LOGINTrês anos depois...O som de pequenas passadas apressadas atravessou o corredor antes que Cecília aparecesse na sala.— Papai!Vinícius ergueu os olhos do telefone a tempo de ver a filha correndo em sua direção. A menina usava um vestido amarelo, os cabelos presos em duas maria-chiquinhas um pouco tortas e carregava um ursinho apertado contra o peito.Ele deixou o celular sobre a mesa e abriu os braços.— O que aconteceu, princesa?— Você prometeu brincar comigo!Vinícius a pegou no colo, recebendo um beijo barulhento na bochecha.— E eu vou cumprir minha promessa. Só estava resolvendo uma coisa do trabalho.Cecília fez um pequeno bico.— Você sempre fala isso.Ele soltou uma risada.— Está ficando muito esperta. Quem ensinou você a reclamar desse jeito?— A mamãe.Do outro lado da sala, Clara ergueu os olhos do livro que estava lendo. Estava acomodada no sofá, com uma almofada apoiada nas costas e uma das mãos repousando sobre a barriga.— Não coloque a culpa em mim.— Mas foi você q
A manhã havia chegado.Clara estava diante do espelho, enquanto Sabrina ajeitava cuidadosamente os últimos detalhes do vestido.O modelo era elegante, com um corpete delicado, cintura marcada e uma saia longa que se espalhava suavemente pelo chão. O véu caía pelas costas, acompanhando o movimento dos cabelos presos em um penteado delicado.— Está linda — Sabrina comentou, afastando-se para observá-la melhor.Clara sorriu para o próprio reflexo.— Você gostou mesmo?— Gostei? Estou quase chorando! E ainda nem começou a cerimônia.Clara soltou uma risada.— Não começa, Sabrina. Se você chorar, vou acabar chorando também.— Então vamos tentar nos controlar. Pelo menos até você chegar ao altar.Sabrina ajeitou uma pequena mecha de cabelo próxima ao rosto dela.— Está nervosa?— Um pouco.— É normal. Mas dessa vez tudo está acontecendo como deveria.Clara baixou os olhos para o anel em seu dedo. Ainda parecia estranho pensar que, depois de tudo o que haviam enfrentado, teria a oportunidade
Clara ajeitou a bolsa no colo enquanto Vinícius dirigia em direção à clínica.— Está nervosa? — ele perguntou, percebendo que ela olhava pela janela sem dizer nada.— Um pouco. Quero muito saber se está tudo bem com o bebê.— Vai estar. Mas, se depender de mim, vou perguntar ao médico umas vinte vezes.Ela soltou uma risada.— Não precisa assustar o médico.— Só quero ter certeza de que vocês dois estão bem.Clara estendeu a mão sobre o console, e Vinícius entrelaçou os dedos nos dela antes de voltar a atenção para a estrada.Na clínica, foram recebidos pela equipe e encaminhados ao consultório. Depois de algumas perguntas sobre como Clara estava se sentindo, o médico iniciou o exame.Vinícius permaneceu ao lado dela, segurando sua mão enquanto observava a tela.— Aqui está o bebê — explicou o médico.Clara prendeu a respiração, tentando acompanhar cada movimento na imagem.— Está tudo bem? — perguntou Vinícius.— Sim. O desenvolvimento está dentro do esperado.O médico fez algumas me
Alguns dias haviam se passado desde o encontro na mansão.Aos poucos, Clara recuperava a tranquilidade. Ainda precisava respeitar algumas recomendações médicas, mas já estava melhor e conseguia aproveitar os momentos em casa sem sentir que precisava olhar por cima do ombro a cada instante.Naquela tarde, estava na sala com Vinícius quando comentou:— Minha mãe ligou hoje de manhã. Está bem, disse que está aproveitando para descansar um pouco.— Fico feliz que ela esteja melhor.— Eu também. Depois de tudo, ela merece um pouco de paz.Vinícius passou o braço pelo encosto do sofá, aproximando-se dela.— E você? Está se sentindo bem hoje?— Estou. Acho que finalmente estou conseguindo relaxar.Antes que ele respondesse, a campainha tocou.— Está esperando alguém? — perguntou Clara.— Não que eu saiba.Ele se levantou e foi atender. Poucos segundos depois, Clara ouviu uma voz conhecida.— Finalmente! Pensei que vocês não fossem abrir essa porta!Um sorriso surgiu em seu rosto antes mesmo
Vinícius esperou Clara se acomodar na beira da cama e sentou ao lado dela.— Vou ligar pra Suzana e resolver isso agora.Encontrou o número e colocou a chamada no viva-voz. Foi atendida depois de poucos toques.— Até que enfim, Vinícius.— Vamos negociar, Suzana.Houve uma breve pausa do outro lado.— Estou ouvindo.— Eu entrego Leonardo em troca de Marta. Mas quero deixar uma coisa clara: isso encerra a história. Não confunda a minha decisão com concordância, nem pense que vou ser conivente com mais algum erro de vocês.— Você está fazendo a escolha certa.— Não estou fazendo por você, e muito menos pelo Leonardo. Estou fazendo pelo meu pai, que já não está aqui, e pela Sabrina, que não merece descobrir quem a mãe e o irmão são de verdade.A voz de Suzana perdeu um pouco da tranquilidade.— Deixe a Sabrina fora disso.— É exatamente o que estou fazendo. — Ele manteve o tom frio. — A troca será amanhã, ao meio-dia, na mansão. O segurança que acompanha você vai levá-la até lá.— E se v
Vinícius empurrou a porta e parou onde estava.Clara estava perto da cama, com o celular ainda junto ao ouvido. O rosto perdera a cor, e a mão livre repousava sobre a barriga, como se quisesse proteger algo.— Clara? O que aconteceu?Ela demorou a responder. A ligação já tinha terminado, mas os dedos continuavam apertando o aparelho com força.— Era a Suzana.Vinícius franziu a testa.— Suzana?— Ela está com a minha mãe.O silêncio que se seguiu durou pouco.— O quê?— Quer uma troca. Você entrega o Leonardo, e ela devolve a minha mãe. Disse que é a única forma de encerrar essa história de uma vez por todas.— Ela falou onde estão?— Não. Só falou... e sempre naquele tom...— Que tom?— Calmo. Educado. Como se estivesse me convidando para um chá.Vinícius se aproximou, atento à expressão dela.— Clara, preciso que me conte exatamente o que ela disse. Palavra por palavra, se conseguir.— Eu estou tentando...Ela levou a mão à testa e fechou os olhos. A voz de Suzana continuava ecoando







