เข้าสู่ระบบCAPÍTULO 88O Héctor esqueceu-se por completo da Samanta e das suas ameaças da noite anterior. A urgência de a manter controlada passou para segundo plano perante a torrente de bílis que a recordação do Alexander lhe tinha provocado. Lembrou-lhe tudo o que não pôde ser.Na manhã seguinte, o Héctor sentiu uma curiosidade mórbida e irresistível. Queria saber depois de tanto tempo como estaria a empresa à qual tinha dedicado muitos anos de vida. Sabia, pelos recortes de imprensa económica que por vezes lia nas cafetarias de meia-pataca, que o Alexander já não trabalhava como presidente. Mas também sabia que o clã era imenso. Quizá o Rodrigo, o seu antigo e estúpido aliado, ou o Roberto, sim continuavam lá, a engordar os seus bolsos enquanto ele contava notas sujas das gorjetas das bailarinas.Dirigiu-se em dire&cced
CAPÍTULO 87— Vamos juntos, Samanta. Essa papelada posso fazê-la pessoalmente —disse o Mateo, e um sorriso audaz, quase infantil, curvou os seus lábios maguados—. Posso dizer à minha secretaria que cancele os seus bilhetes, que irei pessoalmente. Assim livraria-me de vários questionamentos no escritório, dos olhares do meu pai, das perguntas da Sofía... e teria a excusa perfeita para desaparecer do radar de todos por um par de dias.A Samanta escutava-a, fascinada e assustada a partes iguais.— Mateo... onde é que queres chegar?O Mateo estendeu-lhe a mão sã.— Acompanha-me —repetiu ele, sem rodeios, sem filtros—. Acompanha-me a essa viagem. Apenas serão dois dias, Samanta. Dois dias, talvez três. Podemos afastar-nos de tudo. Do clube Velvet, do Héctor, da VegaCorp, dos segredos, dos becos e dos golpes. Podemos ser apen
CAPÍTULO 86O ecrã iluminou-se com uma nova mensagem.Sofía: [Onde estás? O papá diz que viajaste. Sei que é mentira. Responde, idiota.]O Mateo olhou para a mensagem, sentindo uma pontada de culpa fraternal, mas decidiu ignorá-la. Bloqueou o ecrã e deixou o aparelho virado para baixo sobre a mesa de cabeceira. Sabia que a Sofía não deixaria de insistir, e sabia que o Alexander já estaria à procura de respostas nos registos da VegaCorp. Mas nesse momento preciso, o Mateo não tinha a energia para enfrentar interrogatórios familiares.Três dias antesFechou os olhos, tentando que o frio do gelo adormecesse a batida sorda na sua cabeça.Foi então que a campainha do ático soou.Não era a campainha do elevador de serviço nem a das visitas habituais, era o tom discreto que anunciava alguém na port
CAPÍTULO 85O Alexander sentou-se e esperou para ver se a rapariga aparecia. Tinha-a visto no dia da festa na quinta, reconhecê-la-ia. A famosa Samanta, a obsessão do Mateo.O telão de veludo carmesim abriu-se.Começou a primeira apresentação. Uma jovem louca com um fato de lantejoulas fez uma rotina de acrobacias que arrancou aplausos dos homens na primeira fila. O Alexander nem sequer pestanejou. Essa não era ela.O tempo arrastava-se entre fumo e luzes estroboscópicas.A segunda apresentação foi um número grupal. Tampouco estava ela.Quando passaram duas apresentações completas e o relógio marcou quase a uma da madrugada, a impaciência do Alexander começou a transformar-se em suspeita. Algo não batia certo. Segundo sabia, a Samanta era o ato principal, a estrela indiscutível do local. Não podia não se apresentar numa noite com tanta gente presente.O Alexander ergueu a mão. O mesmo empregado de mesa solícito apareceu num segundo.— Senhor. Deseja outra ronda?— Não. Quero informaçã
CAPÍTULO 84O Mateo sim tinha viajado.Não era uma viagem que devia realizar ele pessoalmente. Poderia ter enviado a sua secretária com uma procuração de representação, ou inclusive tê-lo gerido mediante uma videoconferência segura.Essa mesma noite, enquanto a Lucía dormia na quinta familiar, o Alexander decidiu ir ele próprio ao clube Velvet para tentar procurar respostas.Apesar de já ser um homem mais velho, com o cabelo prateado a marcar a sua experiência, o Alexander não tinha perdido nem um pice do atrativo intimidante que o caracterizava. Pelo contrário, os anos tinham adicionado uma gravidade ao seu porte que exigia respeito imediato.Conduziu o seu carro em direção ao distrito noturno. Aparcou em frente ao local noturno, entregando as chaves a um valet parking que, ao ver a marca do carro e o olhar de gelo do condutor, se apressou a abrir-lhe a porta com reverência.Caminhou em direção à entrada do clube Velvet.O Alexander não fez fila.Caminhou diretamente para o cordão de
CAPÍTULO 83— E bem, Benício —começou o Alexander, apoiando os antebraços sobre a mesa—. Conta-me como foi o comercial. É a primeira vez na história da companhia que lançamos um comercial desse tipo mostrando os rostos reais dos diretores em vez de atores institucionais.O Benício deixou de mastigar. Um pedaço de pão entalou-se-lhe perigosamente na garganta.— Bem... sim, tio. Foi uma rodagem... intensa. Muito criativa. —O Benício gesticulou com a mão livre, tentando restar importância ao assunto—. Mas na realidade, só participo eu na campanha final.O Alexander ergueu uma sobrancelha, sem comprar a desculpa corporativa barata do sobrinho.— Só tu? O Thiago e o Mateo não quiseram participar?— Já sabes como eles são, tio —apressou-se a dizer o Benício, rindo nervosamente—. O Thiago disse que não perderia o seu tempo. E o Mateo... bem, o Mateo estava a lidar com os seus próprios assuntos. Assim assumi o sacrifício de ser a única estrela da VegaCorp em ecrã.O Alexander resfolegou, aban







