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Capitulo 5

Autor: DOROCA
last update Fecha de publicación: 2025-08-12 06:56:38

Entrei no carro aberto pelo guarda-costas da Irma e fiquei simplesmente de boca aberta.

O interior parecia coisa de filme: bancos de couro, ar condicionado suave e aquele cheiro caro de novo. Eu não gosto do que estou prestes a fazer, mas não dá para negar que, pelo que vejo, boa vida me espera.

Só que, junto da curiosidade, veio o medo. Com tanto sequestro por aí, não estranhem se no fim de tudo eu descobrir que só queriam meus rins.

O carro nos levou até o avião.

Minha barriga gelou só de ver a escadinha encostada naquela máquina enorme.

Nunca andei de avião na vida. Para mim, voar é coisa para gente que nasceu com berço de ouro — e, ainda assim, eu nem queria saber o processo. O chão já me serve.

— É para a gente ir nessa coisa? — perguntei.

— Dá para entrar sem passar vergonha? — retrucou o guarda, sem desgrudar os olhos do celular.

— Eu… não sei se consigo.

— Fecha os olhos e sobe. O resto a gente resolve aqui dentro.

— Como assim, “o resto”? — apontei o dedo para ele, desconfiada.

Ele ergueu a cara pela primeira vez. — Eu não vou comer você, se é isso que está pensando. Estava falando do medo de voar. Temos sonífero.

— Ah… sonífero. Certo.

Subi tremendo, coração batendo feito tambor. Logo que entrei, me deram uma garrafa de água.

— Se não quiser ver nada, comece por aqui.

Sem hesitar, virei a garrafa inteira. Afinal, era melhor dormir do que assistir aquela geringonça levantar voo.

Meus olhos pesaram e o sono me arrastou.

Quando acordei, já não estava no avião. Estava deitada em uma cama macia, num quarto enorme. Andei até a porta, abri devagar e quase caí para trás.

O quintal era imenso, com piscina brilhando no centro, moços e moças seminus desfilando como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu, de roupa, me senti a esquisita — parecia nua de tanta vergonha. Cruzei os braços para disfarçar, mas quem já sentiu vergonha sabe que é exatamente assim que a gente se entrega.

Foi quando ouvi a voz de Irma.

— Atenção, meninos! Tenho uma notícia importante. — Bastou um instante para todos a olharem como se fossem soldados esperando ordens. Impressionante. Eu não conseguia tanto respeito nem como chefe de turma na escola.

— Como sabem, eu precisava de mais mulherada nessa casa. Então apresento a vocês Maria!

Congelei. Meu corpo ficou duro como o de uma gazela diante do caçador. Mas, sem ter para onde correr, avancei. Irma me esperava com aquele sorriso que mistura charme e perigo.

— Maria é a nova filha que mencionei. — Ela ergueu minha mão como se me exibisse. — Tratem de mostrar a ela tudo: ordens, deveres, direitos e, claro, diversão.

A recepção foi uma mistura de abraços, beijos, apertos de mão e até cutucadas. Eu mal sabia se sorria ou fugia.

Quando anoiteceu, já estava cansada. A casa vibrava com música, risadas, vozes altas. Mas eu não gostava daquilo. Descobri que, vivendo com Rafael, aprendi a amar o silêncio.

Meu coração disparou. Rafael! Será que estava bem? Levantei apressada e perguntei para a primeira pessoa que cruzou comigo:

— Você viu a Irma?

— Deve estar na sala, cuidando das contas ou conversando.

Fui sem bater. Ao abrir a porta, dei de cara com Irma e o guarda-costas. Digamos… num clima que só vídeos proibidos mostrariam.

— Ah, céus! — gritei e bati a porta.

Segundos depois, ela apareceu ajeitando o cabelo, despediu-se dele e me chamou.

— Entre. O que foi agora?

— Eu… — hesitei.

— Vamos, fala logo. Nunca viu alguém transando?

— Como eu veria isso? — estremeci, vermelha.

Ela riu. — Sei lá, em filmes. Ou nunca se gravou?

— Eu não faço ideia de como.

— Fácil. Já ou nunca. Mas, pela sua cara, vai me dizer que nunca fez nada.

— Não preciso responder a isso. Eu só vim saber do meu irmão.

Irma arregalou os olhos e soltou uma gargalhada.

— Isso é sério? Você é virgem?

Fiquei sem palavras, mas meu silêncio respondeu por mim.

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Comentarios (1)
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Heli
Bom demais
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