FAZER LOGINPOV JADE:
– Gustavo, aqui estão as peças que me ped... – ela interrompe a frase ao se recompor, visivelmente irritada. – Olha por onde anda.
– Desculpe – respondo automaticamente, ainda distraída.
Mas então ela me olha de verdade.
E o reconhecimento vem.
– Você?
Levanto os olhos, surpresa.
– Juliana?
O choque no rosto dela não é exatamente positivo.
– O que você está fazendo aqui?
Antes que eu possa responder, a voz de Gustavo surge atrás de nós, firme, resolvendo a situação com uma naturalidade que me deixa sem reação.
– Jade será a nova estagiária-assistente. Trabalhará diretamente para a presidência.
Juliana pisca, claramente tentando processar aquilo.
– Vou trabalhar com a senhora Miranda Miller? – pergunto, antes mesmo de pensar melhor.
E é só depois de falar que a ficha finalmente cai.
Miranda.
A mulher do café.
Minha respiração falha por um segundo.
Como eu não percebi?
Sinto o calor subir pelo rosto, uma mistura de vergonha e incredulidade. Aquela mulher... aquela presença... e eu não reconheci. Não apenas uma figura importante, mas uma referência. Uma musa.
Mas, em minha defesa, eu estava longe de estar em condições normais naquele momento. Entre o pedido absurdo de Gustavo e todo o resto da minha vida... reconhecer alguém famoso não era exatamente minha prioridade.
– Não, Jade – Gustavo responde, interrompendo meus pensamentos. – Você trabalhará comigo. Eu sou o CEO.
– Ah...
É tudo o que consigo dizer.
– Já que se conhecem – ele continua, voltando-se para Juliana – leve-a ao RH para finalizar a integração.
– Tudo bem, Gustavo – o tom dela muda completamente, tornando-se mais suave, quase... forçado.
Aquilo não passa despercebido.
– Senhor Miller – digo, antes de sair – posso trocar de roupas antes?
Ele me olha por um instante.
– Pode ficar com elas. Considere um presente de boas-vindas.
O peso daquilo me atinge de novo.
Presente.
– Obrigada.
Assim que saímos da sala, o silêncio entre mim e Juliana dura poucos segundos antes de se romper, não com neutralidade, mas com algo muito mais ácido.
– Como alguém como você conseguiu um emprego aqui?
O tom dela é carregado de desprezo, sem qualquer tentativa de disfarce.
Viro o rosto lentamente.
– Alguém como eu?
Ela solta um pequeno riso, sem humor.
– Sim. Com essa aparência... comum – a pausa que ela faz é intencional – e pobre.
Sinto a pontada, mas não deixo transparecer.
– Estou aqui pelas minhas qualificações. Não pela minha aparência.
– Não sei o que você fez naquela entrevista – ela continua, aproximando-se um pouco – se seduziu o Gustavo... ou o Guilherme.
Dessa vez, eu sorrio. Fraco. Controlado.
– Seduzir? Não sou como você.
O olhar dela endurece imediatamente.
– É melhor você ficar de boca fechada, Jade – ela diz, em um tom mais baixo, quase venenoso. – Ou eu faço questão de garantir que você nunca seja efetivada.
Ela aponta para a porta.
– RH.
E então acrescenta, antes de se afastar:
– Não vou te desejar boa sorte. Não vai precisar.
Fico parada por um segundo, observando-a ir embora. Sozinha.
Juliana foi a primeira pessoa que se aproximou de mim na faculdade. Lembro perfeitamente de como achei aquilo estranho na época, alguém como ela, interessada em alguém como eu. Mas, com o tempo, tudo começou a fazer sentido... ou melhor, a perder o sentido.
Ela sempre sabia o que cairia nas provas. Sempre tirava notas altas com o mínimo de esforço. No começo, admirei. Depois, desconfiei. Até que perguntei.
E a resposta foi pior do que eu imaginava.
Juliana não estudava.
Ela negociava.
Dormia com professores em troca de notas.
Quando tentei fazê-la parar, quando disse que aquilo era errado, antiético... fui eu quem pagou o preço. Ela não apenas ignorou, ela virou aquilo contra mim. Espalhou rumores. Me colocou na mesma posição.
E eu tive que mudar de turno.
Foi assim que passei a estudar à noite.
Foi assim que comecei a me afastar de tudo que pudesse me comprometer.
E agora...
Ela está aqui.
– E então? Como foi?
A voz de Melissa me puxa de volta ao presente enquanto retiro minhas coisas do armário disponibilizado pela empresa.
– Eu consegui.
Ela sorri imediatamente, como se já soubesse.
– Eu sabia. Assim que bati os olhos em você.
Sinto algo aquecer no peito.
– Obrigada, Melissa. Estou muito feliz... de verdade.
– Mel – ela corrige com leveza. – E não se preocupe com a Juliana. Todo mundo aqui sabe exatamente quem ela é.
Isso me surpreende.
– Ela não vai te causar problemas.
Assinto, ainda absorvendo aquilo.
– Obrigada... de verdade.
Ela me observa por um instante, como se avaliasse algo.
– Quer sair para comemorar hoje?
Hesito.
– Eu não sei... trabalho cedo amanhã.
– Jade – ela me interrompe, com um sorriso firme – você precisa comemorar. Tem gente que daria tudo para estar no seu lugar.
Eu sei.
Mas ainda assim...
– Eu sei, mas...
– Sem “mas”.
Antes que eu possa reagir, ela pega meu celular e digita algo.
– Aqui. Meu número. Te encontro no clube aqui perto.
Ela já está saindo quando completa:
– Não me deixe esperando.
E vai embora.
Dirijo até a casa da Dani com a cabeça cheia demais para acompanhar tudo o que aconteceu no dia. Assim que estaciono, ela já está na porta, esperando, como se não conseguisse ficar parada.
– E então? – ela dispara antes mesmo de eu fechar o portão. – Conseguiu?
– Consegui.
E, no instante seguinte, estamos nos abraçando.
– Eu sabia!
O orgulho na voz dela me desmonta mais do que qualquer outra coisa.
– Você tem que comemorar – ela continua. – Eu não posso ir por causa do João, mas você merece isso.
Ela some no quarto e volta com um envelope.
– Toma.
Abro.
Dinheiro.
– Dani... eu não posso aceitar.
– Pode sim – ela corta. – E vai continuar trabalhando aqui, se quiser... mas só se ficar com isso.
– Dani...
– Estou falando sério.
Olho para ela por um segundo.
E cedo.
– Obrigada.
– Aliás, e essas roupas? Sei que não são minhas e, a julgar pela qualidade, custam uma pequena fortuna.
Dani cruza os braços, apoiando o peso do corpo em uma das pernas enquanto me observa com aquele olhar atento que sempre parece enxergar além do que eu digo. Não é curiosidade vazia, é cuidado. Sempre foi. E talvez seja por isso que a pergunta dela pesa mais do que deveria, porque não é apenas sobre roupas. É sobre tudo o que veio junto com elas.
– O senhor Miller me desafiou a montar um look de editorial... – respondo, tentando manter o tom leve, como se aquilo não tivesse sido uma prova, um teste, uma armadilha elegante. – No final, disse que eu poderia ficar com as roupas.
Vejo o instante exato em que o nome se conecta na mente dela.
– Miller?
Há surpresa, mas também algo mais sutil... um alerta.
– Sim. Gustavo Miller, nosso cliente do café. Acredita?
Dani solta um pequeno riso, mas não é exatamente de humor. É aquele tipo de reação de quem entende o tamanho da situação antes mesmo de colocar em palavras.
– Nunca imaginei.
– Nem eu – admito, e dessa vez não há esforço em esconder o quanto aquilo ainda parece irreal.
Por um breve segundo, o silêncio se instala entre nós, mas não é desconfortável. É carregado. Como se ambas estivéssemos avaliando, cada uma à sua maneira, o que aquilo significa. Porque não são só roupas. Não é só um emprego. É uma porta. E portas, eu aprendi cedo, podem tanto levar à liberdade quanto ao abismo.
Dani suspira, como se decidisse não aprofundar aquilo agora.
– Bom... acho melhor você ir para casa se arrumar para aproveitar. Você precisa conhecer gente da sua idade e se divertir um pouco, Jade. Ainda tem a cópia das chaves daqui de casa?
Assinto, segurando mais forte a alça da bolsa, como se aquele pequeno gesto me ancorasse.
– Tenho sim, por quê?
Ela me encara com firmeza, e dessa vez não há suavidade no olhar.
– Dorme aqui quando sair da balada. Dependendo da hora que você voltar, Sérgio estará em casa... melhor não arriscar.
O nome dele cai como uma sombra entre nós. Sempre cai.
Engulo em seco, mas sorrio mesmo assim.
– Obrigada, Dani. Você é um anjo.
E ela é. Talvez a única coisa realmente boa que me aconteceu nos últimos anos.
Depois de me despedir, saio com a sensação estranha de estar vivendo dois mundos ao mesmo tempo. Um onde tudo continua exatamente igual: perigoso, sufocante, previsível; e outro onde, de repente, possibilidades começam a surgir. E isso, de alguma forma, me assusta mais do que qualquer coisa.
Decido ir para casa enquanto ainda é cedo. Conheço os horários de Sérgio melhor do que gostaria, e sei que a essa hora ele deve estar no bar, afogando qualquer resquício de consciência em álcool barato. Caminho rápido, sempre atenta, como se a qualquer momento algo pudesse dar errado, porque, na minha experiência, geralmente dá.
No caminho, paro em uma loja simples, daquelas onde o cheiro de tecido novo se mistura com o de plástico e tinta. Nada ali grita luxo, mas não é isso que procuro. Nunca foi. Escolho algumas peças básicas, pagas com o dinheiro que Dani me deu – e mesmo aceitando, sinto aquele incômodo familiar no peito, como se estivesse sempre devendo algo ao mundo.
Volto para casa e tranco a porta atrás de mim, respirando fundo antes de finalmente relaxar os ombros. O silêncio é quase estranho. Aproveito.
Espalho as peças sobre a cama e começo a trabalhar.
O cropped preto de mangas compridas e gola alta é simples demais do jeito que está. Pego a tesoura e corto na altura do peito com precisão, como se cada movimento fosse ensaiado. Ajusto a barra, embainho com cuidado para que não desfie, transformando o que era básico em algo intencional. Faço o mesmo com a gola, adicionando pequenos botões na parte de trás, não apenas pela estética, mas pela funcionalidade. A saia de couro falso ganha uma fenda lateral, discreta o suficiente para não ser vulgar, marcante o suficiente para não passar despercebida.
Dou um passo para trás e observo.
– Perfeito.
Me arrumo com calma, como se aquele momento fosse um ritual. As botas de bico fino alongam a silhueta, os cabelos ondulados caem pelos ombros com uma leveza calculada, e a maquiagem – mínima – deixa o destaque para o batom vermelho. Forte. Decidido. Quase como uma armadura.
Quando termino, me encaro no espelho por alguns segundos a mais do que o necessário.
Não é só aparência.
É quem eu poderia ser.
Com o dinheiro que Dani me deu, peço um carro por aplicativo, um pequeno luxo que normalmente não me permitiria e, durante o trajeto, observo a cidade pela janela. Luzes, pessoas, vidas acontecendo. Tão diferentes da minha... ou talvez nem tanto.
Quando chego, Melissa já está me esperando.
– Incrível – ela diz assim que me vê, e o sorriso dela é genuíno. – Seu look está perfeito, Jade. Ousado, sensual e jovial, tudo na mesma medida.
Sinto um leve calor subir pelo meu peito, não de vergonha, mas de algo que esqueci como era: orgulho.
– Obrigada.
– Não precisa agradecer – ela responde, já se virando para caminharmos juntas. – Você é linda, fica bonita em qualquer roupa, tenho certeza.
Solto uma pequena risada, mas não corrijo. Hoje, não.
– Obrigada, Mel... sério. Você me ajudou muito hoje. É muito bom saber que posso contar contigo.
Ela me lança um olhar de canto, quase cúmplice.
– O mérito é todo seu, sabe disso, não é? Eu apenas dei um pequeno toque.
– Um toque imprescindível.
Ela sorri, satisfeita, e me entrega um copo com um líquido rosa que parece tão leve quanto o momento – mas eu sei que nem tudo que parece leve é inofensivo.
– Caipirinha de frutas vermelhas. Já bebeu?
Seguro o copo com cuidado, observando as pequenas bolhas subindo à superfície.
– Eu nunca bebi.
Ela ergue o próprio copo, esperando.
– Bom... então um brinde ao seu sucesso – diz, com um brilho nos olhos – e às primeiras vezes.
Hesito por um segundo.
Não pelo drink.
Mas por tudo que ele representa.
Ainda assim, encosto meu copo no dela..
POV JADE:O avião pousa no Brasil no início da manhã, depois de horas suficientes para que eu tivesse tempo de dormir, acordar e, ainda assim, sentir que a viagem havia passado rápido demais.Eu estava ansiosa para voltar, isso é fato, e admito que parte de mim também estava ansiosa para encontrar alguém.Assim que atravessamos o desembarque, Melissa segue ao meu lado, empurrando o carrinho com suas malas enquanto conversamos sobre tudo o que ainda precisamos organizar antes de apresentar o relatório da viagem. Foram dias intensos, cansativos, muito mais produtivos do que eu poderia imaginar e muito gratificantes. Voltamos com fotografias, contatos de fornecedores, amostras de tecidos, referências de modelagem e páginas e mais páginas de anotações que provavelmente passarei o próximo mês transformando em relatórios.Mas, apesar de tudo isso, existe uma única coisa ocupando espaço demais na minha cabeça:Gustavo.Meu celular vibra dentro da bolsa e meu coração acelera antes mesmo de ol
POV JADE:Os três pontinhos aparecem quase imediatamente.Ele está digitando.Param. Voltam. Param outra vez.Por algum motivo, sorrio ao imaginar Gustavo Miller apagando mensagens, tão ansioso quanto eu. O homem que sempre parece saber exatamente o que dizer também pode ficar sem palavras.Finalmente, a resposta chega.Noivo: Achei que você gostasse de desafios.Rio baixinho.Eu: Depende do desafio.Dessa vez ele demora um pouco mais.Noivo: Então vou reformular.Meu coração dispara antes mesmo de ler o restante.Noivo: Você está feliz?Permaneço imóvel.Ainda é tudo estranho, novo. Mesmo depois de uma semana inteira trocando mensagens, essa é, de longe, a pergunta mais simples e, ao mesmo tempo, a mais difícil.Olho novamente para a cidade iluminada diante de mim. Penso em tudo o que aconteceu desde que desembarquei. Nas lojas, tecidos, nas conversas com Melissa, nos lugares que jamais imaginei conhecer. Na liberdade de caminhar pelas ruas sem olhar constantemente para trás. E, prin
POV JADE:Faz uma semana que estamos no Japão.Se alguém tivesse me perguntado, há um mês como eu imaginava uma viagem internacional, provavelmente responderia que seria repleta de fotografias, pontos turísticos e compras. Mas a realidade acabou sendo muito diferente. Desde que desembarcamos em Tóquio, Melissa e eu praticamente atravessamos a cidade inteira.Visitamos grandes magazines, pequenas lojas escondidas em vielas estreitas, bairros especializados em moda de rua, ateliês familiares que existem há gerações, fábricas de tecidos e feiras onde cada banquinha parecia guardar uma nova possibilidade para a próxima coleção da Miranller.No começo, tudo parecia grande demais para mim. Agora, curiosamente, começo a reconhecer algumas ruas. Já sei qual estação de metrô leva até Harajuku, qual cafeteria faz o melhor matcha que experimentei até hoje e até consigo cumprimentar alguns vendedores em japonês antes que Melissa precise assumir a conversa.Sorrio sozinha.Talvez eu realmente este
POV GUSTAVO:Já é quase madrugada e eu continuo trabalhando.O prédio comercial onde funciona a empresa está praticamente vazio agora, só restam os seguranças.Há uma pilha de contratos sobre a mesa, mas sou incapaz de me concentrar.Sem pensar muito, abro novamente um das fotografias que Melissa enviou, aquela em que Jade está usando o conjunto inspirado em quimono.Olho por alguns segundos, então amplio a imagem, focando em seu rosto.Sorrio.Nesse momento, a porta se abre e me surpreendo ao ver Gilbert Miller entrando no escritório. Ele olha para mim, depois para o celular em minhas mãos e volta a olhar para mim.Então meu pai diz apenas:– Sua mãe tinha esse mesmo sorriso quando olhava uma fotografia minha.Eu travo. E como uma criança pega roubando a sobremesa antes do jantar, tento esconder o celular.Meu pai apenas ri.– Você finalmente encontrou alguém.– É complicado.Respondo automaticamente, sabendo que é impossível esconder algo de Gilbert Miller, tanto quanto é difícil es
POV JADE:Olho novamente para o restaurante.De repente, algumas coisas fazem sentido. A reverência ao entrar. O jeito natural como Melissa conversa em japonês. A facilidade com que escolheu aquele lugar.– Então vocês sempre vieram para cá?Ela assente.– Não todos os anos, mas algumas vezes. Principalmente quando éramos crianças. O vovô dizia que era importante lembrar de onde viemos, mesmo tendo nascido do outro lado do mundo.Ela sorri ao recordar.– Mamãe fazia questão de trazer a gente para visitar os parentes, participar dos festivais, conhecer templos... Aprendemos que tradição não serve para prender ninguém ao passado. Serve para lembrar quem você é quando o mundo tenta te convencer do contrário.As palavras se enraizam em minha mente. Talvez porque eu tenha passado tantos anos tentando esquecer quem eu era apenas para sobreviver.Ela continua:– Gustavo odiava algumas dessas viagens.Rio, surpresa.– Sério?– Principalmente quando começou a estagiar na empresa.Ela dá de omb
POV JADE:Talvez seja por isso que só percebo o peso deixando meus ombros quando Melissa volta a falar.– Posso te fazer uma pergunta?Olho para ela.– Claro.Ela gira lentamente os hashis entre os dedos antes de erguer os olhos para mim.– Você gosta mesmo do meu irmão... ou ainda está tentando descobrir isso?A pergunta me pega completamente desprevenida. Minha respiração vacila. Ela quer saber sobre nós. Mas eu também não tenho certeza da resposta.– Tudo bem, vou reformular a pergunta – ela diz, como se lesse minha mente.Olho para ela.Agora Melissa gira lentamente a tigela enquanto olha para mim.– Como tudo isso aconteceu?Franzo a testa.– O quê?– Você e o Gustavo.Meu coração vacila.Por um segundo pensei o pior, que ela sabia sobre nossa farsa.Ela sorri de leve.– Sei que não deveria perguntar... mas ninguém na família consegue entender.Dou uma risada sem graça.– Não aconteceu nada muito extraordinário.– É justamente isso que me intriga – ela apoia um dos cotovelos sobr







