LOGINA anciã voltou ao banheiro e ajudou Lia a se secar. Observou todas as feridas e mordidas que lhe foram infringidas e lágrimas encheram seus olhos. O corpo da fêmea ainda não conhecia o sexo e não passara pela transformação, para suportar tudo aquilo. Era magrinha e franzina, seus seios eram dois montinhos miúdos e seu rosto, suave como o de uma criança.
— Venha, minha querida, vou te ajudar. — estendeu a toalha, para que ela saísse da água vermelha de sangue. Depois de secá-la, vestiu-lhe um robe e levou-a para sua suíte, deitou-a na cama e começou a tratar de suas feridas. Deu-lhe um chá calmante e um comprimido analgésico e deixou-a dormir. Saiu do quarto e convocou todos os líderes, mestres e guardiões, comunicou o afastamento de Natanael e que a partir daquele dia, ele seria “persona non grata”, naquela instituição. Todos ficaram espantados com a ordem inusitada, mas não surpresos. Já não era sem tempo aquela decisão, não aguentavam mais os desmandos daquele torturador de crianças, sem que nada fosse feito para pará-lo. Do lado de fora do casarão, saindo pelo portão, Natanael virou-se para olhar, pela última vez, o lugar onde cresceu. Sua missão naquele lugar estava cumprida e ele esperava que fosse o suficiente para tornar aquela menininha doce em uma guerreira forte, capaz de resistir a tudo e a todos. Precisava que ela fosse forte e resistente, pois dias muito difíceis estavam para chegar. Despediu-se com um sorriso de lado, olhando a imagem da fêmea que olhava para ele pela janela, e sumiu para nunca mais voltar, até que cumprisse seu destino e pagasse uma certa conta. * Quatro anos depois A jovem estava parada em frente ao colégio, observando a fachada e os alunos entrando. Um porteiro vigiava tudo e o alvoroço era grande, por ser o último dia de aula. Ela esperou por seus colegas de classe, George, Lucy e Megan. Lembrou-se do primeiro dia em que chegou ali, toda contrita, com receio por estar em uma escola nova e totalmente diferente do antigo instituto. Lembrou de subir aquelas mesmas escadas e logo no corredor dos armários, um aluno barrar a sua passagem, olhar em seus olhos e comentar com ironia: — Olha só, mais uma nerd careta para enfeiar a escola? Ela não teve dúvidas, prometeu a si mesma que, nunca mais, iriam tratá-la como uma qualquer e fechando o punho, acertou com força o rosto do menino, que voou longe. Rapidamente, ela saiu dali e dirigiu-se à recepção para saber onde era sua sala. O menino nunca mais mexeu com ela e a história foi comentada a boca miúda, pois o tal aluno era do time de futebol e um dos mais assediados pelas meninas. Seu nariz quebrado, mostrou que não deviam mexer com quem não conheciam. Este fato aconteceu há três anos e ela estava atrasada um ano na escola, mas finalmente se formaria. Sua vida não era fácil, sua família a rejeitou quando soube do corrido e precisou arrumar um emprego para custear suas necessidades, da melhor forma possível. Seus colegas chegaram, ela saiu de seus devaneios e entraram. Assim que a última aula terminou, os alunos fizeram uma bagunça de confraternização, trocaram endereço e contatos. Alguns transformaram a blusa do uniforme em porta autógrafos e saíram do colégio, todos rabiscados. Lia não podia se dar a esse luxo, pois saiu direto para a mercearia onde trabalhava. Aquele emprego foi a sua grande oportunidade, pois com dezesseis anos e um bebê para cuidar, quem a empregaria? Além disso, ela alugou uma quitinete na vizinhança, que pagava com a pensão que recebia pelo bebê. — Boa tarde, Jimmy, o seu Nestor já chegou? — perguntou ao vigia. — Ainda não, Lia. Mas você está adiantada, não quer almoçar primeiro? — respondeu Jimmy, sabendo que ela veio da escola. — Sim, vou dar um pulo em casa e já volto. Foi rapidamente para casa, entrou e trocou o uniforme pela roupa de trabalho. Comeu um sanduíche e saiu. Seu filho estava com três anos, quase quatro e ficava em uma creche até às seis da tarde e uma babá ficava com ele até às oito da noite, quando terminava seu turno. Sua vida mudou drasticamente desde que descobriu que estava grávida. A única pessoa que sabia o que ela passou, foi a mesma que, para proteger a instituição, a expulsou. A anciã Meridian. A Alcateia a qual pertencia, não aceitou uma adolescente grávida sem estar acasalada e sem ter se transformado. Seu pai, acatando a opinião dos outros, a expulsou de casa e o Alfa a expulsou da Alcateia. Completou 20 anos, mas ainda não teve sua transformação. Seu pai era o Beta e sua mãe era a bruxa curandeira, da Alcateia e por isso, aos seis anos, tinha sido enviada para o instituto, onde estudou até os 16. Aprendeu muita coisa no Instituto, mas seus poderes só seriam liberados quando sua loba saísse e nem sinal dela. A cidade onde se instalou, era próxima a rodovia interestadual e muitos viajantes paravam para abastecer, descansar e comer, foi assim que entraram dois clientes no mercadinho, naquela tarde. — Jane, pegue a comida que eu pego as bebidas. — Não pegue nada alcoólico, heim Josué, estamos dirigindo. Lia estava em seu lugar, no caixa e ao ouvir aquele nome, seu coração palpitou pela lembrança do colega que sempre a alertou e protegeu, no instituto. A jovem de nome Jane, colocou as compras na esteira e Lia começou a registrar, Josué chegou logo a seguir com um engradado de água e alguns refrigerantes. Quando ele foi pagar, olhou para o rosto da caixa e parou com o dinheiro no ar. — Lia? É você? — Ele a reconheceu. — Oi, Josué, sou eu sim, como vai? — respondeu ela, pegando o dinheiro. — Vou bem, mas e você, o que faz nessa cidade? Sua casa não era no sul? — Ele queria perguntar muitas coisas, mas o lugar não permitia. — Eu moro aqui, agora, toma aqui o seu troco. Foi um prazer revê-los, boa viagem. — Dispensou-os, pois tinham clientes esperando para serem atendidos. — Foi um prazer, também, tchau. — Despediu-se ele. Josué saiu inconformado, olhou para sua irmã e perguntou: — Você lembra dela? — Não é aquela menina que ficou grávida no instituto? — perguntou Jane, lembrando da maledicência que ocorreu, na época, por todo o colégio e que gerou a expulsão dela. — Sim. Eu avisei tanto a ela sobre aquele traste do mestre Natanael e no final, a única prejudicada foi ela. Nunca mais tive notícias e eu gostava tanto dela.Quase dois anos se passaram e vários casais se formaram, acasalando e tendo seus filhotes, prosperando a cidade dos Supremos. Alfa Conrad abriu uma madeireira que deu emprego para muitos machos. Também fizeram uma captação de água natural com tubulações para abastecer a cidade.A luz ficou por conta do sistema de captação de luz solar, formando assim, a primeira Alcateia ecológica. Natanael instruiu sobre o cuidado e preservação da fauna e flora, para que nunca lhes faltasse o alimento. E nesse sistema, com tudo fluindo bem, resolveram fazer uma festa grandiosa, celebrando a vida, os novos casais e filhotes, assim como a renda que passaram a ter com a boa administração.Toda a Alcateia estava envolvida nos preparativos. Arrumaram tudo em uma grande clareira, de onde foi comercializada a madeira, que foi aberta para abrigar grandes eventos. Haviam comidas, barracas para diversão, brincadeiras para as crianças e até um recinto cercado e coberto para os menores.No centro, tinha um gran
Natanael surpreendeu-se com sua fêmea, primeiro por tomar a iniciativa e depois por ter se depilado todinha para ele, estava linda. Dedicou-se a excitá-la o máximo possível e quando a penetrou, foi a glória para seu eu, pois se sentiu o grande macho alfa que encontrou sua companheira e finalmente estava completo em sua alma. Percebeu que alcançou seu ponto de prazer interno e ela gozou sem ele nem estocar. Só então se movimentou dentro dela e a fez gozar mais uma vez. Estava sendo cuidadoso para que ela tivesse prazer antes que buscasse a sua própria satisfação. Ela chegou nesse ponto máximo de prazer e colocou-a de quatro e a penetrou por trás e agora sim, foi com vontade e sem medo de ser feliz.Estocou profundamente e sentiu a pressão em seu corpo e no dela. Suas bolas estavam inchando e ele estava a ponto de soltar sua semente quando ouviu ela gemer de prazer, tendo mais uma liberação e isso fez ele chegar a um gozo tão grande e profundo, que seu membro ficou preso e não parava
Só ao ouvir aquelas palavras, foi que Natanael parou de se admirar. Virou-se para quem falou e tentou explicar:— Não é por me achar lindo, é por não entender o que aconteceu. Como posso ter ficado com essa aparência, de repente? Você também está diferente, mais linda ainda. — Eu posso explicar, venha, vamos sentar naquele tronco ali adiante, na sombra. — falou Lia, estendendo-lhe a mão, sem parar de admirá-lo.Ele acompanhou sua fêmea e sentaram-se para conversar.Lia contou tudo que refletiu e o que fez. Ele ficou sério e não gostou, mas preferiu não se pronunciar. Quando ouviu que o próprio diabo apareceu na conversa, não aguentou, em um pulo ficou de pé e começou a reclamar.— O que você tem na cabeça, Lia? Primeiro desafia a Morte e depois faz tremer o próprio inferno, onde mais você quer chegar? — esbravejou.Lia se aproximou dele e tocou de leve em seu rosto, o toque da Peeira o acalmou.— Ouça tudo, por favor. — As palavras mágicas sempre funcionavam.Ele voltou a sentar-se.
Desta forma decidido, terminaram o café, foram para a sala de estar, Karina abriu o portal e todos passaram, chegando na sala da casa do Alfa, na Alcateia onde morava Conrad. Karina conhecia a casa, das memórias de seu companheiro, assim como conhecia aquele que os olhava surpreso.— Minha— MeuO atual Alfa, Connan e Renata, reconheceram-se como companheiros, mas a expressão pesada que se fez em seus semblantes, dizia tudo. Eles gostaram, claro, mas os dois estavam com suas almas quebradas e tinham medo do que teriam para dar ao outro, pois no momento, só o que tinham, era dor e pesar.O jovem Alfa passou pelas afrontas daqueles usurpadores, que com a ajuda da bruxa, dominaram a Alcateia e depois que seu irmão partiu, atrás de conseguir vencer o mal com o poder da Peeira, Connan ficou nas mãos daqueles homens depravados, servindo de joguinho para eles. Sua alma quebrada, nem se sentia mais no direito de ter uma companheira, tal a afronta que sofreu a sua dignidade de macho Alfa.Ren
Conrad chegou próximo a cela e a bruxa sorriu, irônica, para ele.— O que foi, Alfa? O Supremo não pôde vir resolver o problema sozinho e enviou seu cachorrinho. — deu uma gargalhada, como a louca que era.Paula esqueceu dos efeitos de se usar muita magia negra e, aos poucos, sua malignidade tomava conta por completo do seu cérebro, deixando-a louca. O Alfa Conrad não falou e nem esperou, soltou todo o seu poder e dominância em um único uivo, direcionado a bruxa, que também era uma loba, era, pois seu corpo carcomido pela magia negra, explodiu em uma gosma negra e pútrida, esparramando pelo chão.Conrad parou com sua manifestação de poder e calou-se, observando o surgimento de uma chama azul violeta e alaranjada, consumindo toda aquela sujeira. Era Karina, mesmo de longe, completando a ação de seu companheiro através da ligação dos dois.Conrad, então, dirigiu-se à cela ao lado, onde estava o estarrecido e imóvel companheiro da bruxa. Com apenas uma das mãos, o Alfa arrancou a porta
Conrad franziu a sobrancelha e voltou a falar ao povo:— Está dado o aviso, podem voltar aos seus afazeres e mais tarde, haverá uma convocação da Peeira, não saiam de casa para nada, até que seja dada a liberação. É para o seu próprio bem.— A quem a Peeira vai convocar? — perguntou um jovem mais ousado e Conrad gostou disso.— Aos desgarrados. Como não sabemos o ânimo deles, é melhor se protegerem. Qual é o seu nome, rapaz? — perguntou Conrad, provocando um certo receio no jovem.— Onofre, Alfa Conrad. — respondeu cismado.— Muito prazer, Onofre, amanhã cedo, quero que você se apresente ao escritório na casa do Supremo, para trabalhar comigo. Combinado? — perguntou Conrad, sorrindo ao perceber o alívio de Onofre.— Combinado, Alfa. Obrigado pela oportunidade. — agradeceu o jovem Onofre, filho de lobo com bruxa.Conrad conseguia imaginar o quanto aquele jovem seria poderoso e útil para a Alcateia.Todos se dispersaram e Karina e Conrad foram para sua cabana, tinham coisinhas a fazer d







