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LVIII - SEMPRE, MINHA LUNA

last update Petsa ng paglalathala: 2026-07-19 13:22:11

As semanas que se seguiram transformaram-se numa névoa densa e contínua, marcada pelo uivo incessante do vento do Norte e pelas mudanças silenciosas no meu próprio corpo. A biologia de Obsidiana era voraz. O que numa gestação humana levaria meses para se revelar, no meu ventre começou a despontar com uma rapidez assustadora. A pequena curva já se fazia notar sob as pesadas camadas dos meus vestidos de lã, um lembrete constante e irrefutável do milagre — e da roleta-russa genética — que eu carre
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  • Vendida ao Monstro do Norte   EPÍLOGO

    O silêncio do Norte nunca foi pacífico; ele era apenas a calmaria tensa que antecedia o bote de uma fera invisível.Anos haviam se passado desde o dia em que as carruagens de Aedan e Lyra desceram a encosta rumo ao exílio dourado no Sul. Desde então, a Fortaleza de Obsidiana havia mudado o seu ritmo. Kael reinava com pulso firme e justo ao lado de Ravena, consolidando o império que Soren e Maeve haviam forjado no sangue. O meu pai e a minha mãe viviam agora numa trégua sagrada com o tempo, desfrutando das sombras da montanha de forma reclusa e quase intocável. E eu... eu havia assumido o único lugar que a minha biologia e o meu temperamento exigiam: Comandante da Guarda de Elite do Norte.Aos vinte e cinco anos, o meu reflexo nos espelhos de prata de Obsidiana já não mostrava o garoto raivoso que atirava pratos contra a parede ou que rosnava por ciúmes infantis. Os cabelos platinados caíam longos sobre os ombros largos, emoldurando um rosto marcado por cicatrizes de patrulhas nas front

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    O sol de inverno despontava preguiçoso por trás dos picos gelados, banhando as pedras escuras da fortaleza com uma luz pálida e prateada. O pátio inferior estava mergulhado num caos organizado, uma sinfonia ruidosa de cascos batendo na pedra, metal tilintando, relinchos nervosos e ordens sendo gritadas pelos comandantes da guarda.Mas, para mim, o mundo inteiro estava mergulhado num silêncio ensurdecedor.As despedidas íntimas haviam acontecido nos corredores internos, longe dos olhares dos lordes e dos soldados. Eu havia abraçado Lyra com uma força desesperada, afagando os cabelos brancos da minha menina, sussurrando contra a bochecha sardenta dela todas as promessas e conselhos que uma mãe poderia dar. Eu pedi que ela fosse forte, que continuasse lendo, que não esquecesse o arco longo e, acima de tudo, que permitisse a si mesma ser feliz no Sul. Ela chorou, as lágrimas quentes molhando o meu pescoço, os dedinhos apertando o veludo do meu vestido como se fosse a última âncora do mund

  • Vendida ao Monstro do Norte   CXXIX - DESPEDIDAS

    O fogo crepitava na lareira da sala de estudos, lançando sombras quentes e dançantes sobre as prateleiras de carvalho maciço e os milhares de pergaminhos que guardavam a história de Obsidiana. O castelo lá fora continuava a sua rotina gélida e militar, mas, dentro daquelas quatro paredes, o tempo parecia ter parado. Não havia Rei, não havia Estrategista, não havia Comandante. Havia apenas uma mãe e os seus dois filhos.Estávamos deitados no chão, sobre os grossos e macios tapetes de pele de urso que forravam a pedra fria. Eu estava no centro, de costas para o chão, fitando o teto abobadado. Torin estava deitado à minha direita, com os braços cruzados atrás da cabeça platinada, enquanto Aedan estava à minha esquerda, de lado, apoiado no cotovelo, observando as brasas com o seu olhar de cobre.Era uma cena idêntica a dezenas de outras que havíamos partilhado quando eles eram apenas filhotes desajeitados, fugindo dos treinos rigorosos de Soren para se esconderem no meu refúgio. Mas agora

  • Vendida ao Monstro do Norte   CXXVIII - A CÚPULA

    O amanhecer trouxe consigo uma claridade fria e implacável que atravessou as pesadas cortinas do meu quarto, mas não trouxe arrependimento. Quando abri os olhos, o peso reconfortante do braço de Aedan ainda repousava sobre a minha cintura, prendendo-me contra o peito largo e quente dele. A marca na base do meu pescoço latejava num ritmo compassado, um lembrete físico e eterno de que eu havia sido reivindicada. O meu sangue cantava, a minha loba estava em paz, mas o ar que respirávamos estava denso com a promessa da tempestade.A minha pele inteira exalava o cheiro dele. Couro, especiarias, ozônio e o gelo cortante do Sul haviam se fundido à minha lavanda de forma irrevogável. Aedan me ajudou a vestir uma túnica de gola alta, os dedos longos dele demorando-se na minha marca com uma reverência quase religiosa, antes de beijar a minha testa. Não havia mais como nos escondermos. Nós caminhamos pelos corredores de Obsidiana lado a lado, as nossas mãos entrelaçadas. A cada passo, eu via as

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    As horas que se arrastaram após o amanhecer foram a tortura mais silenciosa que eu já havia suportado. A nevasca lá fora continuava castigando as muralhas de Obsidiana, uivando como um bando de feras famintas, mas o verdadeiro inferno estava acontecendo dentro do meu próprio corpo.Trancada nos meus aposentos, eu andava de um lado para o outro como um animal enjaulado. A minha pele formigava. O meu sangue parecia espesso, quente demais, correndo pelas minhas veias com uma urgência febril que me deixava tonta. O meu lobo interior estava desperto, arranhando as grades da minha mente, exigindo o macho que a biologia havia escolhido. Eu esfregava os braços, tentando espantar os tremores, mas o cheiro fantasma de Aedan — couro escuro, gelo e especiarias — recusava-se a abandonar os meus sentidos.Quando a noite finalmente caiu, engolindo o castelo numa escuridão profunda, o clique metálico da fechadura da minha porta soou como um tiro.Girei sobre os calcanhares, o coração saltando até a b

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    O amanhecer na Fortaleza de Obsidiana, após a nevasca implacável que castigou a montanha durante a noite inteira, nasceu pálido, silencioso e congelante. O castelo parecia mergulhado num transe profundo, as pedras cobertas por uma espessa camada de gelo branco que refletia a luz fraca do sol de inverno.Aedan caminhava pelos corredores da Ala Leste com passos medidos, silenciosos e absolutamente letais. O Estrategista do Sul não havia dormido. O cheiro de lavanda, pele úmida e desejo ainda impregnava as suas roupas e nublava os seus sentidos, uma lembrança física e torturante da garota de cabelos brancos que ele deixara adormecida, trancada e segura nos aposentos dela, poucas horas antes.O lobo dentro dele estava agitado, arranhando as paredes da sua mente, exigindo voltar, exigindo arrombar aquela porta de carvalho e terminar o que haviam começado. Mas a mente humana, afiada e brilhante de Aedan, sabia que o próximo passo não poderia ser dado no calor dos lençóis. O próximo passo pr

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