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Capítulo 7

Author: mahribbs
last update Petsa ng paglalathala: 2026-07-03 04:27:24

*Elise*

A sala de estar da casa da minha tia estava inundada por risadas, música alta e o tilintar de taças de cristal.

— Um brinde à nossa mais nova graduada! — gritou um dos meus amigos da faculdade, erguendo o copo de cerveja no ar.

O coro de vozes repetiu o brinde, e eu abri o meu melhor sorriso, erguendo a minha própria taça. O diploma emoldurado descansava sobre a lareira, a prova irrefutável de que os últimos quatro anos de exílio não haviam sido em vão. Eu havia construído uma vida nova. Uma vida perfeitamente normal, humana e segura, bem longe do frio cortante da Matilha Vento do Norte e do fantasma do homem que quebrou a minha alma.

Mas, enquanto eu sorria e agradecia os abraços afetuosos, um eco oco reverberava dentro de mim.

Faltava algo.

A princípio, tentei ignorar o desconforto, culpando o cansaço das provas finais. Porém, à medida que a noite avançava, o cheiro doce e enjoativo das colônias artificiais dos meus amigos começou a revirar o meu estômago. O volume das conversas cruzadas parecia perfurar os meus tímpanos. E, no fundo da minha mente, onde eu havia erguido uma barreira espessa de negação, algo começou a se remexer.

A minha loba.

Durante todos aqueles anos de dor e ressentimento, eu a ouvi choramingar. Senti as garras dela arranharem a minha consciência nos dias mais difíceis, implorando por liberdade. Mas eu havia associado a minha fera à humilhação da rejeição de Henry. Eu a tranquei em uma jaula escura de silêncio, recusando-me a dar a ela qualquer chance de se manifestar. Eu queria ser apenas humana.

Mas, esta noite, o chamado não era um lamento. Era uma exigência. A loba batia contra as minhas costelas, sufocada pela vida artificial que eu a obriguei a viver.

Aguardei até que o último convidado fosse embora e a minha tia finalmente se recolhesse para dormir. Quando o silêncio absoluto tomou conta da casa, eu não hesitei. Vesti um casaco leve e saí pela porta dos fundos, sendo engolida pela escuridão da madrugada.

Caminhei a passos rápidos, o meu coração batendo em um ritmo frenético, até alcançar o grande bosque denso nos arredores da cidade. Assim que os meus pés tocaram a terra úmida e o cheiro de pinho e folhas secas inundou os meus pulmões, o meu corpo inteiro começou a tremer.

Parei no centro de uma clareira, ofegante.

Fechei os olhos e, pela primeira vez em quatro anos, eu parei de lutar. Eu soltei as correntes.

A transformação me atingiu com uma violência que me jogou de joelhos na terra fria. Um grito rasgou a minha garganta quando a primeira onda de agonia disparou pela minha espinha. A dor foi excruciante. Os meus ossos começaram a estalar de forma ensurdecedora, quebrando e se reestruturando sob a pele. Senti a minha mandíbula se alongar, forçando os músculos do meu rosto a rasgarem e se curarem em questão de milésimos de segundo.

As minhas mãos cravaram na terra úmida enquanto os meus dedos se distorciam, as unhas humanas transformando-se em garras grossas e letais. O som da minha própria respiração tornou-se um rosnado gutural. Cada articulação do meu corpo parecia estar sendo incendiada, punindo-me pelo tempo absurdo que eu passei forçando aquela natureza a permanecer contida.

O mundo ao meu redor girou, até que o último osso se encaixou no lugar.

E então... a dor desapareceu.

Foi como se uma âncora esmagadora tivesse sido removida do meu peito. Eu abri os olhos, agora enxergando a escuridão do bosque com uma nitidez brilhante e perfeita. O alívio que inundou as minhas veias foi tão profundo que um ganido trêmulo de pura gratidão escapou da minha garganta.

Ergui-me sobre as quatro patas, sentindo a força colossal dos meus músculos sob a pelagem espessa. Eu não era uma fera irracional, e não era o erro de um Alpha. Eu era a fusão perfeita de duas partes que finalmente se perdoavam.

Respirei fundo, deixando que os cheiros da noite me contassem todos os segredos da floresta. O vento soprou entre as árvores, e eu corri. Corri como nunca havia corrido na vida, rasgando a névoa, sentindo o poder inegável da minha loba vibrar em cada salto. Pela primeira vez em anos, eu não estava fugindo da minha dor; eu estava, finalmente, voltando para mim mesma.

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