Home / Romance / Vendida ao Sheik / Capítulo 4 – Uma Viagem Inesperada

Share

Capítulo 4 – Uma Viagem Inesperada

Author: M Souza
last update publish date: 2025-02-13 12:20:39

Lara Vasconcellos

As horas seguintes foram uma correria. Eu não queria estar ali, e nada fazia sentido para mim, mas de alguma forma eu me vi arrumando a mala, colocando roupas no mínimo desconfortáveis, e me preparando para embarcar em um avião para um lugar tão distante quanto Dubai. Meu pai nunca teve consideração por mim, e agora ele estava me forçando a ir com ele para que eu fosse parte de algo que nem ao menos entendia. Tudo o que eu sabia era que a empresa dele estava à beira da falência, e ele via essa viagem como a última chance de salvar tudo o que ele havia construído.

Eu ainda não entendia como tudo tinha virado um turbilhão tão rápido. A ideia de viajar com meu pai e minhas irmãs para o outro lado do mundo, onde ele teria que negociar com um sheik árabe para salvar a nossa vida de luxo, me parecia uma piada cruel. Mas as palavras de meu pai ainda ecoavam na minha cabeça. Eu não tinha escolha.

Arrumei minha mala com a cara fechada, o peso de todas as minhas frustrações se acumulando a cada peça de roupa que eu dobrava. Minhas irmãs estavam tão empolgadas com a viagem que mal conseguiam conter os sorrisos. Elas adoravam tudo o que a grana de meu pai podia proporcionar, e estavam mais do que prontas para se entrosar com a alta sociedade de Dubai. Eu, por outro lado, só pensava no quanto queria sair dali.

O dia da viagem finalmente chegou. Como sempre, meu pai não se importou com o fato de eu não querer estar lá. Ele apenas me empurrou para dentro do carro e mandou que eu me comportasse. Chegamos ao aeroporto, e ao nosso lado estavam alguns amigos do meu pai, também empresários e parceiros de negócios. Eu só conseguia olhar para o chão, não queria interagir com ninguém.

Quando chegamos ao hotel em Dubai, o cenário era um espetáculo de opulência. Um prédio imenso, com uma arquitetura deslumbrante, se erguia diante de nós. Era um dos maiores e mais luxuosos de Dubai, e eu não pude deixar de me sentir completamente deslocada. Não era o meu mundo. O cheiro do lugar, os trajes das pessoas, o som daquelas vozes, tudo aquilo me parecia surreal. E, no entanto, ali estava eu, com uma obrigação que eu não pedi e que me fazia sentir como uma peça de um tabuleiro de xadrez onde meu pai tentava fazer seu movimento final.

Meu pai, com um sorriso no rosto, mandou que minhas irmãs se arrumassem rapidamente. O evento de negócios estava prestes a começar, e ele queria que todos estivessem prontos.

— Precisamos causar uma boa impressão. O homem com quem estamos negociando valoriza a família. Então, comportem-se e se arrumem para o evento.

As palavras dele não eram mais do que uma formalidade. Como se eu realmente fosse fazer alguma diferença na imagem da família. Minhas irmãs, já acostumadas com a ideia de agradar aos outros, começaram a se vestir com os vestidos mais caros, já sabendo que ali era o momento para brilhar. Eu, por outro lado, tinha uma única preocupação.

— Pai, eu preciso perguntar. Eu realmente preciso ir para esse evento?

Eu tentei falar de maneira calma, mas a ansiedade se espalhava em minha voz.

Ele respirou fundo e me olhou, seus olhos frios e calculistas.

— Lara, você vai porque eu estou tentando salvar essa família. Você, de todos, sabe o quanto a situação está difícil. Não me faça perder tempo. Se você não for, vai ter que arranjar um lugar para morar, porque não temos mais o que oferecer a você. Eu não quero que você seja a filha que destrói tudo.

Eu respirei fundo. Aquela conversa sempre era a mesma. Eu nunca podia questionar ou pedir explicações.

O que mais me deixava irritada era o fato de que ele nem tentava me explicar nada direito. Tudo o que ele dizia era uma ordem. Como sempre. Eu não era nada para ele, a não ser uma responsabilidade que ele queria ver longe, mas ao mesmo tempo próxima o suficiente para ser útil em suas jogadas de poder.

Minhas irmãs já estavam prontas, e então fui obrigada a me arrumar. Como sempre, meu pai não se importou com o fato de eu não ter roupas caras. O mais frustrante era que ele nunca se lembrava de me dar o que eu precisava.

Olhei para meu armário, sentindo a falta de algo que se encaixasse no evento. Eu não tinha o que vestir. Não tinha roupas de grife como minhas irmãs, não tinha dinheiro para bancar um estilo de vida como o delas. O que eu tinha eram roupas simples, comuns.

Aí ele entrou no quarto, sua expressão impassível como sempre.

— Por que você está vestida assim? Vai ficar com essa roupa para o evento?

Ele me olhou de cima a baixo, claramente desapontado com o que eu estava usando.

— Eu não tenho roupas caras como as suas filhas, pai. Você nunca me deu um cartão de crédito, então não tenho como comprar vestidos da Prada e nem nada disso.

Ele franziu a testa.

— Isso não é problema meu. Se você não tem o que vestir, a Bianca pode te emprestar um vestido.

Eu sabia que Bianca jamais me emprestaria nada, mas meu pai não estava disposto a ouvir meus argumentos.

— Bianca, empresta um vestido para sua irmã! — ele gritou.

Bianca, com um sorriso debochado, recusou.

— Eu não vou emprestar nada para ela. Ela pode se virar sozinha, não sou responsável por ela.

Mas o meu pai não gostava de recusas.

— Se você não emprestar o vestido, não vai ganhar nem um centavo para comprar aquele anel da Tiffany, e muito menos um vestido da Prada. Então, se acerte logo com sua irmã.

A ameaça foi suficiente. Bianca resmungou, mas subiu as escadas e, alguns minutos depois, desceu com um vestido preto deslumbrante. Era simples, mas muito elegante, e eu sabia que ele valia mais do que tudo o que eu tinha.

— Aqui. Não pense que é um favor.

Eu vesti o vestido e, quando olhei no espelho, vi uma versão minha que nunca imaginei que existisse. Era uma Lara diferente, talvez até mais bonita. Mas, ao mesmo tempo, me sentia desconfortável naquele mundo. Eu não pertencia ali.

Quando saímos de casa, a cidade de Dubai se revelava mais e mais fascinante. Chegamos ao prédio imenso, onde o evento aconteceria. Tudo ao meu redor parecia uma fantasia, e, ao mesmo tempo, uma prisão. Eu não conseguia me sentir em casa. O luxo, a pompa, a ostentação… era tudo tão distante de mim.

Dentro do evento, as conversas começaram. Meu pai e seus amigos estavam em destaque, discutindo negócios com homens de terno, enquanto nós, as "filhas", ficávamos de lado. Natália e Bianca, sempre espertas, saíram para dar uma volta, explorando o que o evento tinha a oferecer. Eu, por outro lado, fiquei sozinha, observando tudo à minha volta.

Foi quando um homem se aproximou de mim.

Ele era alto, imponente, com uma presença tão forte que parecia que todos à sua volta estavam se curvando a ele. Os olhos dele, de um tom escuro e penetrante, me observaram fixamente, e eu me senti desconfortável. Ele era muito mais novo do que eu imaginava, talvez seus 26 anos, mas sua aparência era impecável, e ele exalava confiança e poder.

Eu tomei um susto, e, instintivamente, dei alguns passos para trás. Foi então que meu pai, ao me ver, se aproximou.

O homem se inclinou ligeiramente.

— Eu sou Khaled Rashid. O prazer é meu.

Meu pai, sempre interessado em negócios, sorriu imediatamente.

— Ah, Khaled, que bom vê-lo! Este é o homem com quem eu estava falando sobre a parceria com a nossa empresa.

Khaled olhou para mim e para minhas irmãs, mas seus olhos permaneceram fixos em mim. Ele fez um gesto com a mão para que minhas irmãs se aproximassem também, e, como um reflexo, elas se aproximaram. Mas o que mais me incomodou foi o fato de que ele não tirava os olhos de mim.

Ele era um homem de poder, mas o olhar dele me fez sentir pequena. E, ao mesmo tempo, eu não podia deixar de me perguntar o que ele queria de mim.

— Vamos conversar sobre os detalhes da parceria na sala privada, Alberto.

Meu pai acenou com a cabeça, e, juntamente com seus amigos, seguiu para a sala privada, deixando-me ali, com aquele olhar penetrante de Khaled fixo em mim. O que ele queria?

Continue to read this book for free
Scan code to download App
Comments (6)
goodnovel comment avatar
Lucia Maria
hum vai vendo
goodnovel comment avatar
Cristina Leocadio
ele já escolheu sua companheira
goodnovel comment avatar
Joaquim Domingues
boa bora deixa cair minha recompensa que já está arrasada atrasada
VIEW ALL COMMENTS

Latest chapter

  • Vendida ao Sheik   224

    LiaraAcordei assustada e com uma dor de cabeça terrível. Provavelmente era consequência de tantas horas chorando. Bastou abrir os olhos para as lembranças da noite anterior voltarem de uma vez, fazendo meu estômago se revirar. Sentia nojo só de pensar no que aquele desgraçado havia feito comigo. Ainda não conseguia acreditar que ele teve coragem de matar minha mãe diante de mim e, depois, ultrapassar todos os limites daquela maneira. Pelo visto, Raj já não exercia o mesmo controle de antes sobre os próprios filhos, porque Ali havia se transformado em algo ainda pior do que eu imaginava. Mas aquilo não terminaria daquela maneira. Eu podia estar ferida, sem território e sem saber sequer o que restava da minha antiga vida, mas continuava viva. Ali pagaria pelo que fez. Eu encontraria uma maneira de destruir tudo o que ele ainda possuía.Sentei-me na cama com dificuldade e tentei entender onde estava. As lembranças chegaram aos poucos. A estrada, a motocicleta, o homem que havia parado p

  • Vendida ao Sheik   223

    AbbasTenho vinte e três anos e sou filho de Ebraim e Viyan. Sou aquele filho que nasceu algum tempo depois de toda a confusão que aconteceu quando minha mãe descobriu uma nova gravidez. Enfim, esse sou eu. Com o passar dos anos, assumi o lugar do meu pai e hoje sou responsável pelos territórios e negócios que antes estavam sob o comando dele em Dubai. Comando tudo com mão de ferro, não tenho muita paciência e aprendi cedo que, no nosso mundo, qualquer demonstração de fraqueza pode custar muito caro. Naquela noite, eu estava voltando de uma reunião com Karim. Ele havia descoberto que teríamos problemas com uma delegada e queria minha participação para eliminá-la antes que ela prejudicasse nossos negócios. Foi durante o caminho de volta que encontrei uma mulher completamente ferida e coberta de sangue. Eu sabia que não deveria me envolver em problemas que não eram meus, principalmente naquele momento, mas também não conseguiria simplesmente deixá-la naquele estado. Levei-a para uma clí

  • Vendida ao Sheik   222

    AliQuando vi a fotografia da filha de Pashir aparecendo nos noticiários, fui imediatamente chamar meu pai e minha irmã. Nós três ficamos observando a televisão e acabamos rindo da situação, porque aquilo certamente estava causando problemas para eles. Não significava que seria suficiente para atrapalhar nossos planos, mas qualquer distração naquele momento trabalhava a nosso favor. Fashan provavelmente estaria ocupado demais para ajudar Liara, e isso significava que ela poderia finalmente ter baixado a guarda. Eles esperavam que nós atacássemos imediatamente, movidos pela raiva, mas fizemos exatamente o contrário. Esperamos. Precisávamos nos recuperar, reorganizar nossos homens e escolher o momento certo. Minha mãe continuava mantendo distância de nós porque dizia que havíamos perdido completamente o juízo, mas ninguém naquela sala estava interessado na opinião de Sasha.— Os homens já estão preparados. Podemos avançar quando você ordenar — Maia avisou.Raj permaneceu sentado, observ

  • Vendida ao Sheik   221

    KarimEla estava sentada na cadeira à minha frente, as mãos presas. Os olhos arregalados, como quem ainda tentava entender o motivo de estar ali. Eu me sentei sem pressa. Queria que ela visse o peso daquela sala. Queria que entendesse que aquilo não era conversa de bar. A família da amiga dela tinha atacado a Kinza. Tinham colocado o rosto da minha mulher na televisão. Tinham tentado levá-la como se ela fosse criminosa. E agora eu precisava saber até onde a Dina estava limpa.Se ela colaborasse, saía. Se não colaborasse, eu não ia poder deixar uma ponta solta. Uma morte a mais. Só de pensar nisso o estômago revirou. Eu não queria isso. Mas também não ia arriscar a Kinza de novo.— Você está aqui porque a família da Rania atacou a Kinza — comecei, com a voz baixa. — Acho que você já sabe. O rosto dela está em todos os noticiários. E isso é uma injustiça. Ela não tem nada a ver com o que a gente faz. Não trafica, não comanda, não carrega arma. Só estuda. Só tenta viver. Mas a Rania não

  • Vendida ao Sheik   220

    KarimAssim que eles entraram, peguei o rádio e pedi que levassem a Dina para a sala da base. Eu precisava voltar para casa e conversar com ela. Estava furioso e ela ia ter que me passar o endereço da Rania e tudo o que soubesse. O pior era que agora eu nem sabia se podia deixar a Dina permanecer. Qualquer pessoa ligada àquela mulher deixava de ser confiável. Mas eu também não podia sair expulsando morador. Isso passaria a imagem errada. Pelo menos não agora.Quando responderam que ela já estava na sala, respirei fundo e me sentei. Não havia muito o que fazer naquele momento. Eu precisava manter a calma para ajudar da melhor forma. Se eu perdesse o controle, não ia resolver nada. Só ia piorar. Agora era hora de agir com cálculo, não por impulso.O Pashir demorou. Fiquei do lado de fora tentando me conter. A cada minuto eu me sentia mais culpado pelo que tinha acontecido com a Kinza. No fundo, a culpa era minha. Eu me envolvi com aquela mulher e agora ela fez mal à minha namorada. Eu n

  • Vendida ao Sheik   219

    KarimQuando o Pashir me ligou, fiquei desacreditado de que isso estava acontecendo com a Kinza. Mas foi só ligar a televisão que eu acreditei. Eu não acredito que eles tiveram coragem de expô-la desse jeito. Eu não acredito que tiveram coragem de acabar com a vida dela só porque eu não quis a Rania. Isso tudo por causa de uma menina mimada… ou melhor, por causa de uma mãe mimada que acha que pode destruir a minha vida e a vida da minha namorada porque a filha dela foi parar no hospital por fazer merda. Não é possível.É claro que eu tive que reunir uma tropa para vir até a área da família dela. Quando cheguei, não falei nada. Vim direto para o hospital. Na recepção, bati de frente com o Pashir. Ele estava sentado, tremendo. Aproximei-me devagar e falei:— Me diz que está tudo bem com ela. Me diz que o tiro que ela levou foi de raspão. Me diz que o médico já falou que ela está bem, que está fora de perigo, pelo amor de Deus.Ele me encarou durante alguns segundos, respirou fundo e fal

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status