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Ele Não Quer Ser Interrompido Por Ninguém

Author: Val Lima
last update publish date: 2026-06-25 21:12:05

O saguão da empresa estava movimentado, mas Clara caminhou direto para os elevadores, mantendo os olhos fixos nas portas espelhadas. Assim que desceu no andar da diretoria, deu de cara com Eduardo, que organizava uma pilha de pastas na recepção principal.

— Eduardo — ela chamou, aproximando-se com passos rápidos. — Você tem notícias do Vinícius? Sabe se ele vem?

O secretário ergueu os olhos, surpreso com a abordagem direta. — Bom dia, Clara. Não, ele não está na empresa. Só me ligou cedo pedind
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    Assim que as portas do elevador privativo se abriram, Clara deu alguns passos para fora e parou, observando o ambiente à sua frente. A sala era ampla, elegante e muito diferente de qualquer lugar que ela se lembrasse de ter frequentado. Ela olhou para Vinícius, confusa. — Eu moro aqui? — Sim. Este é o nosso apartamento. Clara voltou a olhar ao redor, tentando encontrar alguma coisa que lhe parecesse familiar, mas nada despertou qualquer lembrança. Antes que pudesse fazer outra pergunta, viu Marta se aproximando. — Minha filha! A mãe abriu os braços, e Clara não hesitou em aceitar o abraço. Marta a apertou contra si, emocionada, acariciando seus cabelos como se quisesse compensar, naquele instante, todos os dias em que estiveram separadas. — Eu estava tão preocupada com você — murmurou, afastando-se apenas o suficiente para olhar seu rosto. — Como está se sentindo? E o bebê? — Estou melhor, mãe. Ainda me sinto um pouco perdida, mas estou bem. Disseram que precisamos continuar a

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    Vinícius entrou no quarto com o celular nas mãos. Clara estava recostada nos travesseiros, com o rosto voltado para a janela, mas acompanhou os movimentos dele assim que percebeu sua presença.— Clara, sua mãe está ao telefone. Ela quer falar com você.A expressão dela mudou imediatamente.— Minha mãe?— Sim.Ele se aproximou para entregar o aparelho, e Clara o pegou depressa. Assim que viu o rosto da mãe na tela, seus olhos se encheram de lágrimas.— Mãe?— Minha filha! Meu Deus, como é bom ouvir sua voz. Você não imagina o quanto eu estava preocupada.— Mãe... eu estou com medo.— Calma, meu amor. Estou aqui com você. Você está bem?Clara olhou de relance para Vinícius, que permanecia ao pé da cama.— Eu não sei direito. Acordei aqui no hospital e tem um homem dizendo que é meu marido. Ele fala comigo como se me conhecesse, mas eu nunca vi esse homem na minha vida. Eu só quero encontrar o meu marido, mãe. Quero ir para casa.Vinícius baixou os olhos. Ouvir Clara falar daquele outro

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    Vinícius afastou-se da porta do quarto e caminhou pelo corredor até encontrar um lugar mais reservado. Ainda conseguia ouvir a voz aflita de Clara, insistindo que queria ver o marido, e aquela lembrança tornava cada passo mais pesado.Parou perto de uma das janelas, tirou o celular do bolso e procurou o contato de dona Marta. Precisava avisá-la de que havia encontrado a filha. Depois de tudo o que acontecera, ela merecia saber que Clara estava viva e recebendo atendimento.A ligação foi atendida depois de alguns toques.— Vinícius? — A voz de dona Marta veio carregada de apreensão. — Alguma novidade? Encontraram a Clara?Ele demorou um instante antes de responder.— Encontrei sua filha, dona Marta. Estou com ela em Cascais, em Portugal. Clara está no hospital.Do outro lado, houve um breve silêncio.— Meu Deus... Encontrou mesmo? — A voz dela vacilou, tomada pelo alívio. — Mas por que ela está no hospital? O que aconteceu com a minha filha?Vinícius apoiou a mão livre no parapeito da

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    O hospital parecia mais silencioso do que realmente era. Vinícius percebia cada ruído com uma nitidez incômoda: o apito dos monitores, os passos no corredor e o movimento distante de uma maca. O cheiro de antisséptico impregnava o ar, tornando a espera ainda mais angustiante.Desde que chegara ao hospital na ambulância, não conseguia afastar a imagem de Clara caída no asfalto. A lembrança se misturava à voz da testemunha, repetindo que ela estava grávida e que, antes de perder a consciência, havia pedido que protegessem o bebê.Grávida.A palavra ainda parecia deslocada em sua cabeça. Clara estivera diante dele tantas vezes nos últimos dias, e ele não sabia que ela carregava um filho seu.A lembrança daquela noite surgiu sem que pudesse impedir. Por algumas horas, as barreiras que insistia em manter entre os dois tinham perdido a força. Depois, porém, as desconfianças e os ressentimentos voltaram a separá-los.Vinícius se convencera de que mantinha Clara por perto para que ela enfrent

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    Vinícius estava a poucos minutos do mercado quando viu o movimento à frente.Um carro havia parado no meio da avenida, e várias pessoas corriam em direção à pista.— O que aconteceu? — perguntou, já abrindo a porta.Eduardo freou rapidamente.Vinícius saiu antes mesmo que o carro parasse completamente e correu em direção à aglomeração.— Saiam da frente!As pessoas se afastaram, e ele conseguiu enxergar uma mulher caída no asfalto.Vinícius parou por um instante.Alguma coisa naquela cena fez seu coração disparar.— Clara?Ele voltou a correr.Quando chegou mais perto, reconheceu os cabelos.Era ela.— Clara!Vinícius caiu de joelhos ao lado dela, mas não a tocou.— Clara, olha para mim.Ela não respondeu.Havia sangue próximo à cabeça dela. O som dos carros, das vozes e das buzinas pareceu ficar distante, como se Vinícius só conseguisse enxergar aquela mulher caída diante dele.— Alguém já chamou uma ambulância?— Já. Está chegando!Eduardo se aproximou logo depois, acompanhado de um

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    Vinícius entrou no carro e Eduardo ocupou o banco do motorista. Assim que a porta fechou, Vinícius pegou o telefone e ligou para Samuel, o chefe da sua equipe de segurança.— Samuel, encontrei o Leonardo.Do outro lado, houve um breve silêncio.— E a senhora Clara?Vinícius olhou pela janela enquanto o carro deixava a propriedade.— Ela fugiu antes de chegarmos. Entrou escondida em uma van de entrega.— Você sabe qual empresa?— Sei. Vi a gravação das câmeras. É uma van da Costa Sul Distribuidora, de entrega de alimentos e mantimentos.Vinícius passou a mão pelo rosto.— Quero que descubram qual era a rota. Se o motorista ainda estiver fazendo as entregas, talvez alguém tenha visto a Clara.— Entendido.— E avise as outras equipes. Quero todo mundo procurando pela região.— Pode deixar.Vinícius desligou e guardou o telefone.Eduardo seguiu pela avenida, aumentando a velocidade sempre que encontrava espaço. Vinícius permaneceu olhando pela janela, mas mal prestava atenção nas ruas. A

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