FAZER LOGINO médico, que havia chegado à residência de Vicktor quinze minutos antes, finalmente fechou sua bolsa médica, soltando um suspiro de alívio. Ele acabara de examinar Kelly — pedira à menina que abrisse a boca, iluminara seus olhos com uma pequena lanterna e fizera algumas perguntas simples.Kelly obedecera sem reclamar, embora, de vez em quando, franzisse a testa, como se achasse estranho ser examinada daquela maneira.Atrás do médico, Vicktor e Amora estavam lado a lado. Nenhum dos dois ousava dizer uma palavra. Apenas trocavam olhares cheios de expectativa.— Não há nada de anormal — declarou finalmente o médico, virando-se para eles. — Todas as respostas dela estão normais.Vicktor soltou o longo suspiro que vinha prendendo havia algum tempo.— Graças a Deus, Kelly se recuperou da amnésia — acrescentou o médico, com um tom leve, mas cheio de certeza.Os olhos de Vicktor imediatamente se encheram de lágrimas. Ele olhou para Amora, com um sorriso emocionado no rosto, antes de se aprox
O escritório do presidente estava tomado por uma tranquilidade aparente, mas escondia uma tensão invisível. Atrás da imponente mesa de design elegante, Vicktor Caldwell permanecia sentado, com uma aura de absoluto controle. Ao seu lado, Amora estava de pé, sem tirar os olhos da mesa à sua frente.Vicktor ergueu o celular e discou o número de sua secretária.— Traga imediatamente os documentos que estavam agendados para hoje ao meu escritório — ordenou, de maneira breve e firme, sem rodeios.— Sim, senhor Vicktor.A ligação foi encerrada.Ao seu lado, Amora não conseguia esconder a ansiedade. Seus dedos se entrelaçavam e, de vez em quando, ela tamborilava suavemente na superfície da mesa. Seu olhar estava repleto de expectativa e ambição.— Está ansiosa? — perguntou Vicktor, lançando-lhe um breve olhar acompanhado de um sorriso discreto.Amora ergueu ligeiramente o queixo.— Claro que estou. Esperei por este momento durante tempo demais.Antes que Vicktor pudesse responder, ouviram-se
A manhã chegou de forma surpreendente para Amora.Seus olhos se abriram lentamente, mas, em questão de segundos, seu corpo ficou rígido. Ela se sobressaltou, e seu coração disparou quando recuperou completamente a consciência. Havia algo errado. Muito errado.Sua respiração ficou presa na garganta.Ao seu lado, um homem dormia profundamente.Vicktor.O corpo dele ainda estava coberto por um edredom espesso, e seu rosto parecia tranquilo, como se a noite anterior tivesse sido apenas mais uma noite comum, sem qualquer importância. Um contraste gritante com Amora, que agora estava tomada pela confusão e pelo pânico.— O que aconteceu ontem à noite? — sussurrou baixinho, com a voz trêmula.Sua mão se moveu por reflexo, puxando o edredom, e foi então que seus olhos se arregalaram. Ela olhou para o próprio corpo, completamente nu.— Droga...! — sibilou, contendo a voz.Um calafrio percorreu sua espinha. As lembranças da noite anterior surgiram em fragmentos nebulosos — as bebidas, a tontura
O jantar romântico deveria ter terminado de maneira doce, mas a noite acabou se prolongando sem que percebessem. A luz suave, o tilintar das taças e a música delicada criavam uma atmosfera tão acolhedora — acolhedora demais, a ponto de Amora perder o controle.A garota soltou uma risadinha, com as bochechas coradas. Ergueu novamente a taça de vinho, sem hesitar.— Amora, chega — a voz de Vicktor soou mais firme do que antes.Mas Amora apenas balançou a cabeça devagar, com os olhos começando a ficar sonolentos.— Só mais um... apenas mais um, Vick — murmurou baixinho.Vicktor soltou um longo suspiro. Sabia que Amora já havia passado dos limites. Sem esperar mais, tirou a taça das mãos dela.— Não. Vamos embora agora.Amora não protestou. Seu corpo já estava fraco demais até para reclamar. A cabeça pendeu lentamente, quase tocando a mesa.Vicktor se levantou de imediato e pagou a conta rapidamente. Em seguida, passou o braço ao redor de Amora e a conduziu para fora do restaurante com cu
De repente, a sala pareceu ficar pequena, como se o próprio ar prendesse a respiração junto com eles. Apenas Vicktor e Amora permaneceram ali, ainda abalados com o desmaio repentino de Lucy.Amora baixou a cabeça e entrelaçou os dedos, apertando-os uns contra os outros, como se estivesse verdadeiramente consumida pela culpa.— Me perdoe, Vick. Deixei que minhas emoções tomassem conta de mim — disse ela baixinho, com uma voz que fez questão de tornar o mais frágil possível.Por trás de sua expressão triste, escondia-se uma pequena satisfação que jamais deixaria transparecer. Tudo precisava parecer perfeito. Ela tinha que continuar sendo a mulher doce aos olhos de Vicktor.Vicktor se aproximou, ergueu a mão e acariciou suavemente a cabeça de Amora.— Não tem problema, meu amor. A culpa não é sua — disse ele com calma e convicção.Amora ergueu lentamente o rosto, com os olhos marejados.— Mas Lucy desmaiou... — continuou, com a voz trêmula.— Talvez Lucy esteja sob muita pressão — respon
Acontece que Vicktor levou Amora a um lugar que ela jamais imaginaria.A delegacia.O carro em que estavam parou bem em frente ao prédio. As luzes começavam a se acender, sinalizando que a tarde estava dando lugar à noite. O ambiente parecia frio, e Amora olhava pela janela com sentimentos confusos.Antes de descer, Vicktor desligou o motor.Amora virou o rosto para ele, franzindo a testa.— Vick, por que estamos na delegacia? — perguntou, confusa. — Você não disse que queria me fazer uma surpresa?Vicktor não respondeu de imediato. Virou-se lentamente e olhou para Amora com uma expressão séria, que raramente demonstrava.— A polícia quer ouvir seu depoimento, El. É para investigar o caso do sequestro — explicou calmamente. — Você aceita?Amora ficou em silêncio por um instante.O caso do sequestro.Aquelas palavras fizeram sua memória voltar imediatamente ao acontecimento aterrorizante que quase lhe custara a vida. Seu coração começou a bater um pouco mais rápido.Amora assentiu deva







