MasukDona Fátima havia confirmado as encomendas, eu me dei conta, porque ouvi Enzo saindo e encerrando a ligação com um pode deixar, Dona Fátima, com prazer, como se a minha loja fosse dele. Eu apenas fechei os olhos e respirei Dois meses, eu só precisava aguentar mais dois meses, o bebê chegaria e a minha vida voltaria quase ao normal, fosse lá o que normal significasse agora, não tinha mais nada impactante e estimulante para fazer, então me encostei confortavelmente e quando estava quase dormindo ouvi batidas na porta E até que a batida foi educada, com três toquinhos, mas mesmo assim franzi a testa, lembrando que eu que iria lá abrir, meu irmão estava na loja de quadrinhos, e Enzo não batia assim se fosse ele, simplesmente entraria como se a minha privacidade não se aplicasse a ele e as minhas vizinhas batiam com mais entusiasmo e já vinham fazendo barulho com falas codificadas antes mesmo de eu responder... Levantei da cama devagar, como se estivesse carregando um ovo de po
Christine Dias depois, saí do hospital e graças a Deus fui muito bem recebida na vila, e pela semana, o único erro foi que num belo dia Saul não sua infinita e adequada santa paciência e cautela, diz que não apareceria e que mandaria outro auxiliar. Então de tanto desgosto, coloquei o celular debaixo do travesseiro, eu não queria me estressar em meu próprio telefone Mas de repente ele chama novamente Eu sabia que estava errado ficar estressando com cada assunto, mas a lojinha havia recebido três encomendas novas essa manhã e a Dona Fátima precisava de confirmação até o meio dia e dois minutinhos não iam matar ninguém. Puxei o aparelho devagar, como se estivesse a desativar uma bomba, e comecei a digitar —Dona Fátima, confirmo as três encomendas, pode separar que eu... — Christine? Meus dedos pararam e ergui os olhos devagar, com a esperança idiota de que talvez eu tivesse imaginado, e não. o médico que restava era ele?Por um instante esqueci de tudo que eu ia dizer
Dei um passo cuidadoso e tentei alcançar as mãos dela, mas Christine as recolheu imediatamente, escondendo elas sob o lençol,e isso realmente doeu, mas eu já esperava porque Christine nunca foi fácil de lidar Então Respirei fundo, mantive a voz no tom mais suave que consegui, tipo daqueles dias que eu precisava para acalmar pacientes em pânico — Tudo bem, Christine, eu entendo. Eu só preciso que saiba que, como médico e como o homem, sua saúde é a única prioridade, sei que precisa de repouso absoluto, e acima de tudo, zero estresse, então ... Se você permitir, eu quero cuidar de você pessoalmente, e garantir que cada vitamina, e cada batimento desse bebê seja monitorado por mim Minha voz falhou por um segundo, porque nem eu acredito que vou cumprir e manter distância se ela pedir — Mas se por acaso a minha presença te faz tão mal assim, eu não vou ser um obstáculo para sua paz... O mínimo que posso fazer é deixar você sob os cuidados do Saul, que é um dos melhores médicos
Rafael voltou a se endireitar e com a mesma postura ereta, ajustando os óculos no rosto com um toque preciso do dedo indicador e franziu o cenho, o que é claramente uma microexpressão de desaprovação técnica. — Enzo, as leis da física determinam que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço, mas a biologia sugere que, em situações de vulnerabilidade, a proximidade entre espécimes com laços afetivos acelera a estabilização homeostática... Em termos leigos, por que você ainda está aqui e não no quarto com a Christine? — Eu... eu estava esperando por você, Rafael — respondi, um pouco sem jeito. — Achei que deveríamos ir juntos. Rafael inclinou levemente a cabeça para o lado, analisando-me como se eu fosse uma paleta de estudo, bem lento. — Sua lógica é falha... Eu não sou uma réplica ou uma miniatura curta da sua amada, Enzo! Embora o nosso DNA compartilhe uma semelhança de aproximadamente cinquenta porcento, o que explica a nossa similaridade fenotípica, eu não possu
Depois de um tempo esperando, o hospital parece giraresse cheiro de éter e produtos de limpeza, que antes me era tão familiar e confortável nos tempos de plantão, agora me sufocam a cada respiração, mas talvez seja só o peso de cada erro cometido na última semana. — Christine! Onde ela está?! — Gritei na recepção, batendo com as mãos no balcão, assim que me informaram que ela já tinha saído das urgências, enquanto Rafael, meu assistente, segurava meu ombro tentando me manter focado, mas eu mal conseguia respirar. — Enzo? — Uma voz conhecida ecoou pelo corredor Virei e vi Saul, que ainda usava o jaleco azul da emergência, o mesmo que usávamos juntos antes de eu pedir licença para tentar salvar o que restava da minha sanidade, então corri até ele, ignorando a fisgada nos meus pontos. — Saul, pelo amor de Deus, me diz que ela está bem... Me diz que o meu filho está bem! Saul colocou as mãos nos meus ombros, me estabilizando, com aquele olhar de quem já viu mil mortes, mas sentia c
Entrei no consultório e tudo estava tão silencioso ali dentro, que fiquei até assustado. Mas quando virei com as mãos já quase arrancando os cabelos e rosto, vejo um menino pequeno sentado com uma postura impecável, movendo-se num ritmo lento, que assim que me viu, deslizou para a cadeira ao lado, como se fosse um convite para que eu ocupasse o lugar. — Olá, Enzo — disse ele, sem desviar os olhos de um ponto fixo na parede — Olá, você deve ser o Rafael. Obrigado por me ligar! Fez muito bem Ele parou o movimento dos pés e virou o rosto para mim, com o olhar analítico da cabeça aos pés, e sem a hesitação que a maioria das crianças carrega e fechou o rosto — Na literatura clássica e nos contos de cavalaria que M.G já leu para mim, existe algo recorrente, um herói que possui o objetivo primário de proteger os necessitados e garantir a integridade de sua donzela nobre, no entanto, seus romances recentes, Enzo, representam uma falha grave Você por exemplo, se ausentou e uma donze







