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CAPÍTULO 2

Autor: Rafael Machado
Fernando soltou um suspiro leve, assentiu e se preparou para sair.

— Espera. — Luna falou de repente.

Fernando parou e virou o rosto para ela.

— O que foi?

Luna era um ano mais velha que Celina, mas, na verdade, ainda era mais nova que Fernando.

As duas irmãs da família Barbosa eram muito bonitas. Luna se parecia com Celina em uns oitenta por cento, também era uma mulher de aparência marcante.

Naquele momento, ela vestia uma camisola de seda de alças finas. O contorno do corpo chamava atenção.

Mas o humor de Fernando estava pesado. Ele não tinha cabeça para reparar nesses detalhes.

Luna franziu a testa e perguntou com frieza:

— Aonde você vai a essa hora da noite? E a Celina?

Fernando manteve a expressão neutra.

— Ela está jantando fora. Eu vou buscá-la.

Mas o rosto dele não parecia o de um marido indo buscar a esposa.

O olhar de Luna carregava desconfiança. Só depois de um tempo ela disse:

— Então vai.

Fernando saiu.

Ao dirigir para fora da garagem, a expressão dele foi esfriando.

Dentro dele, era como se um fogo estivesse queimando.

A cena da esposa brindando de braços cruzados com outro homem não parava de voltar à mente.

Um palpite doloroso parecia prestes a virar realidade.

A esposa tinha… traído ele.

Ao pensar nisso, o rosto de Fernando se contraiu. A mão no volante apertou tanto que os nós dos dedos ficaram brancos.

No vídeo curto de antes, aparecia o local da festa.

Sem perceber, ele já tinha chegado.

Hotel Sul Celeste.

Um dos hotéis mais luxuosos de Cidade T. Normalmente, uma reunião ali custava pelo menos cinquenta ou sessenta mil.

Fernando acendeu um cigarro e entrou com passos pesados.

A essa altura, ele precisava deixar de lado qualquer hesitação. Fosse qual fosse o resultado, ele teria que encarar.

Perguntou a um funcionário e descobriu que as salas privadas ficavam no segundo andar.

Fernando subiu. Assim que chegou à porta da primeira sala, ouviu a voz da esposa.

— A empresa só chegou onde chegou por causa de cada um aqui. Eu brindo a todos vocês. Obrigada pelo esforço de cada um!

A voz de Celina era doce e agradável. Era difícil imaginar que ela já era mãe de uma criança de seis anos.

— A presidente é que trabalha duro!

— Vamos brindar à presidente!

— E também ao gerente Xavier! Se não fosse por ele, nem teria essa festa hoje, haha!

Dava para perceber que o clima lá dentro era animado.

Fernando respirou fundo e abriu a porta.

Naquele instante, a sala inteira ficou em silêncio.

Todos olharam para o homem que tinha entrado, surpresos.

O olhar de Fernando foi direto para Celina.

Ela vestia um vestido preto. Os ombros claros e lisos, a clavícula delicada, a cintura fina, o corpo bem marcado.

Ela estava de pé, taça na mão. Quando viu Fernando, o rosto bonito mostrou surpresa.

Mas, como presidente da empresa, ela logo esboçou um sorriso:

— Amor, você veio me buscar? Já comeu? Quer comer alguma coisa?

Ela tinha bebido bastante. O rosto estava corado, deixando-a ainda mais encantadora.

Então esse é o marido da presidente. Não é à toa que parece familiar. Os outros na sala entenderam na hora.

Mas alguns olhares se voltaram para o jovem sentado ao lado de Celina, com uma expressão sugestiva.

O rapaz era bonito. Não ficava muito atrás de Fernando. Ele estava colado em Celina, e o sorriso dele travou por um instante.

Logo depois, ele se recompôs e falou animado:

— É o Sr. Fernando? Vem, senta aqui no meu lugar!

Ele se levantou, como se fosse ceder o assento.

Mas...

Celina falou de forma casual:

— Ah, Xavier, pode ficar sentado. Meu marido pode sentar em qualquer lugar. Já vai acabar mesmo, nem precisa desse trabalho.

Ao ouvir isso, Xavier se sentou de novo.

— Tá bom. Obrigado, Celina.

Ele então olhou para Fernando. Havia algo provocador naquele olhar.

Fernando deu um sorriso frio.

— Tudo bem. Então eu sento um pouco.

Ele puxou uma cadeira e se sentou. Não pegou os talheres. Apenas acendeu um cigarro e ficou observando em silêncio.

A postura dele deixou o clima da sala estranho.

Celina franziu a testa, insatisfeita, mas logo sorriu para os outros, e disse:

— Pronto, gente, continuem. Podem comer e beber à vontade.

O humor de Fernando estava péssimo. No meio da fumaça, o olhar dele era calmo e cortante.

Nesse momento.

— Celina! Esse abalone está muito bom. Come mais um!

Xavier usou os talheres de servir, pegou um abalone e colocou no prato dela, sorrindo.

Celina se surpreendeu por um instante, depois sorriu.

— Obrigada, Xavier.

Ela pegou o abalone, deu uma mordida e comentou:

— Você também trabalhou duro esses dias. Dia e noite no projeto. Conseguiu fechar dois contratos grandes pra empresa. Me diz, que recompensa você quer? Quer tirar uns dias de folga?

Xavier balançou a cabeça. O olhar ficou fixo em Celina, e ele falou com suavidade:

— Não quero férias. Você sempre me tratou tão bem. Eu só quero trabalhar mais ainda e retribuir o que você fez por mim.

Ao ouvir aquilo, Celina sorriu:

— Xavier, eu sabia que não me enganei com você. O que você quiser, pode falar. A irmã aqui resolve tudo.

O olhar de Xavier se aprofundou, e ele disse:

— Eu só quero poder ficar ao lado da Celina para sempre. Ver você alcançar o sucesso…

De repente, um aplauso soou na sala.

Todos olharam, surpresos, para Fernando, que estava com o rosto tranquilo.

Celina franziu a testa de novo.

Fernando aplaudia, olhando para ela e para Xavier, com um leve sorriso no canto da boca:

— Que cena bonita de amor entre irmãos. Já que chegaram a esse ponto, não acham que deviam se abraçar também?

O rosto de Celina mudou. Ela respondeu irritada:

— Fernando, o que você quer dizer com isso? Que indiretas são essas?

Fernando riu friamente:

— Indiretas? Quer que o pessoal aqui diga o quão nojenta foi a cena de vocês dois agora há pouco?

— Você chamou a gente de nojentos?

Celina não acreditava no que ouvia.

Esse ainda era o marido gentil de antes? Como ele podia falar palavras tão cruéis?

Fernando respondeu:

— Eu tenho coisas piores para dizer. Quer ouvir?

Os olhos de Celina se contraíram. A raiva apareceu no rosto.

Ela só não fui ao seu aniversário...

Ela respirou fundo e falou friamente:

— Para de fazer escândalo. O que tiver que falar, a gente fala em casa. Se você não quiser me buscar, pode ir embora. Se você ficar aqui, vai estragar a festa.

— Estragar?

Um sorriso frio apareceu no rosto de Fernando. Ele se levantou, segurou a borda da mesa e a virou com força.

— Então ninguém come porra nenhuma!
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Último capítulo

  • Você Escolheu Ficar Com Ele. Agora Aguenta o Divórcio.   CAPÍTULO 10

    Fernando abriu os olhos, ainda meio sonolento, e deu de cara com um par de olhos brilhando no escuro.Celina estava deitada sobre o peito dele, como um gato, olhando fixamente para ele.Fernando virou o rosto, evitando encarar aquele olhar, e disse com indiferença:— O que você está fazendo? Eu tranquei a porta. Como você entrou?— Eu tenho a chave. — Celina disse, segurando o rosto dele e virando de volta, rindo. — Amor, vamos parar com isso. Vamos viver bem, tá?Fernando ficou em silêncio.No fundo, ele queria mais do que qualquer um que as coisas voltassem ao normal.Era inegável que ele amava a esposa e a filha acima de tudo. Caso contrário, um homem como ele não teria escolhido ficar em casa por tantos anos.Não foi preguiça.Independentemente da própria capacidade, Fernando conhecia o próprio caráter. Era resistente, trabalhador, tinha força de vontade.Mas a família... como tinha chegado àquele ponto?À luz da lua, Celina observava o rosto firme dele, sentia o corpo forte, e a v

  • Você Escolheu Ficar Com Ele. Agora Aguenta o Divórcio.   CAPÍTULO 9

    Luna assentiu.— O que você disse até que faz sentido. Quem diria... o Fernando é bem ciumento, hein? Hahaha!— Para de rir. — Disse Celina, insatisfeita. — O problema é que ele nem fala comigo agora. O que eu faço?— Então você também não fala com ele. Daqui a um tempo passa. — Disse Luna, com indiferença.— Mas eu não quero ficar em guerra fria com ele. — Disse Celina. — A gente está casado há tantos anos e quase nunca ficou assim. Eu não estou acostumada.Luna deu de ombros.— Então não posso te ajudar. Você sabe, eu sou solteira desde que nasci. Não entendo essas coisas de amor.— Ai... — Celina soltou outro suspiro longo.De repente, Luna pareceu se lembrar de algo. Os olhos brilharam e ela se sentou, falando em tom misterioso:— Ei, não tem aquela frase? Nada que uma vez não resolva. Se não resolver, faz duas.Ao ouvir isso, os olhos de Celina brilharam.— Sério?Pensando bem, a menstruação tinha acabado há alguns dias. Já fazia um tempo que eles não faziam aquilo. Um traço de ex

  • Você Escolheu Ficar Com Ele. Agora Aguenta o Divórcio.   CAPÍTULO 8

    Vendo o marido entrar em silêncio no quarto, Celina sentiu uma pontada de mágoa."Eu já cedi, o que mais você quer de mim?"Fernando não pensava assim. Mesmo com a promessa de manter distância, a cena do brinde de braços cruzados ficava presa na garganta como um espinho. Não conseguia engolir nem cuspir. Só doía.Ele sentou no sofá e começou a rolar vídeos no celular, mas a cabeça não aquietava.Divórcio?Eles tinham ficado um ano juntos antes de se casar e já estavam casados havia sete. Oito anos no total.E ainda tinha a Yasmin.Naquele momento, Fernando realmente não sabia o que fazer.Celina entrou mordendo o lábio. Os olhos grandes estavam cheios de mágoa, um brilho úmido aparecia.Nenhum dos dois falou. A sala ficou em silêncio pesado.Fernando não abriu a boca.Celina menos ainda.Para ela, ceder como tinha cedido já era o limite.O orgulho fazia parte dela.O tempo foi passando, segundo após segundo, até que Yasmin saiu do quarto e disse:— Papai, mamãe, eu terminei a lição!Só

  • Você Escolheu Ficar Com Ele. Agora Aguenta o Divórcio.   CAPÍTULO 7

    Um sorriso frio apareceu no canto da boca de Fernando. Ele disse:— Eu preciso te dar relatório de tudo o que eu faço agora?Essa frase fez Celina perder a paciência na hora. Ela se levantou de repente e o repreendeu:— Que tipo de atitude é essa? Eu estou falando direito com você, e você…De repente, a voz dela travou. A expressão mudou para surpresa.Fernando riu com ironia.— O quê? Lembrou?O rosto dela ficou tenso.Ela tinha lembrado.Aquela frase ela mesma tinha dito, palavra por palavra, quinze dias atrás.Naquele fim de semana raro, Fernando tinha preparado uma mesa cheia de comida. O plano era jantar e depois levar a família para passear.Antes mesmo de começarem a comer, Celina recebeu a ligação de Xavier.Ele disse que tinha cortado a perna sem querer.Celina ficou ansiosa na hora, pegou a bolsa e já ia sair.Fernando não concordou. Perguntou várias vezes para onde ela ia.Ela, impaciente, respondeu irritada:— Para de perguntar. Eu preciso te dar relatório de tudo o que eu

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    — Você não precisa explicar nada pra ele. Se alguém tem que pedir desculpa, é ele pra você. — Celina pensou por um instante e disse isso com frieza.— Tá bom, Celina. Eu faço o que você disser. — Xavier assentiu com seriedade.Celina olhou para aquele rosto bonito. Principalmente para os olhos dele. Por um instante, ficou distraída.Depois de alguns segundos, Xavier falou:— Então, Celina, se não tem mais nada, eu vou voltar pro trabalho.Celina pareceu acordar de repente. Ela abaixou a cabeça às pressas e disse:— Ah, vai sim. E cuida de você. Você ainda está machucado. Não força demais.— Obrigado pela preocupação.Xavier sorriu e saiu do escritório. Assim que fechou a porta, o sorriso dele ganhou outro significado....Do outro lado.Fernando dirigia um Audi antigo. Depois de deixar Yasmin na Escola Flores, ficou sozinho dentro do carro, em silêncio por muito tempo.Segurava o celular, olhando para o número da esposa. No fim, balançou a cabeça e não ligou.O amor e o casamento já ti

  • Você Escolheu Ficar Com Ele. Agora Aguenta o Divórcio.   CAPÍTULO 5

    — Será que houve algum mal-entendido entre vocês?Luna, como alguém de fora, sabia que Fernando não era do tipo que falava da boca pra fora. Se ele tinha mencionado divórcio, talvez já tivesse se decidido por dentro.Celina respondeu cheia de ressentimento:— Foi ele que entendeu tudo errado. Vive criando coisa na própria cabeça. O problema é dele.Ela contou tudo de uma vez para a irmã.Depois de ouvir, Luna franziu a testa.— Você não pensa em fazer o que ele disse? Cortar contato com o seu irmão de consideração?— Não tem necessidade. — Celina bufou. — Quem ele pensa que é pra se meter nas minhas relações? Eu não fiz nada contra ele. Minha consciência está limpa.— Será? Ou será que você… não quer cortar contato com ele?Luna olhou na direção do quarto de hóspedes e perguntou em voz baixa.Celina arregalou os olhos de repente e rebateu apressada:— Como assim eu não quero...Ao dizer isso, pareceu se lembrar de algo. A expressão vacilou por um instante, e a voz simplesmente se apag

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