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CAPÍTULO 6

Autor: Mia Bianchi
last update Última actualización: 2026-01-14 01:13:33

GISELE NARRANDO:

A noite com o estranho que conheci no resort foi incrível, embora uma completa loucura em meio ao caos do furacão. Nunca imaginei que entregaria minha virgindade a um desconhecido, especialmente depois de vê-lo envolvido com uma mulher casada no bar. Mas, quando ficamos sozinhos no bunker, escondendo-nos da tempestade, a tensão entre nós era palpável.

Rodrigo era lindo, cheiroso, com uma barba perfeitamente desenhada, olhos castanhos profundos e um corpo muito definido.

Seus beijos, toques e cada sensação estão cravados na minha pele, uma memória que guardarei para sempre.

Quando os seguranças nos encontraram, fiquei muito envergonhada por ter adormecido ao lado dele. Os seguranças me conheciam de vista, o que tornou a situação ainda mais embaraçosa. Assim que saímos, queria ir para casa o mais rápido possível.

Rodrigo me chamou para tomar café da manhã, mas sabia que ficar perto dele era problema, então recusei e corri para ir embora.

As ruas estavam destruídas, com árvores caídas, e os sinais do furacão eram evidentes por toda parte. Não encontrei minha bicicleta; podia ter sido roubada, destruída ou levada pelo vento. Então, caminhei até o bairro simples afastado do resort, onde a maioria dos funcionários morava.

Todos estavam olhando os destroços de suas casas e verificando os danos, procurando feridos.

Infelizmente, nossa área é sempre afetada por furacões, mas fazia tempo que não tínhamos um tão forte. Quando cheguei em minha pequena casa, que herdei após a morte de meus pais em um acidente de barco há três anos, vi que estava intacta, graças aos muros altos que meu pai construiu para protegê-la. Meu pai era pescador, e minha mãe trabalhava como camareira no resort, o que me levou a trabalhar lá também.

Antes de sair, ontem de manhã, cobri as janelas com madeira, guardei meus documentos e o dinheiro em uma caixa enterrada no quintal. A casa estava sem energia, mas a parte interna não foi afetada, graças a minha virgenzinha Guadalupe.

Escondi o dinheiro do bar na noite anterior, sabendo que teria que devolvê-lo ao meu patrão quando voltasse a trabalhar. E então comecei a arrumar o pequeno quintal, que estava todo revirado.

Desde que terminei com Breno, o único namorado que tive, meu relacionamento com os vizinhos nunca mais foi o mesmo. Ele morava na casa ao lado e, apesar de todos acharem que éramos um casal perfeito, sua mãe nunca gostou de mim. Quando ele me traiu e se mudou para a capital, tudo piorou. Agora, ele trabalha em uma grande empresa financeira e parece estar levando uma vida que eu nunca fiz parte. Eu, por outro lado, fiquei aqui, tentando reconstruir o que sobrou.

Minha madrinha Rosário foi a única pessoa que sempre esteve ao meu lado. Ela me acolheu depois da morte dos meus pais, cuidou de mim como uma mãe. Quando ela faleceu no ano passado, deixou sua casa como herança para mim. Eu a aluguei porque vender um imóvel por aqui é quase impossível, mas o aluguel pelo menos me ajuda um pouco. No entanto, com a partida dela, sinto um vazio enorme.

Agora me sinto completamente sozinha.

Enquanto arrumava o quintal hoje de manhã, meus pensamentos estavam longe, voltando para a confusão que a minha vida parece ser.

A frase “só se vive uma vez” nunca pareceu tão verdadeira, penso na noite passada e no quanto fui impulsiva. Aquele homem, bonito e charmoso, parecia ter tudo. Seu relógio caro, as roupas de marca, o jeito seguro de andar, e a carteira cheia de dinheiro. Ele parecia ser o tipo de homem com quem eu jamais me envolveria. Mas, depois de algumas doses de tequila para me animar no trabalho, eu me joguei de cabeça.

Olhando agora, me sinto uma tola por ter me entregado aquele canalha, que eu sabia estar com outra no bar. A bebida me deu coragem, mas também me levou a fazer escolhas erradas.

Tenho apenas dezenove anos, mas a responsabilidade sempre fez parte da minha vida.

Meus pais eram trabalhadores exemplares, acordavam cedo todos os dias, e me ensinaram a importância do esforço. Enquanto eles trabalhavam, eu estudava e cuidava da casa.

Depois que eles se foram, encontrei no trabalho uma forma de me ocupar, de continuar a vida. O resort de luxo onde trabalho é frequentado por milionários, mas, ironicamente, fica no meio de uma vila pobre onde cresci. É estranho ver tanto luxo de um lado e tanta simplicidade do outro.

O trabalho é cansativo, mas eu não conheço outra realidade. Nasci e cresci aqui, e, embora sonhe em viver em um lugar melhor, a ideia de me mudar para a capital me assusta. Vejo as novelas e os vídeos sobre a vida na cidade grande, às vezes tudo parece um mundo tão distante. Mesmo assim, tenho guardado o máximo de dinheiro possível, dobrando meus turnos no resort.

Quem sabe um dia eu tenha coragem de sair daqui, fazer uma faculdade e buscar uma vida melhor. Mas, por enquanto, sigo em frente, um dia de cada vez.

Dois meses se passaram desde o furacão, e Cancun ainda está voltando ao normal. Continuo trabalhando no bar da piscina do resort, fazendo meus turnos dobrados, lucrando ao máximo que consigo. Tudo parecia normal, exceto que comecei a me sentir mal de manhã.

Estava mais cansada, sem apetite, irritada, meu corpo doía e parecia que eu estava doente.

Fui até a farmácia para comprar um remédio, e a senhora farmacêutica que me atendeu começou a fazer perguntas sobre os sintomas que descrevi.

Ela então perguntou:

— Seu ciclo menstrual está atrasado?

Eu me lembrei que não menstruava há um mês e, com a correria do trabalho, não percebi isso. Fiquei um pouco surpresa ao pensar melhor.

— Sim, está atrasado — respondi.

A senhora me entregou um teste de gravidez de palito, explicando como deveria fazer. Fui até o banheiro para realizar o teste, sentindo um enorme frio na barriga. Aquilo não podia estar acontecendo.

Esperei alguns minutos e, então, o resultado no palito apareceu: duas linhas.

Grávida.

Eu não acreditava.

Fiz outros dois testes, e todos deram positivo. Era real.

Só conseguia pensar em uma pessoa: Rodrigo. A noite do furacão, o bunker... Engravidei de um estranho cujo sobrenome não sabia e muito menos como encontrá-lo.

Voltei para casa em estado de choque, tentando processar tudo. Minhas mãos tremiam enquanto trancava a porta atrás de mim. O silêncio do meu pequeno lar, que normalmente era reconfortante, agora parecia sufocante. Como fui tão imprudente? O medo começou a se transformar em uma enxurrada de pensamentos: Rodrigo, o bebê, meu futuro.

Sentei-me no sofá, com a cabeça entre as mãos.

Rodrigo... aquela noite foi mágica, mas também uma completa loucura. Como vou criar uma criança sozinha? E o trabalho no resort? Todas essas perguntas giravam na minha cabeça sem parar. No fundo, sabia que precisava encontrar Rodrigo, mas por onde começar? Meu coração estava apertado, mas uma coisa era certa: eu precisava ser forte, como meus pais me ensinaram.

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