelo rádio. A bartender começou a fechar a tenda do bar rapidamente. Levantei-me para ajudá-la, acabando por nos molhar um pouco. Ela então disse: — Olha, você precisa pagar a conta que ficou em aberto. — Claro, não esqueci de propósito. Pode cobrar no débito,— respondi, pegando meu cartão. Ela tentou passar na máquina, mas estava sem sinal. — Você não tem em dinheiro? Ficou oitocentos dólares, — ela disse. — Não vi que tomamos tudo isso,— falei, pegando as notas na carteira e entregando a ela. — Somos o resort mais caro da ilha, senhor, pode escolher outro bar na próxima— ela respondeu, abrindo o caixa, separando as notas em um saco e guardando sob a blusa e no short. Muito abusada! — Está roubando? — questionei. — Não, meu chefe não vem buscar por causa do furacão. Vou entregar a ele amanhã, não sou nenhuma ladra ou idiota como você,— ela disse, fechando o caixa rapidamente. — Como assim sou idiota? — perguntei. — Acha que não sei que você e aquela mulher têm um caso? E ela é casada? — ela disse. — Isso não é da sua conta, — respondi, incomodado. — Tem razão, não é da minha conta — ela disse irritada. Então as luzes se apagaram e um trovão enorme ecoou. — Merda, vamos sair daqui,— falei, preocupado.DUDA NARRANDO:Eu estava saboreando uma deliciosa taça de sorvete de morango ao lado de Gisele e Rodrigo, aproveitando o clima descontraído da tarde. Rodriguinho, meu sobrinho, tirava um cochilo tranquilo sob a sombra de uma palmeira, com sua babá do lado, e eu podia sentir claramente o clima entre os dois à minha frente. Claro que percebi os olhares que Rodrigo lançou para Gisele, mas decidiu ignorar e deixá-los à vontade. Não queria ser uma presença intrusiva.A verdade era que minha atenção estava em outra coisa — ou melhor, em outra pessoa. Meu celular vibrava em cima da mesa, e cada nova mensagem que me chegava arrancava um sorriso. Era Renato. Eu me senti leve conversando com ele, mesmo ele estando ocupado na empresa. Quando ele disse o que eu estava fazendo, não resisti. Tirei algumas fotos de biquíni, nada muito ousado, mas o suficiente para mexer com ele, e enviei. Não demorou muito para que ele respondesse com sua provocação típica:"Você é deliciosa demais, pimentinha...
RODRIGO NARRANDO:O gosto amargo da tequila desceu queimando minha garganta. Já era quase meio-dia, e eu estava sentado no meu escritório, olhando para a garrafa meio vazia. O barulho do relógio na parede me irritava, e o peso da situação de Micaela rodava na minha cabeça, sem me deixar trabalhar. Especialmente a conversa com Gisele, de madrugada. Não conseguia tirar ela da cabeça, nem o jeito dela quando falamos sobre o que está acontecendo entre nós. Eu estava disposto a conquistá-la, mas era tanta coisa ao mesmo tempo...Apertei os olhos, sentindo a frustração latejar. Não dava para continuar assim. Chamei Virginia até minha sala e cancelei toda a minha agenda da tarde. Não ia adiantar me forçar a trabalhar, não com a cabeça cheia dessas questões. Peguei as chaves do carro e dirigi até meu apartamento.Quando entrei, o silêncio me recebeu. Micaela podia ficar ali, claro, mas a verdade é que o clima entre nós dois estava insuportável. As coisas estavam tensas, complicadas, e eu sab
RODRIGO NARRANDO:No dia seguinteO relógio não marcava nem sete horas e eu já estava no escritório, concentrado no meu computador. A transação que eu fazia era importante — milhões estavam em jogo, e um erro poderia custar muito. O telefone vibrou algumas vezes, mas ignorei. Não queria começar o dia me aborrecendo. Já sabia quem era.Enquanto digitava os números finais, o telefone interno tocou, era Virginia.— Diga— Senhor Rodrigo, a senhora Micaela está aqui — ela disse com a voz séria, mas educada.Suspirei profundamente, sentindo o nó da gravata me sufocar. "Ela não pode me dar um tempo?", pensei. Não tinha como evitar agora.— Deixe ela entrar — respondi, tentando manter a calma, mas já sentindo a irritação crescer.Poucos segundos depois, Micaela entrou. Ela estava impecável, como sempre. Um conjunto Chanel branco que realçava sua elegância, mas seu rosto traía todo o glamour. Olhos inchados e vermelhos, como se tivesse chorado a noite inteira. Eu conhecia bem aquele olhar.
GISELE NARRANDO:O vento gelado batia no meu rosto, cortando a pele e fazendo meus olhos lacrimejarem. O carro conversível de Rodrigo acelerava pela estrada quase deserta, e eu me encolhia no banco, cruzando os braços para tentar me aquecer. A blusa de manga longa que eu vestia era fina demais para enfrentar o frio da madrugada. Eu sabia que deveria ter pego algo mais quente antes de aceitar a carona, mas, sinceramente, não estava pensando muito quando Rodrigo ofereceu.A conversa no início foi tranquila. Falamos sobre a Mieko, a nova babá do Rodriguinho, que dona Madah havia contratado. Eu havia conversado um pouco com ela mais cedo, e a impressão era boa. Ela parecia ser mesmo uma excelente escolha: atenciosa, cuidadosa, e claramente tinha experiência com crianças. Rodrigo comentou que foi uma indicação de uma prima, que era bem exigente.— Deve ser uma boa pessoa mesmo. Eu me sinto mais tranquila em saber que o Rodriguinho está sendo bem cuidado — eu disse, tentando distrair minha
GISELE NARRANDO:Meu turno estava finalmente chegando ao fim, e não vou mentir, eu já estava no meu limite. O bar tinha ficado cheio até quase três da manhã, um verdadeiro caos. Agora, só restavam alguns copos para lavar. Foi então que eu o vi. Rodrigo entrou com sua habitual elegância, mas dessa vez, algo parecia diferente. Ele usava uma camisa preta com os primeiros botões abertos, calça social e sapatos impecáveis, como se tivesse vindo direto de alguma reunião de negócios.Ele caminhou até o balcão, sentou-se bem à minha frente e me encarou com aquele olhar indecifrável.— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, sem esconder a surpresa.Rodrigo não era de aparecer assim, ainda mais a essa hora.— Aqui é um bar, não é? Vim beber. E boa noite pra você também — ele respondeu, claramente sóbrio, mas com um tom que eu não soube identificar de imediato.— Sim, é um bar que você não costuma frequentar — respondi, tentando manter a conversa leve. — Mas o que vai querer?Sequei as mãos e
RENAN NARRANDO:Meu detetive me informou sobre seus estudos em Los Angeles, algumas das suas conexões, de como ela se divertia com homens e mulheres. Eu sabia muito mais do que ela imaginava.— Tudo, mas principalmente a natureza. Já trabalhei na produção de alguns filmes, fiz muitos contatos morando em Los Angeles... ainda estou decidindo, mas quero ter meu próprio estúdio e produtora.Ela falava com uma paixão que era impossível ignorar. O brilho nos olhos, o brilho... aquilo, de certa forma, a tornava mais atraente. Eu reconheci aquela paixão pelo trabalho. Eu mesmo já havia sido assim um dia, antes daquela traição maldita.— É um grande projeto... Como você pretende bancar tudo isso? Abrir uma produtora deve ser caro. — Minhas palavras saíram cuidadosas, mas havia mais interesse por trás da pergunta. Eu queria saber até onde ela estava disposta a ir para alcançar seus sonhos, e saber mais sobre sua família.Ela riu suavemente, deslizando-se até o meu colo, quebrando qualquer dist







