Compartir

capitulo 8

Autor: Danny Veloso
last update Fecha de publicación: 2026-03-16 19:07:56

— Tudo bem, eu vou ser sua noiva — digo de uma vez, e ele arregala os olhos, nitidamente surpreso. Merda… tenho certeza absoluta de que essa vai ser a maior burrada da minha vida. — Mas eu tenho condições — acrescento rápido, antes que ele ache que vai controlar todas as peças desse jogo.

Ele se inclina um pouco para frente, atento.

— Me parece justo. Vá em frente, garota. — Seus olhos fixam nos meus. — Mas saiba que, se começar com alguma das suas loucuras, está descartado. Então pense muito bem no que vai exigir.

Levanto um dedo.

— Primeiro: pare de me chamar de “garota”. Isso me faz parecer uma criança e, se eu fosse uma, obviamente não poderia ser sua noiva.

Ergo um segundo dedo.

— Segundo: minha mãe não pode nem desconfiar que nosso relacionamento é de mentira. E também não pode achar que pulamos etapas. Para ela, você ainda será meu namorado. Depois de um tempo, inventamos que nosso amor ficou grande demais, que não aguentamos mais viver longe um do outro. — Estendo um terceiro dedo.

— Terceiro: nada de beijos ou carinhos melosos fora das situações obrigatórias. Eu não sou idiota, sei que seremos forçados a certas demonstrações públicas de… amor. Mas peço que não se aproveite da minha boa vontade. Não faço questão nenhuma de sentir sua boca na minha. — Levanto o anelar.

— Quarto: não quero dinheiro. Isso me transformaria em uma puta de luxo, além de eu não saber como diabos explicaria para a minha mãe de onde veio. O que eu quero é um emprego decente, seguro, onde eu possa trabalhar e ganhar meu próprio sustento. — Por fim, levanto o polegar. — Quinto: eu não sei nada sobre etiqueta, boas maneiras ou esse mundo elegante que você vive, mas vou aprender para não passar vergonha. Ainda assim, não ache que vai mandar em mim. Eu não sou sua propriedade. Vou continuar fazendo as coisas que sempre fiz, mantendo meus gostos, meu jeito, e não entre nisso achando que vai revolucionar minha vida.

Levanto a outra mão inteira, deixando claro o mais importante:

— E nunca, nunca faremos sexo. Eu não tenho a menor vontade de rolar em feno com você.

Ele respira fundo, sem desviar o olhar.

— Terminou? — pergunta, com a voz grave e o maxilar tensionado.

Apenas aceno. Sim, terminei.

— Posso aceitar suas condições. E, para nossa segurança, mandarei Victor redigir um acordo para assinarmos. — Ele passa a língua pelo lábio inferior. — Estou confiando em você, então não ouse espalhar uma palavra sobre isso. Para todos os efeitos, para a sociedade inteira, somos um casal de verdade.

Ele aponta o indicador na minha direção.

— Portanto, quero que venha morar no meu apartamento o quanto antes.

— Por quê? — pergunto, sentindo o medo embrulhar meu estômago.

— Porque precisamos passar um tempo juntos. Temos que aprender a conviver minimamente bem, pelo menos na frente dos outros. E o casamento vai acontecer em menos de um mês. Adiar essa convivência não vai nos ajudar em nada.

Quase engasgo com o fio de vinho que ainda estava na minha boca.

— Por que o casamento precisa ser tão rápido? — pergunto, espantada, engolindo em seco. — Minha mãe nunca vai acreditar que casei tão depressa. O sensato seria esperar uns três meses, no mínimo.

— Porque eu já perdi tempo demais. — Ele apoia as mãos na cintura, irritado. — Meu pai anda no meu encalço. E, depois da situação ridícula e injusta que você me deixou na segunda passada, tenho fugido dele nos últimos dias. — Ele vira de costas por um segundo, mas logo se volta novamente, me encarando com firmeza. — Então, quando eu finalmente aparecer, se estiver com uma noiva, isso vai me render pontos extras aos olhos dele.

Franzo o cenho.

— O que o seu pai tem a ver com esse contrato?

— Papai acha que eu preciso limpar minha imagem e minha reputação. E, segundo as ideias antiquadas dele, só consigo fazer isso se tiver uma noiva… e, consequentemente, me tornar um “homem de família”. — Ele faz aspas no ar. — Então ele basicamente me deu uma sentença. E aqui estamos nós, negociando esse acordo.

Cruzo os braços, deixando o sarcasmo escorrer sem esforço.

— Muito maduro e adulto da sua parte.

— Eu tenho os meus motivos — ele rosna, com aquela voz baixa que parece vibrar no ar. — Assim como imagino que você também tem os seus para aceitar a minha proposta.

Apenas balanço a cabeça. Ele está certo, e nós dois sabemos disso.

— Quando se tornar minha esposa, vai precisar de roupas apropriadas. — Seus olhos deslizam pela minha blusa simples, avaliando cada detalhe. — Vou te acompanhar até as melhores lojas de Nova York e garantir que você gaste o suficiente para parecer elegante quando precisar ser anfitriã dos meus jantares… ou quando formos convidados para algum compromisso social.

Escuto tudo isso enquanto continuo bebendo meu vinho, tentando disfarçar o quanto ele é absurdamente gostoso. Eu não sabia que vinho podia ser tão bom assim.

— Acho que posso suportar isso — murmuro, e ele sorri com aquele ar arrogante de quem acredita ter vencido.

— Tenho certeza de que fará o seu melhor. — Ele então fixa seus olhos castanhos nos meus, com uma seriedade que me deixa tensa. — Agora vamos à regra mais importante.

— Qual? — pergunto, sem imaginar o que mais ele poderia acrescentar.

— Isso é só um contrato, nada além disso. Então… não se apaixone por mim, garota.

A campainha toca alto, cortando minha resposta pela metade, e Mateus se levanta como se tivesse levado um choque, indo até a porta.

Idiota. Como se eu tivesse alguma queda por cavalos. Quando ele voltar, vou fazer esse cavaleiro arrogante engolir cada um dos relinchos que ele acabou de soltar.

— Acho que nosso acordo começa agora — ele anuncia, e um arrepio percorre minha espinha. — Meu pai está lá fora, mas ele não pode te ver assim. — Ele aponta para uma porta lateral. — Ali tem um banheiro. Vá até lá e tente deixar suas roupas com uma aparência mais… apresentável. Se quiser, pode usar algumas peças minhas.

Me levanto desejando, do fundo da alma, que teletransporte fosse uma habilidade real. Queria desaparecer dali e esquecer completamente que aceitei entrar nessa enrascada colossal. Mas acabo caminhando para onde ele indicou.

Antes de entrar, ouço a voz grossa de David ecoar pelo corredor:

— Ah, Isabella… nada de loucuras diante dele. Aja como uma mulher simpática e, principalmente, como se me amasse.

Reviro os olhos e entro no banheiro de uma vez.

Que Deus me salve — e me dê paciência — porque eu não faço ideia do que vai acontecer nesse maldito noivado falso.

E, pior ainda… agora não tem mais volta.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   154

    Alguns meses se passaram, e eu mergulhei no trabalho. Já não sei mais como confiar em alguém. Fiz questão de não saber nenhuma notícia sobre Lucy ou Lucas. Não sei se os dois ficaram juntos. Não sei se sobreviveram ao que aconteceu. Não sei se o perigo do qual aquele árabe falou ainda existe ou se desapareceu junto com eles. A única informação que continuei perseguindo dizia respeito ao suposto irmão de Lucas. Meu pai... aparentemente, tinha outro filho. Não sabíamos se era mais velho ou mais novo. Na verdade, não sabíamos absolutamente nada. Coloquei minhas melhores equipes para investigar, mas, até agora, não havia respostas. Quanto a mim... nada mais aconteceu. Nenhum atentado. Nenhuma ameaça. Nenhum sinal de que alguém ainda estivesse me caçando. Talvez eu nunca tenha sido o verdadeiro alvo. Talvez tenham tentado me atingir apenas porque acreditavam que eu era importante para Lucas ou porque imaginavam que eu sabia alguma coisa sobre esse homem desconhecido. Mesmo assim, nã

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   153

    Voltar para casa depois de tudo o que aconteceu foi mais difícil do que eu imaginava.Passei o caminho inteiro revivendo cada detalhe.Cada conversa.Cada olhar.Cada escolha.Eu não era o tipo de homem que corria atrás de uma mulher.Nunca fui.Passei a vida inteira acreditando que sentimentos eram uma fraqueza, algo que tirava o foco do que realmente importava.Mas eu corri atrás de Lucy.Corri mais do que jamais correria por qualquer outra pessoa.E aqui estou eu.Destruído.Eu sempre tive orgulho de ser alguém controlado. Alguém que mantinha a razão acima de tudo.Agora parecia uma piada.Porque bastou uma mulher para derrubar todas as minhas defesas.Mas Lucy não era qualquer mulher.No começo, eu acreditava que estava apenas cumprindo uma responsabilidade.Ela estava em perigo.Estava ao meu lado.E eu me sentia culpado por isso.Era minha obrigação protegê-la.Pelo menos foi assim que tudo começou.Mas as coisas mudaram.Lentamente.Sem que eu percebesse.Aquilo deixou de ser r

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   152

    Eu poderia dizer que sou forte. Poderia fingir que nada me abala, que qualquer golpe da vida é apenas mais um obstáculo que eu atravesso sem olhar para trás. Mas isso... isso foi demais.Meu irmão não é um santo. Na verdade, nem sei por que ainda o chamo de irmão quando ele parece fazer de tudo para destruir o que é meu. Ainda assim, existe algo que me prende a ele. Talvez seja apenas a memória dos garotos que fomos um dia. Talvez seja o sangue.Mas, no fundo, ele não é meu irmão.Meus irmãos estão em Nova York. Minha família está em Nova York. Minha vida está em Nova York.E eu estou aqui.Preso neste lugar, lutando contra uma maré que nunca para de me arrastar para o fundo.Depois do que descobri, nada mais fazia sentido.O pior é que eu sabia. Em algum lugar dentro de mim, eu sempre soube que isso poderia acontecer. Mesmo assim, fui idiota. Cometi erro atrás de erro. Não sou santo também. Deveria ter sido mais cuidadoso. Mais desconfiado. Deveria ter me protegido.Mas não protegi.

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   151

    Algo no olhar preocupado de Amyrah me deu a resposta antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.Ela nunca havia carregado um peso como aquele.Nunca precisara conviver com uma culpa capaz de consumir cada pensamento.Ainda segurando minha mão, ela se moveu para se ajoelhar diante de mim.— Você quer que eu chame um deles? — perguntou suavemente.Soltei uma risada curta e amarga.— Meus homens?A expressão séria dela vacilou.— Não. Não é isso.A mentira saiu fácil demais.— Eu estou bem.Não estava.Mas ela pareceu aceitar.Ou talvez apenas não soubesse como insistir.Seu olhar permaneceu sobre mim por alguns segundos antes que ela perguntasse:— Você matou alguém?Virei a cabeça tão rápido que quase senti o pescoço estalar.— O quê? Não!O alívio que atravessou seu rosto foi imediato.— Então pode ser consertado.Fechei os olhos.Ah, Amyrah...Se fosse tão simples.Porque talvez eu não tivesse matado uma pessoa.Mas tinha destruído algo.Algo precioso.Algo que Thomas jamais me per

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   150

    Nem Thomas nem Lucas disseram uma palavra por vários segundos.O silêncio se prolongou até se tornar desconfortável.Foi mais do que eu consegui suportar.— Tem mais um?As três cabeças se viraram para mim.Dei de ombros.— Dois Hamilton já são mais do que suficientes para o mundo lidar.Pela primeira vez desde que a conversa começara, Lucas soltou uma risada.Thomas, porém, continuou sério.Pegou a fotografia das mãos do irmão e voltou a estudá-la.— Ao longo dos anos, várias pessoas apareceram alegando ser filhos de Rufus. — Sua voz era cautelosa. — Como sabemos que esse homem é quem diz ser? E como sabemos que suas informações estão corretas?Rashid apenas deu de ombros.— Se ele é realmente parente de vocês, não me interessa. O importante é que ele acredita que é.Thomas franziu a testa.— E como descobriu isso?Antes que Rashid respondesse, Lucas interrompeu.— Não pergunte.Ele continuava olhando para a fotografia.— Você sabe que ele vai responder alguma coisa misteriosa sobre

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   149

    Pela primeira vez em muitos dias, adormeci sem lutar contra meus pensamentos.O cansaço acabou vencendo.Quando acordei, estava sozinha.A luz do sol atravessava as frestas da tenda, desenhando linhas douradas sobre os tapetes e tecidos espalhados pelo chão. Minhas roupas estavam jogadas próximas à cama improvisada, silenciosas testemunhas da noite anterior.Não havia sinal de Thomas.Ainda assim, sua presença permanecia.Eu sentia seu perfume na minha pele.Sentia o calor dele gravado na memória do meu corpo.Por um momento, fiquei sentada na cama, tentando organizar meus pensamentos. Então afastei as lembranças e me vesti rapidamente.Ao empurrar a aba da entrada, fui recebida por uma explosão de luz.Meus olhos demoraram alguns segundos para se acostumarem.Lá fora, o acampamento já estava desperto. Pessoas caminhavam entre as tendas, vozes ecoavam ao longe e o sol do deserto brilhava implacável sobre a areia dourada.— Não se preocupe. Ninguém o viu saindo da sua tenda.Dei um pul

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status