MasukDamon
O cheiro de sangue fica impregnado na memória. Você pode passar anos fingindo que esqueceu, mas basta fechar os olhos por alguns segundos para tudo voltar. A cor, o som, o vazio. Eu tinha vinte e cinco anos quando descobri o que era o inferno. Era uma noite comum em Boston. A cidade acesa, os prédios espelhados refletindo luz e ambição, o trânsito pesado no centro, o barulho de sirenes ao longe. Eu estava voltando de uma viagem rápida a Nova York, um acordo fechado, mais alguns milhões garantindo que o sobrenome Laurent continuasse no topo. Saí do aeroporto direto para a mansão dos meus pais, nos arredores da cidade. O motorista falava sobre o clima, sobre o jogo dos Patriots, qualquer coisa que eu não estava ouvindo. Minha cabeça estava em números, metas, resultados. Quando o portão de ferro se abriu, algo pareceu… errado. Nenhum funcionário apareceu para receber o carro. Nenhuma luz na entrada, nenhuma movimentação na janela da sala. Tudo escuro demais para aquela hora. — Espere aqui. — ordenei ao motorista, enquanto descia. O vento cortava, frio, mas não era isso que fazia meu corpo enrijecer. Era a sensação de que algo estava profundamente fora do lugar. Entrei sem bater, como sempre fiz. A porta da frente estava encostada, não trancada. Meu peito apertou. — Mãe? — chamei, a voz firme, ainda que uma parte minha esperasse que ela surgisse de algum lugar. — Pai? Dei alguns passos para dentro, o eco dos meus sapatos ecoando no piso. O relógio da sala marcava quase meia-noite. As luzes estavam apagadas, mas a televisão da sala de estar deixava escapar um brilho fraco pela fresta da porta. Foi ali que eu os encontrei. Minha mãe caída perto do sofá, o vestido claro manchado de vermelho. Meu pai tombado alguns metros adiante, o olhar fixo no nada. O cheiro metálico invadindo o ambiente. Por alguns segundos, eu não fiz nada. O tempo simplesmente parou. Depois, o corpo reagiu antes da mente. Me ajoelhei ao lado dela, toquei sua pele fria. O sangue grudado no chão. Não havia movimento no peito dela, nenhum sinal de vida. — Mãe… — o som que saiu da minha garganta não parecia o meu. Minha mão tremeu quando toquei o rosto do meu pai. Ele tinha um corte profundo no peito, a camisa social aberta, o sangue espalhado pelo tecido. A expressão dele era de surpresa, como se não tivesse acreditado até o último segundo que alguém teria coragem de fazer aquilo. Não foi um assalto. Não havia nada revirado, nada quebrado. Não havia pressa, nem desespero ali. Apenas precisão. Não demorou para eu conectar os pontos. O irmão da minha mãe. O homem que ela insistia em proteger, o mesmo que meu pai suportava por amor a ela. Um parasita com sorriso fácil e olhos difíceis de confiar. Ele conhecia a casa, os hábitos, o sistema de segurança. Ele sabia o horário que eu não estaria ali. Eu chamei a polícia. Dei o meu depoimento. Ouvi as condolências, os discursos vazios, os votos de justiça. Mas eu já sabia, desde o primeiro minuto em que encarei aqueles corpos… justiça não era suficiente para o que eu sentia. O que eu queria tinha outro nome. Vingança. Pietro foi o primeiro a aparecer na noite seguinte. Ele entrou no meu escritório sem bater, como sempre fez, um amigo de infância que ignorou o abismo que eu cavei entre mim e o mundo. — Eu vim assim que soube. — disse, fechando a porta atrás de si. — Damon… eu sinto muito. Eu estava em pé, olhando pela janela, a vista de Boston à noite pulsando lá embaixo. As luzes dos prédios pareciam rir da minha dor. — Não adianta sentir. — respondi, sem virar o rosto. — Eles estão mortos. — Nós vamos descobrir quem foi. — ele garantiu, aproximando-se. — Eu prometo. Eu me virei então, encarei Pietro, meu único amigo de verdade. Aquele que me viu cair, crescer, errar, vencer. Aquele que conhecia a parte de mim que o mundo não via. — Eu já sei quem foi… meu tio. — falei, firme. Os olhos dele endureceram. — O seu tio? Assenti, sem piscar. — Só ele tinha acesso, liberdade, confiança. — continuei. — Só ele tinha motivos suficientes. Dívidas. Ganância. Inveja. E a certeza de que minha mãe o perdoaria por qualquer coisa. Pietro respirou fundo. — A polícia… — A polícia vai fazer o que sempre faz. — cortei, com frieza. — Investigar devagar, se perder em burocracia, dizer que está “fazendo o possível”. Eu não quero isso. — O que você quer, então? — ele perguntou, embora eu soubesse que ele já sabia a resposta. Eu me aproximei da mesa, peguei a foto do casamento dos meus pais. Eles rindo, tão jovens, tão alheios ao que vinha pela frente. — Eu quero que ele pague. — sussurrei. — Com a própria vida. Um silêncio pesado se instalou, mas Pietro não recuou. — Então nós vamos atrás dele. — afirmou. — Juntos. Foi naquele momento que uma parte de mim morreu com eles. A parte que ainda acreditava em limites. Encontrar meu tio não foi difícil. Homens fracos deixam rastros. Ele devia dinheiro a gente que não perdoa atrasos, frequentava lugares nos quais a polícia não entra sem reforço, fazia negócios com quem não tem nome, só apelido. Em pouco tempo, sabíamos onde ele estava. Pietro arrumou tudo… o lugar, o horário, os homens. Eu nem precisei pedir. Ele apenas entendeu. Naquela noite, não chovia, mas o ar estava pesado. Entramos em um galpão velho, afastado da cidade, o cheiro de ferrugem misturado ao de mofo. O som das nossas pisadas ecoando. Meu tio estava amarrado em uma cadeira no centro do espaço, a cabeça baixa, os cabelos desgrenhados, o rosto marcado por hematomas. Ele levantou os olhos quando me ouviu se aproximar. — Damon… — a voz dele falhou. — Isso tudo é um engano. Eu posso explicar. Eu parei a poucos passos, mãos nos bolsos do casaco, o coração batendo calmo demais para a situação. — Explique. — falei. Ele começou a falar rápido demais. Falou de ameaças, de gente perigosa, de dívidas, de “eu não tive escolha”. Cada palavra pior do que a anterior. — Eles iam me matar. — insistiu. — Eu precisava do dinheiro, mas seu pai não quis ajudar. Eu só… eu só queria assustar. Não era pra terminar daquele jeito… Eu o observei com atenção. O suor escorria pela testa, as mãos amarradas tremiam, os olhos procurando piedade onde não havia mais nada. — Você entrou na casa da minha mãe. — eu disse, a voz baixa. — Usou a confiança dela. Fez ela acreditar que estava tudo bem. Ele engoliu em seco. — Você era como um filho pra mim, Damon… eu… — Não. — interrompi, me aproximando mais. — Eu nunca fui seu filho. E você nunca foi parte da minha família. Você foi o erro que minha mãe insistiu em defender. Ele tentou se soltar, a cadeira rangendo. — Você não vai fazer isso. — falou, desesperado. — Você não é assim. Seu pai não ia querer… — Você matou o meu pai. — respondi, seco. — Não pode falar nele. Pietro se manteve calado atrás de mim, os braços cruzados, o olhar atento. Ele sabia que aquele momento era meu. Eu respirei fundo. Não era fúria o que eu sentia. Era outra coisa. Um tipo de calmaria gelada. — Sabe o que é irônico? — perguntei, inclinando um pouco a cabeça. — Minha mãe acreditava que todo mundo merecia redenção. Que todo mundo podia mudar… até você. Ele abriu a boca para falar, mas eu já tinha me afastado, pegando a arma que Pietro deixou na mesa ao lado. — Damon, por favor… — a voz dele ficou mais alta, quebrada. — Eu sou seu tio. Eu sou família. Eu o encarei pela última vez. — Eles eram minha família. Você não é nada. — disse. O som do tiro ecoou pelo galpão, forte, definitivo. Quando eu saí de lá, não senti culpa. Não senti alívio. Senti… nada. E foi exatamente esse nada que me acompanhou pelos anos seguintes. Treze anos depois, o mundo chama isso de foco, frieza, genialidade. Eu chamo de sobrevivência. Hoje, eu sou o Ceo que os jornais adoram exaltar e temer ao mesmo tempo. O homem que transformou o império que herdou em algo ainda maior, mais poderoso, mais agressivo. Comando empresas em vários estados, invisto, compro, derrubo, reconstruo. Meus advogados me chamam de estrategista. Meus inimigos, de psicopata. Não me importo com nenhuma dessas palavras. O que importa é que eu não perco. Nunca. A única exceção à minha regra é Abby. Minha irmã caçula, vinte e três anos, mora comigo na mansão em um bairro nobre de Boston. Ela é tudo o que o mundo já tentou arrancar de mim e falhou: leveza. Enquanto eu olho para os números, ela olha para as pessoas. Enquanto eu faço contas, ela põe música alta pela casa, tenta encher de vida o lugar que, sozinho, eu deixei quieto. Naquela manhã, ela entrou no meu escritório sem bater, como sempre faz, os cabelos soltos, uma xícara de capuccino na mão. — Você devia tentar viver um pouco, Damon. — disse, se encostando à porta. — Não é saudável passar tanto tempo enfiado aqui. Eu não tirei os olhos da tela do notebook. — Viver é perder o foco. — respondi. — E eu não perco. Ela bufou, caminhando até a mesa e colocando a xícara perto de mim. — Você não é uma máquina. — retrucou. — Apesar de às vezes parecer. — Isso é um elogio. — comentei, ainda digitando. — Não, não é. — ela insistiu, cruzando os braços. — Você acha que o papai e a mamãe teriam orgulho de ver você assim? Se trancando nesse escritório, tratando tudo como jogo de xadrez? Eu finalmente ergui o olhar. — Eles teriam orgulho de saber que nada do que construíram foi destruído. — falei, firme. — É isso que eu faço. Eu protejo o que é nosso. Abby me encarou por alguns segundos, como se tentasse atravessar as paredes que eu mesmo construí. — Às vezes eu acho que você protege tanto que esquece de viver dentro disso. — sussurrou. — Mas tudo bem. Alguém aqui tem que ser o humano da casa. Ela saiu, e o silêncio tomou o lugar dela. Eu voltei para o que estava fazendo. Propostas, contratos, e-mails. Era assim que eu mantinha tudo sob controle. Até o meu assistente interfonar. — Senhor Laurent, o senhor Heitor Sanchez está aqui. Ele insiste que é urgente. Heitor Sanchez. Eu já conhecia o nome. Um empresário que um dia foi relevante, agora afundado em dívidas, decisões ruins e más companhias. Um homem em queda livre. — Mande entrar. — respondi. Alguns minutos depois, ele surgiu na porta do meu escritório. Terno amarrotado, olheiras profundas, cheiro de álcool tentando ser encoberto por um perfume caro. Eu reconheço a decadência quando vejo. — Senhor Laurent. — ele cumprimentou, tentando parecer confiante. — Obrigado por me receber sem agendar. — Você me deve muito dinheiro, Heitor. — falei, direto. — Acho que é o mínimo que pode esperar. Ele engoliu em seco, sentando-se à minha frente sem que eu precisasse convidar. — Eu vim justamente falar sobre isso. Sobre a dívida. — começou. — Não tem muito o que falar. — retruquei. — Você contraiu, não pagou, os juros correram. Agora, ou paga, ou perde tudo. Ele esfregou as mãos, nervoso. — Eu… eu não tenho como pagar. Não do jeito que está agora. — admitiu. — A empresa está um caos, os bancos estão em cima de mim, meus bens já não cobrem o valor. Eu o observei com calma. Homens como ele são comuns. Sobem rápido, caem mais rápido ainda. — Então você veio aqui fazer o quê? — perguntei. — Me pedir mais prazo? Desconto? Piedade? Ele respirou fundo, os olhos fugindo dos meus por alguns segundos. — Vim te fazer uma proposta. — disse. — Posso te oferecer algo que vale mais do que dinheiro… pelo menos, para mim. Eu ergui uma sobrancelha. — É mesmo? Ele hesitou, e naquele instante eu soube que seria algo baixo. Algo covarde demais até para um homem desesperado. E ainda assim, ele disse. — Minha filha. O ar pareceu ficar mais pesado. Meu olhar endureceu, mas meus lábios se curvaram em um sorriso lento. Não um sorriso de humor. Um aviso. Porque, naquele exato momento, eu entendi duas coisas… primeiro, que ele não tinha limites. Segundo, que o destino de alguém acabava de ser selado. E dessa vez, não era o meu.Damon Voltar pra casa depois do hospital foi ganhar uma segunda vida. Uma vida com algumas limitações, segundo a minha adorável carcereira grávida.— Você não vai se esforçar. — Angel decretou, assim que pisamos de volta na mansão. — Nada de pegar peso, nada de dirigir por enquanto, nada de…— Nada de fazer amor com você também? — interrompi, indignado. — Porque isso, pra mim, é esforço necessário de sobrevivência.Ela tentou segurar o sorriso.Falhou.— Você precisa se abster de coisas que possam te mandar de volta pro hospital, grandão. — rebateu. — E eu não vou explicar pro médico que você abriu ponto porque não sabe se controlar na cama.Eu sabia que ela estava certa. Não quer dizer que eu gostei. Mas, pela primeira vez na vida, resolvi que valia mais a pena obedecer do que provocar enfarte coletivo na minha família.Alguns dias depois, a intimação chegou. Audiência do julgamento da Aimee. Eu ainda sentia dor nos lugares em que as balas tinham me atravessado, mas fiz questão de
Abby Eu já passei por muita coisa nessa vida. Já vi meu irmão voltar pra casa sujo de sangue que não era dele. Já esperei ligação de madrugada com o coração na mão.Já tive medo real de acordar órfã de irmão, pai, mãe, tudo de uma vez. Mas nenhuma daquelas vezes foi como agora.Damon acordou. Está fora de perigo. Logo vai voltar pra casa. Só essa frase já muda a cor do mundo pra mim.Nos dias seguintes à alta dele, eu praticamente me mudo pro ateliê menor da mansão. Pinto como se a tinta fosse a única coisa capaz de organizar o caos dentro de mim.Damon anda mais devagar pela casa, mas anda. O ombro ainda dói, o peito ainda reclama, mas ele está de pé.Angel sorri mais. Passa a mão na barriga o tempo todo. Hope. Nossa Hope. É como se a casa inteira tivesse respirado de novo.Eu estou no ateliê, concentrada em um quadro que insiste em não sair como eu quero, quando ouço a porta da frente bater diferente.Passos mais pesados. Vozerio rápido dos funcionários ajudando com alguma coisa.
Damon Eu sempre disse que, quando morresse, ia direto pro inferno. Faria sentido. Mas, quando tudo apaga, não é bem isso que acontece.Eu abro os olhos e estou na mansão. Ou numa versão dela. O lugar parece mais… leve. As paredes são as mesmas, a arquitetura é a mesma, mas as cores estão mais vivas, a luz mais clara, o ar menos pesado.Saio pela porta de entrada e vou pro jardim. Até as flores estão diferentes. Mais cheias, mais coloridas, como se alguém tivesse pego um filtro de foto e aumentado a saturação da vida.Eu ando devagar. Se estou morto, não tenho horário. Nenhum compromisso. Nenhum velho do conselho reclamando da minha ausência.Por um breve momento, sinto falta de tudo. Da voz da Angel me chamando de “insaciável”. Da risada da Abby ecoando pelo corredor. Do Pietro reclamando que eu sou imprudente.Mas eu não posso chamar por eles. Não se estou morto. O silêncio é estranho.Eu continuo andando até chegar no meio do jardim, onde a grama é mais baixa e tem um círculo de f
Angel Alguma coisa está errada. Eu sinto antes mesmo de ter prova. Damon disse mais cedo que precisava ir até a delegacia. Que tinha sido chamado pra “esclarecimentos” sobre onde estava na noite em que o Scott “se suicidou”.Antes de sair, ele fez o clássico Damon:— Você não sai da mansão. — decretou. — Nem você, nem a Abby. O tom não deixou espaço pra discussão. Eu até tentei:— Damon, eu…— Angel. — ele cortou. — Só… confia em mim dessa vez. Fica aqui.Ele me deu um beijo na testa, outro na boca, passou a mão na minha barriga, olhou fundo nos meus olhos e foi.A última mensagem que ele respondeu no celular veio menos de uma hora depois:— “Não posso falar agora. A polícia pediu meu celular pra averiguar o que eu disse.”Desde então… nada. Eu mandei:— “Está tudo bem?”Nada.— “Quanto tempo isso vai demorar?”Nada.— “Responde pelo menos um ponto pra eu saber que você está vivo.”Nada.A inquietação virou uma coisa física. Um nó preso no meio do peito. Levanto da cama, desço o c
Damon Eu sempre achei que a parte mais difícil de uma vingança era a espera. Hoje eu sei que não é. A parte mais difícil é continuar vivendo normalmente enquanto tudo se encaixa. Enquanto, por dentro, você está contando os minutos pra ver alguém pagar.A morte do Scott saiu exatamente como planejado, um “eventual suicídio acidental”, embalado em álcool e remédio pra dormir, uma banheira cheia e nenhum sinal de luta. Mesmo assim, a polícia fez o que eu já sabia que faria. Veio até mim. Eu recebi a intimação pra depor com uma calma que teria me assustado anos atrás.Hoje, é só terça-feira. Eles pediram o meu celular. O pessoal. Eu entreguei. Não havia nada ali. Mensagens com a Angel, com a Abby, reuniões de trabalho, fotos do ultrassom, lembretes de consulta.Nada com Leon, nada sobre Scott, nada sobre o plano. Essa parte eu fiz com o celular descartável, que já tinha virado cinza no incinerador há dias.Eu não sou amador.Sentado na sala de interrogatório, eu observo o delegado folh
Damon Tem gente que olha pra uma barriga de oito, nove semanas de gestação e diz que não vê diferença nenhuma.Eu vejo.Vejo a sútil mudança nos quadris da Angel, o jeito como o jeans começa a apertar num lugar que antes não apertava, o modo como a pele dela parece um pouco mais esticada. É devagar, quase imperceptível, mas está lá.Meu filho está crescendo. E eu estou vivendo um dos momentos mais importantes da minha vida.O que pra muita gente seria impossível, um homem como eu, com a ficha que eu tenho, com a cabeça que eu tenho, olhando pra uma barriga e sentindo o peito amolecer, está acontecendo.De um jeito doentio? Talvez. Mas real.Eu acordo e a primeira coisa que faço é olhar pra ela. Quando ela passa por mim, meu olhar desce instintivamente pra barriga.Quando ela está sentada trabalhando, eu arrumo uma desculpa qualquer pra passar a mão ali, como se estivesse ajeitando a camisa, quando, na verdade, estou checando, marcando, registrando.Um centímetro de cada vez.Enquant







