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Capítulo 6:

Penulis: Gio Aguiar
last update Tanggal publikasi: 2026-04-25 02:14:31

POV JADE:

– Não precisamos de palavras, senhorita Baumer. Queremos atitudes.

A voz grave corta o ambiente, e meu corpo reage antes mesmo de eu conseguir impedir. Viro o rosto imediatamente.

– Gustavo? – o nome escapa em um sussurro, carregado de surpresa demais para ser contido.

Ele se posiciona ao lado da mesa com naturalidade, como se sempre tivesse estado ali, como se aquele fosse o lugar mais óbvio do mundo para ele estar. Um leve arqueamento de sobrancelha, um traço de diversão no olhar... ele claramente não esperava que eu reagisse de forma tão evidente – ou talvez esperasse exatamente isso.

– E então? – ele diz, como se nada fosse incomum.

Por um segundo, sinto o chão oscilar sob meus pés. Mas algo dentro de mim se recusa a recuar novamente. Não aqui. Não agora.

– Então me prove, senhor Miller.

As palavras saem firmes, mais firmes do que eu me sinto, e isso me surpreende. Mas não volto atrás.

Se ele quer um jogo...

Então eu jogo.

Eu sei que a empresa pertence à família Miller. Sei dos nomes que aparecem nas revistas, nas entrevistas, nas histórias de sucesso – Miranda, Gilbert... mas o nome de Gustavo nunca esteve ali, pelo menos não da forma visível. E ainda assim, ele está aqui. Tomando decisões. Interferindo diretamente.

– Muito bem – ele diz, e há algo na forma como me encara que não é apenas avaliação profissional. – O que você acha que consegue fazer?

Endireito a postura, afastando qualquer resquício de hesitação.

– O que o senhor quiser testar.

Ele b**e levemente o indicador na mesa, sem tirar os olhos dos meus.

– Vamos ao estúdio. Quero que você monte um conjunto voltado para editorial de moda.

– Um estilo editorial? – confirmo, mais para organizar a tarefa do que por dúvida.

– Não foi o que eu disse? – o tom vem firme, quase desafiador.

Sustento o olhar.

– Sem problemas, senhor Miller.

O caminho até o estúdio é silencioso, mas não vazio. A presença dele ao meu lado cria uma tensão constante, como se cada passo fosse observado, calculado. Quando ele abre a porta, o que encontro do outro lado faz meu coração acelerar – não de medo, mas de reconhecimento.

Possibilidade.

O espaço é enorme, organizado, repleto de peças que vão do clássico ao contemporâneo, tudo disposto com uma lógica que só quem vive moda entende completamente. É mais do que um closet.

É um universo.

– Isso é incrível – escapa antes que eu possa conter.

– Sim – ele responde, simples. – E você tem vinte minutos.

Vinte minutos.

– Volto ao final do tempo.

E então ele sai.

Sem olhar para trás.

Sem suavizar a pressão.

Por um segundo, fico parada.

Respirando.

Sentindo.

Muito bem.

É agora.

Não há espaço para dúvida, para medo, para erro. Tudo o que eu sou, tudo o que aprendi, tudo o que suportei até aqui precisa aparecer nesses próximos minutos.

– Aqui vou eu.

Começo a me mover com decisão, analisando as peças, tocando tecidos, imaginando combinações. A essência da marca é clara: elegância silenciosa, luxo que não precisa se afirmar, tradição refinada. Mas isso não significa estagnação.

Escolho um vestido preto de mangas três quartos com gola lapela – clássico, estruturado, seguro. Mas é a fenda lateral que quebra isso, que traz movimento, que insinua sem exagerar. O cinto de pérolas douradas adiciona textura e valor, enquanto o scarpin preto com detalhes dourados conversa diretamente com essa linguagem sofisticada.

Os acessórios precisam equilibrar.

Choker fina em ouro.

Brincos de madrepérola.

Nada gritante.

Tudo intencional.

O tempo corre, mas minha mente está focada demais para se perder. Ajusto o cabelo, prendendo as pontas, criando volume lateral, resgatando referências clássicas – cinema, elegância atemporal. O delineado é reforçado, o batom vermelho matte entra como ponto de força.

Quando termino...

Eu sei.

Não é perfeito.

Mas é forte.

– Uau.

A voz feminina me surpreende.

Viro-me e encontro uma mulher deslumbrante, com uma presença que chama atenção sem esforço.

– Você está incrível. Gustavo vai ficar boquiaberto.

Sorrio, ainda recuperando o fôlego.

– Obrigada. Qual seu nome?

– Melissa. E você é a Jade Baumer, certo?

Confirmo, apertando sua mão.

– Seu visual está ótimo... mas falta algo.

Observo enquanto ela caminha até as prateleiras, escolhendo com precisão uma bolsa dourada de tramas italianas.

– Isso.

Quando ela me entrega, o conjunto se completa de forma quase imediata.

– Agora sim.

Olho no espelho novamente.

Ela está certa.

– Você me salvou.

– Não – ela corrige com um sorriso leve. – Eu só finalizei. O resto é seu. Caminhamos em silêncio até a sala de Gustavo, onde ele e Guilherme aguardam.

Sinto novamente aquele olhar.

Mais intenso.

Mais atento.

Ele está lá – mais intenso do que antes, mais atento, como se agora não estivesse apenas avaliando uma candidata, mas analisando cada detalhe, cada escolha, cada movimento. Há algo diferente na forma como Gustavo me observa, algo que não consigo nomear, mas que me deixa consciente demais de mim mesma.

– Aqui está sua garota, Gustavo – Melissa anuncia com naturalidade, chamando-o pelo primeiro nome, com uma intimidade que me pega desprevenida.

Aquilo me causa um estranhamento imediato. Não apenas pela forma como ela se dirige a ele, mas pela maneira como ele aceita, sem corrigir, sem impor qualquer formalidade. Existe uma dinâmica ali que eu não compreendo e, naquele momento, não é o tipo de coisa que posso me dar ao luxo de questionar.

Respiro fundo, organizando os pensamentos antes de falar. Não posso me perder agora.

– Senhores, montei o visual focado em um editorial de moda, como me pediram. Escolhi as peças com base nos estilos Old Money e Quiet Luxury, já que a marca sempre prezou por uma estética clássica, atemporal e polida. No entanto... – faço uma pequena pausa, sustentando o olhar com firmeza – tomei a liberdade de acrescentar meu próprio toque.

Sinto o peso da atenção deles enquanto continuo, mas não recuo.

– A fenda lateral quebra o ar de “senhora” – faço aspas discretas com os dedos – que as mangas três quartos e a gola lapela podem transmitir, trazendo sensualidade de forma sutil. Já os acessórios dourados adicionam modernidade ao conjunto, enquanto o penteado e a maquiagem reforçam essa base clássica, criando um equilíbrio entre tradição e contemporaneidade.

Quando termino, o silêncio que se instala não é desconfortável – é avaliativo.

Gustavo me observa de cima a baixo, sem pressa, sem disfarçar. Os olhos azuis, antes claros, parecem mais escuros agora, como se estivessem absorvendo cada detalhe do que vêem, não apenas o look... mas eu dentro dele. Sinto esse olhar percorrer meu corpo com uma precisão quase calculada, e, por um instante, preciso me lembrar de manter a postura, de não demonstrar o quanto aquilo me afeta.

– Afiada – Guilherme comenta, quebrando o silêncio com um leve tom de aprovação.

Mas é Gustavo quem decide.

– Amanhã, às duas da tarde.

Demoro um segundo para entender.

– Como?

Ele não repete devagar, não explica.

– Você começa amanhã às duas da tarde. Não se atrase. Temos um trabalho importante.

É direto. Sem margem para dúvida. Sem espaço para negociação.

E... é real.

– Obrigada – respondo, sentindo o coração acelerar, mas mantendo a voz firme. – Prometo não decepcionar.

Ele inclina levemente a cabeça.

– Mostre com seu trabalho.

Há uma pausa breve, então:

– Pode se retirar.

Ao sair da sala, ainda processando o que acabou de acontecer, não percebo a funcionária vindo na direção oposta. O impacto é inevitável. Esbarro em uma arara de roupas, que balança com o choque.

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