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CAPÍTULO 5

Autor: Rafael Machado
— Será que houve algum mal-entendido entre vocês?

Luna, como alguém de fora, sabia que Fernando não era do tipo que falava da boca pra fora.

Se ele tinha mencionado divórcio, talvez já tivesse se decidido por dentro.

Celina respondeu cheia de ressentimento:

— Foi ele que entendeu tudo errado. Vive criando coisa na própria cabeça. O problema é dele.

Ela contou tudo de uma vez para a irmã.

Depois de ouvir, Luna franziu a testa.

— Você não pensa em fazer o que ele disse? Cortar contato com o seu irmão de consideração?

— Não tem necessidade. — Celina bufou. — Quem ele pensa que é pra se meter nas minhas relações? Eu não fiz nada contra ele. Minha consciência está limpa.

— Será? Ou será que você… não quer cortar contato com ele?

Luna olhou na direção do quarto de hóspedes e perguntou em voz baixa.

Celina arregalou os olhos de repente e rebateu apressada:

— Como assim eu não quero...

Ao dizer isso, pareceu se lembrar de algo. A expressão vacilou por um instante, e a voz simplesmente se apagou.

Luna viu tudo.

Suspirou por dentro. Talvez, sem perceber, a irmã já tivesse mudado.

Depois de um momento, Celina disse:

— De qualquer forma, eu e o Xavier não temos nada. Somos só irmãos. Fernando só entendeu errado. Com o tempo ele vai perceber. Na verdade, o Xavier é um garoto muito bom...

— Então você gosta dele? — Luna perguntou de repente.

Celina respondeu por instinto:

— Eu sou a irmã. É normal gostar dele como irmão.

Luna balançou a cabeça. Já tinha entendido. Não havia necessidade de continuar.

— Está bem. Mas eu aconselho você a pensar no que o Fernando falou. — Ela se levantou e bocejou. — Vou voltar a dormir. Amanhã ainda tenho live.

Ela era uma influenciadora, com milhões de seguidores nas redes.

Ao ver a irmã indo embora, Celina apenas assentiu e a acompanhou até a porta. Depois fechou.

Em seguida, foi até a porta do quarto de hóspedes e girou a maçaneta. Estava trancada por dentro.

Ela bufou, irritada.

...

Na manhã seguinte.

Fernando acordou cedo.

Olhou para a porta fechada do quarto principal. Não bateu. Foi até o quarto da filha e chamou Yasmin.

Yasmin se levantou sonolenta para escovar os dentes. Ele foi para a cozinha fazer o café da manhã.

— E a mamãe? Você não fez café da manhã pra ela? — Yasmin perguntou enquanto comia.

Fernando sorriu com suavidade.

— A mamãe já não precisa que o papai faça café pra ela.

Yasmin respondeu com um som confuso.

Do lado de dentro do quarto principal, Celina tinha acabado de segurar a maçaneta. Ao ouvir aquela frase, ficou parada.

Nos olhos dela, emoções complexas se misturavam e giravam.

Mágoa, acusação, dor… tudo veio de uma vez.

No fim, ela não abriu a porta.

Quando finalmente saiu, a casa já estava vazia. Fernando tinha levado Yasmin para a escola.

Na mesa, os pratos ainda estavam ali. Não havia nada preparado para ela.

A expressão de Celina escureceu por um instante, mas logo ficou firme.

Ela pensou que já tinham brigado antes. Ele estava com raiva. Em dois dias passava.

Desta vez, ela não pretendia ceder. Entre ela e Xavier não havia nada de errado. O marido era sensível demais. Esse era o problema.

Na verdade, ela não percebeu que, nesse casamento, nunca tinha sido ela a ceder.

Celina era presidente. A empresa valia mais de cem milhões. Embora tivesse recebido uma pequena ajuda da família, a maior parte tinha sido esforço próprio.

Isso fez com que o temperamento dela se tornasse cada vez mais dominante. Não admitia erro. Não aceitava recuar.

Dessa vez também. Fernando tinha pedido que ela demitisse Xavier e cortasse contato. Ela não faria isso.

Calçou os saltos, foi até a garagem e tirou o Porsche.

Falou consigo mesma:

— Amor, você é teimoso demais. Isso não é bom. Eu e o Xavier somos só irmãos... você briga comigo por isso e ainda deixa de fazer meu café. Quem está errado é você.

Em seguida, ela ligou o carro e dirigiu direto para a empresa.

Ao chegar à empresa.

Quando a viram entrar com o rosto fechado, todos ficaram em silêncio. O que tinha acontecido na noite anterior já tinha se espalhado pela empresa.

E o rosto frio de Celina deixava claro que o humor dela não estava bom. Ninguém teve coragem de provocar.

Ela entrou no escritório, sentou na própria cadeira e pegou o celular. Encontrou o número do marido e ficou olhando para a tela por um longo tempo, hesitando.

— Foi você quem errou. Fez escândalo na festa, bateu em alguém e ainda pediu divórcio. Quem tem que pedir desculpa é você. Só depois eu penso se perdoo.

Ela bufou e colocou o celular de lado. Não ligou.

Nesse momento, alguém abriu a porta do escritório sem bater.

Celina já estava de mau humor. Alguém entrar assim naquele momento só piorou. Ela levantou a cabeça com irritação, pronta para reclamar, mas ficou surpresa.

— …Xavier? Por que você veio trabalhar hoje?

Quem entrou foi Xavier. Havia hematomas no rosto, alguns lugares cobertos com gaze e curativos.

Ao ouvir a pergunta, ele sorriu:

— Eu não posso faltar só porque me machuquei, né?

Ele entregou os documentos que estava segurando.

Além de ser irmão de consideração dela, ele era líder do primeiro grupo do departamento de vendas e também assistente da presidência.

Ao ver o estado dele, todo machucado, o coração de Celina amoleceu, e ela disse sorrindo:

— Chega de graça. Se não estiver bem, pede licença. Eu não vou negar.

Ela começou a analisar os documentos.

Ali estavam alguns dados da empresa, organizados por Xavier em categorias claras. Tudo estava bem detalhado, fácil de entender à primeira vista.

Celina assentiu várias vezes.

Xavier riu baixinho, sentou-se sozinho no sofá do escritório e disse:

— Celina, o Fernando entendeu errado ontem? Ele não ficou bravo de verdade, né?

Ao ouvir o nome do marido, Celina franziu a testa por reflexo e respondeu, incomodada:

— Ele foi impulsivo demais. Aliás, eu ainda tenho que agradecer você por não ter levado adiante a agressão.

— Isso não é nada.

O olhar de Xavier vacilou por um instante, e ele continuou:

— Mas ele é sensível demais. Se eu tivesse namorada, eu confiaria nela sem condição nenhuma.

— Se ele fosse tão compreensivo quanto você...

Celina balançou a cabeça com um sorriso amargo.

Xavier disse:

— Que tal eu falar com ele? Essas coisas se resolvem conversando. Não quero que por minha causa a relação de vocês seja afetada. Ele é homem. Não deve ter a mente tão pequena assim.

Ao ouvir isso, Celina respondeu irritada:

— Mente pequena é o que ele mais tem.

Ela pensou que, se o marido fosse tão sensato quanto Xavier, tudo seria mais simples.
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