FAZER LOGINRODRIGO NARRANDO:
Quando os seguranças do hotel nos encontraram no bunker oito horas depois, Gisele e eu havíamos pegado no sono. Despertamos um pouco surpresos, e Gisele parecia envergonhada. Ela se levantou rapidamente, ajeitando sua roupa e os cabelos. Eu também ajeitei minha camisa, felizmente estávamos vestidos e não desprevenidos como horas atrás. Os seguranças perguntaram se estávamos bem, e confirmamos que sim. Ao sairmos do bunker, o céu estava nublado e a chuva forte já havia passado. Os seguranças se dirigiram aos outros bunkers, e a área externa do resort estava um pouco destruída, com árvores caídas, muita sujeira, a piscina transbordando e bastante suja. Uma equipe já estava se movimentando para a limpeza. Gisele começou a andar na direção contrária e eu fui atrás dela. — Espera, não quer tomar café da manhã comigo? — perguntei. — Eu acho melhor não, mas obrigada — ela respondeu, piscando para mim e continuando a andar. Eu pensei que Gisele ficaria por perto, que pediria meu telefone ou algo do tipo, mas ela simplesmente continuou andando sem olhar para trás. Fui até minha suíte. O resort estava com seu gerador de energia ligado, então tomei um banho rápido. Assim que saí, recebi uma ligação de minha sócia e prima, Vitória. Ela estava cuidando de tudo na empresa e precisava de mim com urgência. — Rodrigo, você não deveria ter ido viajar no meio da semana! Precisamos de você aqui, agora! — disse Vitória, com sua voz carregada de frustração. — Vitória, eu precisava de um tempo. Só alguns dias. Não é o fim do mundo. — respondi, tentando manter a calma. — Não é só sobre você, Rodrigo. Temos uma reunião importante com os investidores chineses amanhã. Você acha que pode simplesmente desaparecer e tudo vai se resolver sozinho? — ela rebateu, sem esconder a irritação. — Eu sei, eu sei. Mas eu não tinha ideia de que um furacão iria atrasar os meus planos, eu não sei se consigo voltar hoje — justifiquei, embora soubesse que ela tinha razão. — Com furacão ou não, você deveria ter se organizado melhor. Agora, pegue um helicóptero da guarda costeira ou dos bombeiros e volte para a capital urgente! — Vitória ordenou. Bufei com irritação e desliguei o telefone. A verdade é que, ocupado com Gisele no bunker, eu havia esquecido de Micaela. Não sabia se ela ainda estava no resort ou se já tinha ido embora. Enquanto trocava de roupa, recebi um email de Micaela. Ao conferir, ela dizia apenas que tinha ido embora com Renan e que falaria comigo depois. Fiquei frustrado, meus planos de passar alguns dias com Micaela deram errado. Arrumei todas as minhas coisas e falei com meu piloto para preparar o jato particular. Paguei minha conta no resort e fui até o hangar particular, onde decolamos assim que conferimos que o tempo havia melhorado um pouco. Durante a viagem, tomei uma taça de champanhe e pensei na noite quente que tive com Gisele. Sorri ao lembrar que ela era virgem, poucas vezes fiquei com uma virgem, preferia sempre mulheres experientes que sabiam o que estavam fazendo, mas ela cedeu tão fácil, que se eu não tivesse visto o sangue em meu cacete, ia duvidar, não sei porque mas tive a sensação de que veria ela de novo, e estava ansioso para isso!DUDA NARRANDO:Eu estava saboreando uma deliciosa taça de sorvete de morango ao lado de Gisele e Rodrigo, aproveitando o clima descontraído da tarde. Rodriguinho, meu sobrinho, tirava um cochilo tranquilo sob a sombra de uma palmeira, com sua babá do lado, e eu podia sentir claramente o clima entre os dois à minha frente. Claro que percebi os olhares que Rodrigo lançou para Gisele, mas decidiu ignorar e deixá-los à vontade. Não queria ser uma presença intrusiva.A verdade era que minha atenção estava em outra coisa — ou melhor, em outra pessoa. Meu celular vibrava em cima da mesa, e cada nova mensagem que me chegava arrancava um sorriso. Era Renato. Eu me senti leve conversando com ele, mesmo ele estando ocupado na empresa. Quando ele disse o que eu estava fazendo, não resisti. Tirei algumas fotos de biquíni, nada muito ousado, mas o suficiente para mexer com ele, e enviei. Não demorou muito para que ele respondesse com sua provocação típica:"Você é deliciosa demais, pimentinha...
RODRIGO NARRANDO:O gosto amargo da tequila desceu queimando minha garganta. Já era quase meio-dia, e eu estava sentado no meu escritório, olhando para a garrafa meio vazia. O barulho do relógio na parede me irritava, e o peso da situação de Micaela rodava na minha cabeça, sem me deixar trabalhar. Especialmente a conversa com Gisele, de madrugada. Não conseguia tirar ela da cabeça, nem o jeito dela quando falamos sobre o que está acontecendo entre nós. Eu estava disposto a conquistá-la, mas era tanta coisa ao mesmo tempo...Apertei os olhos, sentindo a frustração latejar. Não dava para continuar assim. Chamei Virginia até minha sala e cancelei toda a minha agenda da tarde. Não ia adiantar me forçar a trabalhar, não com a cabeça cheia dessas questões. Peguei as chaves do carro e dirigi até meu apartamento.Quando entrei, o silêncio me recebeu. Micaela podia ficar ali, claro, mas a verdade é que o clima entre nós dois estava insuportável. As coisas estavam tensas, complicadas, e eu sab
RODRIGO NARRANDO:No dia seguinteO relógio não marcava nem sete horas e eu já estava no escritório, concentrado no meu computador. A transação que eu fazia era importante — milhões estavam em jogo, e um erro poderia custar muito. O telefone vibrou algumas vezes, mas ignorei. Não queria começar o dia me aborrecendo. Já sabia quem era.Enquanto digitava os números finais, o telefone interno tocou, era Virginia.— Diga— Senhor Rodrigo, a senhora Micaela está aqui — ela disse com a voz séria, mas educada.Suspirei profundamente, sentindo o nó da gravata me sufocar. "Ela não pode me dar um tempo?", pensei. Não tinha como evitar agora.— Deixe ela entrar — respondi, tentando manter a calma, mas já sentindo a irritação crescer.Poucos segundos depois, Micaela entrou. Ela estava impecável, como sempre. Um conjunto Chanel branco que realçava sua elegância, mas seu rosto traía todo o glamour. Olhos inchados e vermelhos, como se tivesse chorado a noite inteira. Eu conhecia bem aquele olhar.
GISELE NARRANDO:O vento gelado batia no meu rosto, cortando a pele e fazendo meus olhos lacrimejarem. O carro conversível de Rodrigo acelerava pela estrada quase deserta, e eu me encolhia no banco, cruzando os braços para tentar me aquecer. A blusa de manga longa que eu vestia era fina demais para enfrentar o frio da madrugada. Eu sabia que deveria ter pego algo mais quente antes de aceitar a carona, mas, sinceramente, não estava pensando muito quando Rodrigo ofereceu.A conversa no início foi tranquila. Falamos sobre a Mieko, a nova babá do Rodriguinho, que dona Madah havia contratado. Eu havia conversado um pouco com ela mais cedo, e a impressão era boa. Ela parecia ser mesmo uma excelente escolha: atenciosa, cuidadosa, e claramente tinha experiência com crianças. Rodrigo comentou que foi uma indicação de uma prima, que era bem exigente.— Deve ser uma boa pessoa mesmo. Eu me sinto mais tranquila em saber que o Rodriguinho está sendo bem cuidado — eu disse, tentando distrair minha
GISELE NARRANDO:Meu turno estava finalmente chegando ao fim, e não vou mentir, eu já estava no meu limite. O bar tinha ficado cheio até quase três da manhã, um verdadeiro caos. Agora, só restavam alguns copos para lavar. Foi então que eu o vi. Rodrigo entrou com sua habitual elegância, mas dessa vez, algo parecia diferente. Ele usava uma camisa preta com os primeiros botões abertos, calça social e sapatos impecáveis, como se tivesse vindo direto de alguma reunião de negócios.Ele caminhou até o balcão, sentou-se bem à minha frente e me encarou com aquele olhar indecifrável.— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, sem esconder a surpresa.Rodrigo não era de aparecer assim, ainda mais a essa hora.— Aqui é um bar, não é? Vim beber. E boa noite pra você também — ele respondeu, claramente sóbrio, mas com um tom que eu não soube identificar de imediato.— Sim, é um bar que você não costuma frequentar — respondi, tentando manter a conversa leve. — Mas o que vai querer?Sequei as mãos e
RENAN NARRANDO:Meu detetive me informou sobre seus estudos em Los Angeles, algumas das suas conexões, de como ela se divertia com homens e mulheres. Eu sabia muito mais do que ela imaginava.— Tudo, mas principalmente a natureza. Já trabalhei na produção de alguns filmes, fiz muitos contatos morando em Los Angeles... ainda estou decidindo, mas quero ter meu próprio estúdio e produtora.Ela falava com uma paixão que era impossível ignorar. O brilho nos olhos, o brilho... aquilo, de certa forma, a tornava mais atraente. Eu reconheci aquela paixão pelo trabalho. Eu mesmo já havia sido assim um dia, antes daquela traição maldita.— É um grande projeto... Como você pretende bancar tudo isso? Abrir uma produtora deve ser caro. — Minhas palavras saíram cuidadosas, mas havia mais interesse por trás da pergunta. Eu queria saber até onde ela estava disposta a ir para alcançar seus sonhos, e saber mais sobre sua família.Ela riu suavemente, deslizando-se até o meu colo, quebrando qualquer dist







