INICIAR SESIÓNO carro de Júlia atravessou o estacionamento quase vazio do prédio e parou diante do elevador privativo. Vinícius permaneceu alguns segundos sentado no banco do passageiro, com a cabeça apoiada no encosto e os olhos fechados. A bebida havia diminuído a tensão em seu corpo, mas não conseguira silenciar os pensamentos que o perseguiam desde que descobrira toda a verdade.Júlia desligou o motor e olhou para ele com cuidado. Apesar de tentar manter a firmeza, Vinícius parecia completamente exausto. Havia uma tristeza silenciosa em seu rosto que ela nunca tinha visto daquela maneira.— Você consegue subir?Vinícius abriu os olhos lentamente e soltou um suspiro.— Consigo. Só não quero ir para casa.Júlia não precisou perguntar o motivo. Sabia que Clara estaria esperando por ele na cobertura e também sabia que, naquele momento, qualquer conversa entre os dois poderia terminar em mais sofrimento.— Então não vá.Vinícius virou o rosto para ela, como se não tivesse entendido.— Como assim?—
Henrique conduzia o carro pelas ruas quase desertas da cidade. O silêncio dentro da cabine era denso, carregado por uma tensão que, embora pesada, não chegava a ser desconfortável. Sabrina, com o olhar perdido na paisagem que passava pela janela, suspirou baixinho antes de romper a quietude.— Acho que tem algo errado naquela notícia — comentou ela, sem tirar os olhos do vidro.Henrique desviou a atenção da pista por apenas um segundo, concordando com um breve aceno.— Também acho. Páginas de fofoca adoram aumentar os fatos. Conhecendo a Clara como conhecemos, duvido muito que a história seja exatamente o que estão pintando.Sabrina passou a mão pelos cabelos, num gesto de frustração.— O problema é convencer o Vinícius disso. Ele está magoado demais para enxergar qualquer coisa além da própria dor agora.Henrique apenas respirou fundo, mantendo o foco na direção até estacionar em frente à casa de Sabrina. O motor silenciou e, logo em seguida, ele desceu do carro, contornando o veícul
O silêncio ficou sobre a mesa por mais tempo do que qualquer um deles gostaria. Vinícius manteve os olhos presos ao copo, girando lentamente o uísque entre os dedos, enquanto Sabrina ainda parecia tensa, como se quisesse dizer algo, mas não encontrasse uma forma de fazer isso sem piorar tudo. Henrique foi o primeiro a se mover e chamou o garçom com um gesto discreto. — Mais uma rodada. Sabrina olhou para éle, surpresa. — Henrique... — Só mais uma — ele respondeu, tentando aliviar o peso do momento. — Acho que todo mundo aqui precisa respirar um pouco. Vinícius não protestou. Quando o garçom deixou as bebidas na mesa, Henrique mudou de assunto com a habilidade de quem conhecia bem o amigo. Falou de uma viagem antiga, de uma reunião em que quase derrubara café em um cliente importante, de qualquer coisa que não envolvesse Clara, Gael ou fotografias espalhadas pela internet. No começo, Vinícius quase não reagiu, mas logo soltou uma risada baixa com uma das histórias. Sabrina
O bar estava movimentado, mas longe do caos de uma boate. Música ao vivo preenchia o ambiente em um volume agradável, misturada ao som de conversas e ao tilintar dos copos. Vinícius apoiou os cotovelos sobre a mesa redonda enquanto girava lentamente o uísque no copo. Henrique observou o amigo por alguns segundos antes de quebrar o silêncio. — Você precisa parar de pensar nisso nem que seja por duas horas. Vinícius soltou um sorriso sem humor. — Se descobrir como, me avisa. — É exatamente por isso que eu te arrastei até aqui. Mesmo não gostando de ambientes assim. — Você me arrastou porque não aguentava mais me ouvir reclamar. — Também. Os dois riram discretamente. Pela primeira vez in dias, o peso sobre os ombros de Vinícius parecia um pouco menor. — Sabe qual é a pior parte? — Vinícius perguntou. Henrique apenas ergueu os olhos. — Eu passei tanto tempo querendo descobrir a verdade... e agora que descobri, parece que não resolveu nada. — Porque algumas verdades
Clara sustentou o olhar de Júlia por um segundo longo e denso. A vontade era de empurrar aquela porta e exigir explicações de Vinícius, mas o sorriso ensaiado de Júlia entregava exatamente o quanto ela parecia estar satisfeita com a situação. Clara ajeitou a bolsa no ombro e exibiu uma expressão gélida, completamente sob controle. — Ótimo. Com licença, Júlia. Clara deu um passo atrás e falou com Eduardo: — Eduardo, avise ao Vinícius que a Marisa quer saber sobre o jantar. Sem esperar resposta, Clara girou nos calcanhares e caminhou em direção aos elevadores. Suas mãos tremiam levemente quando apertou o botão para descer, mas ela manteve a postura erguida até que as portas espelhadas se fechassem, isolando-a. Ela não ia se humilhar no fim do expediente. Se Vinícius queria evitá-la, era opção dele. Quando o elevador finalmente bipou no estacionamento, Clara foi em direção ao seu carro, disposta a ir embora. No entanto, uma voz familiar cortou o barulho do ambiente. — Clara? Ela pa
O saguão da empresa estava movimentado, mas Clara caminhou direto para os elevadores, mantendo os olhos fixos nas portas espelhadas. Assim que desceu no andar da diretoria, deu de cara com Eduardo, que organizava uma pilha de pastas na recepção principal.— Eduardo — ela chamou, aproximando-se com passos rápidos. — Você tem notícias do Vinícius? Sabe se ele vem?O secretário ergueu os olhos, surpreso com a abordagem direta. — Bom dia, Clara. Não, ele não está na empresa. Só me ligou cedo pedindo para cancelar todos os compromissos da manhã.Clara engoliu em seco, sentindo o peso da confirmação. — E a videoconferência da tarde? Sobre o contrato chinês?— Essa está de pé — Eduardo respondeu, checando o tablet. — Ele foi bem específico sobre isso. Disse que a parceria com a Ferraz Holding e o pessoal de Pequim não podia ser adiada. Aliás, você precisa se preparar para a reunião; o senhor Vinícius disse que seria preciso que você acompanhe a chamada para a tradução simultânea. Ele me pedi







