Compartir

capitulo 9

Autor: Danny Veloso
last update Fecha de publicación: 2026-03-16 19:08:25

David

Vejo a garota entrar no banheiro e solto o ar devagar, finalmente sentindo algum alívio. Contra todas as probabilidades, eu tinha conseguido uma noiva — insuportável, de língua solta, um furacão ambulante… mas ainda assim, uma noiva.

Porra.

Até agora eu não fazia a menor ideia de onde estava com a cabeça quando deixei o Victor me convencer de que ela era a minha única opção. Ele insistiu que Isabella era perfeita porque preenchia o requisito número um imposto pelo meu pai: era virgem, segundo o médico. Uma virgem singela e sem passado — algo que eu poderia confirmar depois com um exame e algumas investigações.

Ele também disse que seria a maneira perfeita de mostrar ao ditador Novack que eu finalmente estava me tornando um homem melhor, alguém que não se deixava seduzir por peitos, bundas e corpos espetaculares. Talvez o jeitinho simples de Isabella deixasse claro que eu tinha mudado e agora preferia mulheres que não fossem tão vulgares e fúteis quanto as que eu costumava levar para cama — especialmente as mais recentes.

Nesse ponto, eu até concordava. Nunca gostei de sair com nenhuma louca. Mas tive que engolir minha frustração em relação ao resto. Isabella parecia mesmo ser modesta e pura. Uma garota longe de ter qualquer um dos atrativos que chamariam minha atenção.

Seu rosto era pálido demais, com olheiras profundas, como se ela nunca soubesse o que era dormir — talvez um pouco de maquiagem resolvesse isso. Os cabelos longos e volumosos pediam urgentemente para serem cortados e cuidados por um especialista. Seu corpo magro demais poderia, no mínimo, ser favorecido por uma personal stylist, que certamente adoraria tê-la como cliente, já que ela tinha o biotipo ideal para qualquer roupa.

Mas dizer que Isabella era o meu tipo? Nunca. Eu sempre preferi mulheres com curvas, muitas curvas. A única coisa nela que realmente se destacava — algo tão extraordinário que quase parecia injusto — eram seus olhos. Verdes, enormes, cintilantes… e, de algum modo irritante, eles pareciam me manter preso.

Bufo, contrariado. Agora, o que eu prefiro não importa. O que eu preciso, sim. E é aí que dói admitir: eu preciso de Isabella. Sua aparência não tem relevância alguma. Afinal, nosso envolvimento seria completamente falso.

Soltando um gemido, passo a mão pelos cabelos — que sempre sofrem com meus acessos de raiva — e me preparo para enfrentar o poderoso Harvey Novack.

Meu pai.

Eu não queria estar tratando-o assim, como um inimigo. Ele sempre foi amoroso, nunca apresentou o homem duro que se tornou hoje. Mas agora, o senhor Harvey me colocava contra a parede, e eu sabia que parte da culpa era minha.

Respiro fundo mais uma vez e espio pelo olho mágico. Ele está com seu habitual terno escuro, gravata azul, cabelos impecavelmente penteados. Postura imponente, intimidadora.

Porra. O ditador na minha porta e a louca detonando meu banheiro. Que noite maravilhosa.

— Que visita ilustre! — digo, abrindo a porta com esforço para manter o sorriso. — Que honra ter o senhor em minha humilde casa, senhor Harvey Novack.

Meu tom festivo não causa uma única rachadura na expressão rígida dele. No mesmo instante, sei exatamente por que veio. E quando achei que o meu dia não poderia piorar, percebo que acabei de alcançar o topo da frustração. Agora, eu já duvidava seriamente se chegaria vivo ao final desta noite.

Nunca tive uma sexta tão penosa. Logo cedo enfrentei uma reunião gigantesca com investidores e, depois de muito quebrar a cabeça, consegui fechar o negócio. Assim que voltei, dei de cara com o Eduardo sentado na minha cadeira — trocamos ofensas, fiz questão de expulsá-lo dali. Depois veio o Victor, enchendo meu saco com aquele discurso de que eu tinha que ir atrás da garota louca porque ela era a minha única saída. E, quando achei que finalmente teria uma noite tranquila para desestressar…

Esbarrei com Isabella.

— David. — A voz grossa e carregada de animosidade me arranca dos pensamentos. — Pela sua expressão, diria que não gostou da minha visita.

— Longe disso, papai. — Estendo a mão, e ele a aperta com força. — Fico muito feliz que esteja aqui. Entre. Quer uma taça de vinhos? Em que posso ajudar?

Vou até a bancada e me sento, respirando fundo antes de encará-lo. Seus olhos azuis continuam fixos em mim, fervendo. Ele ajeita os ombros para trás — gesto que eu conheço bem. Ele vai começar a discutir.

Merda.

— Isso eu pergunto a você — ele dispara, rude. Com passos medidos, vem até mim e se senta ao meu lado. — Em qual idioma devo tentar conversar com você desta vez? Não é possível que, depois do nosso último encontro, nada tenha mudado. Você passou a semana inteira fugindo de mim. Que tipo de homem faz isso? Além de querer destruir a própria família, é covarde?

Fecho os punhos. As palavras queimam, inflamam o sangue, corroem minha paciência.

— Quando vai se tornar um homem digno da confiança que coloquei em você? — A dureza em sua voz me faz engolir seco. — David, eu não o criei para ser uma vergonha. Toda a educação e bons modos que eu e sua mãe lhe demos parecem ter sido inúteis, porque você faz questão de ignorá-los. Dei-lhe duas alternativas, tempo suficiente para mudar, para criar uma reputação decente… diferente dessa figura imoral de quem a imprensa tem feito bom uso.

— Papai… — tento falar.

— Não. — Ele ergue a mão. — Não ouse vir com mais uma de suas desculpas esfarrapadas. Se pelo menos deixasse de causar escândalos todas as noites… mas não. Você não consegue. Faz questão de expor sua devassidão, e agora não é só a sua imagem que está indo para o buraco — é o prestígio da empresa. De nada adianta fechar negócios milionários quando a sua vida pessoal está sempre no centro das manchetes. É intolerável. E estou farto. Então creio que você já imagina que minha visita não é amistosa. Estou aqui para tirar você do…

Um estrondo alto ecoa do banheiro.

Meu pai olha imediatamente para a porta, depois para mim. O olhar dele é a mistura perfeita de decepção e revolta.

Estou morto.

— Está escondendo uma mulher no seu banheiro? — Ele não pergunta. Afirma. — Não acredito que você desceu a esse nível de baixaria. É inacreditável o filho que eu tenho.

Ele se levanta tão rápido que eu salto junto. Não há como detê-lo. Ele atravessa a sala como um general marchando para a guerra, vira a pequena parede que dá acesso ao banheiro e — antes que eu possa abri-la — ele mesmo gira a maçaneta e escancara a porta.

E lá está ela.

Isabella.

Encharcada, com água escorrendo pelos cabelos, dentro do meu banheiro completamente destruído.

Papeis e toalhas espalhados, produtos caídos no vaso e pelo chão, a pia transformada numa fonte descontrolada que inunda todo o piso.

E eu congelado, sabendo que essa noite… essa noite vai me matar.

continua...

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   154

    Alguns meses se passaram, e eu mergulhei no trabalho. Já não sei mais como confiar em alguém. Fiz questão de não saber nenhuma notícia sobre Lucy ou Lucas. Não sei se os dois ficaram juntos. Não sei se sobreviveram ao que aconteceu. Não sei se o perigo do qual aquele árabe falou ainda existe ou se desapareceu junto com eles. A única informação que continuei perseguindo dizia respeito ao suposto irmão de Lucas. Meu pai... aparentemente, tinha outro filho. Não sabíamos se era mais velho ou mais novo. Na verdade, não sabíamos absolutamente nada. Coloquei minhas melhores equipes para investigar, mas, até agora, não havia respostas. Quanto a mim... nada mais aconteceu. Nenhum atentado. Nenhuma ameaça. Nenhum sinal de que alguém ainda estivesse me caçando. Talvez eu nunca tenha sido o verdadeiro alvo. Talvez tenham tentado me atingir apenas porque acreditavam que eu era importante para Lucas ou porque imaginavam que eu sabia alguma coisa sobre esse homem desconhecido. Mesmo assim, nã

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   153

    Voltar para casa depois de tudo o que aconteceu foi mais difícil do que eu imaginava.Passei o caminho inteiro revivendo cada detalhe.Cada conversa.Cada olhar.Cada escolha.Eu não era o tipo de homem que corria atrás de uma mulher.Nunca fui.Passei a vida inteira acreditando que sentimentos eram uma fraqueza, algo que tirava o foco do que realmente importava.Mas eu corri atrás de Lucy.Corri mais do que jamais correria por qualquer outra pessoa.E aqui estou eu.Destruído.Eu sempre tive orgulho de ser alguém controlado. Alguém que mantinha a razão acima de tudo.Agora parecia uma piada.Porque bastou uma mulher para derrubar todas as minhas defesas.Mas Lucy não era qualquer mulher.No começo, eu acreditava que estava apenas cumprindo uma responsabilidade.Ela estava em perigo.Estava ao meu lado.E eu me sentia culpado por isso.Era minha obrigação protegê-la.Pelo menos foi assim que tudo começou.Mas as coisas mudaram.Lentamente.Sem que eu percebesse.Aquilo deixou de ser r

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   152

    Eu poderia dizer que sou forte. Poderia fingir que nada me abala, que qualquer golpe da vida é apenas mais um obstáculo que eu atravesso sem olhar para trás. Mas isso... isso foi demais.Meu irmão não é um santo. Na verdade, nem sei por que ainda o chamo de irmão quando ele parece fazer de tudo para destruir o que é meu. Ainda assim, existe algo que me prende a ele. Talvez seja apenas a memória dos garotos que fomos um dia. Talvez seja o sangue.Mas, no fundo, ele não é meu irmão.Meus irmãos estão em Nova York. Minha família está em Nova York. Minha vida está em Nova York.E eu estou aqui.Preso neste lugar, lutando contra uma maré que nunca para de me arrastar para o fundo.Depois do que descobri, nada mais fazia sentido.O pior é que eu sabia. Em algum lugar dentro de mim, eu sempre soube que isso poderia acontecer. Mesmo assim, fui idiota. Cometi erro atrás de erro. Não sou santo também. Deveria ter sido mais cuidadoso. Mais desconfiado. Deveria ter me protegido.Mas não protegi.

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   151

    Algo no olhar preocupado de Amyrah me deu a resposta antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.Ela nunca havia carregado um peso como aquele.Nunca precisara conviver com uma culpa capaz de consumir cada pensamento.Ainda segurando minha mão, ela se moveu para se ajoelhar diante de mim.— Você quer que eu chame um deles? — perguntou suavemente.Soltei uma risada curta e amarga.— Meus homens?A expressão séria dela vacilou.— Não. Não é isso.A mentira saiu fácil demais.— Eu estou bem.Não estava.Mas ela pareceu aceitar.Ou talvez apenas não soubesse como insistir.Seu olhar permaneceu sobre mim por alguns segundos antes que ela perguntasse:— Você matou alguém?Virei a cabeça tão rápido que quase senti o pescoço estalar.— O quê? Não!O alívio que atravessou seu rosto foi imediato.— Então pode ser consertado.Fechei os olhos.Ah, Amyrah...Se fosse tão simples.Porque talvez eu não tivesse matado uma pessoa.Mas tinha destruído algo.Algo precioso.Algo que Thomas jamais me per

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   150

    Nem Thomas nem Lucas disseram uma palavra por vários segundos.O silêncio se prolongou até se tornar desconfortável.Foi mais do que eu consegui suportar.— Tem mais um?As três cabeças se viraram para mim.Dei de ombros.— Dois Hamilton já são mais do que suficientes para o mundo lidar.Pela primeira vez desde que a conversa começara, Lucas soltou uma risada.Thomas, porém, continuou sério.Pegou a fotografia das mãos do irmão e voltou a estudá-la.— Ao longo dos anos, várias pessoas apareceram alegando ser filhos de Rufus. — Sua voz era cautelosa. — Como sabemos que esse homem é quem diz ser? E como sabemos que suas informações estão corretas?Rashid apenas deu de ombros.— Se ele é realmente parente de vocês, não me interessa. O importante é que ele acredita que é.Thomas franziu a testa.— E como descobriu isso?Antes que Rashid respondesse, Lucas interrompeu.— Não pergunte.Ele continuava olhando para a fotografia.— Você sabe que ele vai responder alguma coisa misteriosa sobre

  • Uma virgem em apuros e o bilionário   149

    Pela primeira vez em muitos dias, adormeci sem lutar contra meus pensamentos.O cansaço acabou vencendo.Quando acordei, estava sozinha.A luz do sol atravessava as frestas da tenda, desenhando linhas douradas sobre os tapetes e tecidos espalhados pelo chão. Minhas roupas estavam jogadas próximas à cama improvisada, silenciosas testemunhas da noite anterior.Não havia sinal de Thomas.Ainda assim, sua presença permanecia.Eu sentia seu perfume na minha pele.Sentia o calor dele gravado na memória do meu corpo.Por um momento, fiquei sentada na cama, tentando organizar meus pensamentos. Então afastei as lembranças e me vesti rapidamente.Ao empurrar a aba da entrada, fui recebida por uma explosão de luz.Meus olhos demoraram alguns segundos para se acostumarem.Lá fora, o acampamento já estava desperto. Pessoas caminhavam entre as tendas, vozes ecoavam ao longe e o sol do deserto brilhava implacável sobre a areia dourada.— Não se preocupe. Ninguém o viu saindo da sua tenda.Dei um pul

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status