LOGINKelly Dois anos. Esse foi o tempo exato em que Kelly viveu sob o teto do próprio inferno, após o diagnóstico médico sentenciar que seu corpo estava impossibilitado de enfrentar novas gestações. O que deveria ser a casa onde ela reinaria como filha de Alfa tornou-se a sua prisão particular. Como um lobo sádico e sem escrúpulos, Toledo arrastou as duas cativas das masmorras reais para dentro da propriedade. Kelly foi reduzida a nada. Durante vinte e quatro meses intermináveis, ela foi submetida às tarefas mais degradantes, forçada a limpar os vestígios da violência sofrida pelas outras fêmeas e a amamentar os bastardos delas nos cantos escuros dos cômodos, enquanto o cheiro de miséria impregnava suas roupas rasgadas. No entanto, no silêncio daquelas noites de dor acumulada ao longo de dois anos, algo mudou. Em vez de se verem como rivais, a dor compartilhada uniu as três mulheres. Aproveitando-se dos raros momentos em que Toledo estava fora em missões pelo exército real, Kelly usou
Enquanto o destino de Christian seguia seu rumo, em outro canto, o ambiente era bem diferente..Os corredores de pedra do castelo, que antes ecoavam apenas os passos firmes dos guardas e as reuniões tensas sobre o reino, agora tinham um novo tipo de som: pequenas risadas e o barulho de passos rápidos e desajeitados. Eliza e Clara estavam sentadas na sala de estar real, aproveitando um raro momento de descanso com uma xícara de chá. Mas o sossego durou pouco. A pequena Liv Blake, com pouco mais de um ano e meio de idade, passou correndo pela porta. Suas bochechas estavam coradas e ela segurava firmemente o brinquedo de madeira favorito do príncipe. Logo atrás dela, engatinhando e já tentando ficar de pé com uma postura surpreendentemente brava, vinha Esmond. — Liv Blake, devolva o brinquedo do seu príncipe — Clara chamou, tentando soar firme, mas segurando o riso ao ver a filha parar e colocar as mãozinhas na cintura. Liv olhou para o pequeno Esmond e soltou um resmungo determin
— Um novo lobinho? Que nada, dona Maria — Christian respondeu, soltando uma risada leve enquanto ajeitava o casaco de Breno. — A Helena já tem muito trabalho cuidando desse rapazinho aqui. O Breno sozinho vale por uma alcateia inteira quando quer correr pela casa! — Ah, isso é verdade! Crianças nessa idade exigem toda a nossa energia — a senhora riu, caindo na distração de Christian e mudando o foco. — Bem, continuem com as compras. Deus abençoe a família de vocês! Assim que a idosa se afastou e sumiu entre as barracas do mercado, a máscara de Christian caiu. Ele virou-se totalmente para Helena, segurando o queixo dela delicadamente com os dedos para fazê-la erguer o rosto. Os olhos castanhos dela estavam marejados, fixos no chão. — Helena... olhe para mim — ele pediu, a voz descendo para um tom baixo e intensamente carinhoso. — Não ligue para o que ela disse, está bem? Eu não preciso de mais nenhum filhote. O Breno e você são tudo o que eu quero. Helena forçou um sorriso, gra
Sem muitas alternativas e, acima de tudo, querendo o bem do menino que já amava como a um filho, Helena aceitou a proposta. Ela se mudou definitivamente para o quarto de hóspedes, sem imaginar que a proximidade tornaria o jogo de olhares e beijos escondidos ainda mais irresistível. Quando estavam na mesma peça com o menino, a comunicação acontecia em silêncio. Christian cruzava a sala e lançava a Helena olhares atrevidos e profundos, que desciam deliberadamente pelos lábios dela e pelas curvas de seu vestido, fazendo as bochechas da ômega queimarem instantaneamente. Helena, por sua vez, respondia com sorrisos tímidos e morder de lábios que testavam o autocontrole do Alfa ao limite. O lobo de Christian rugia de satisfação a cada toque sutil, e Helena, pela primeira vez em anos, sentia-se intensamente desejada e viva. Eles sabiam que estavam brincando com fogo no espaço apertado daquela rotina, mas a química era forte demais para ser contida. Naquela mesma noite, após organizar su
A noite caiu rapidamente, trazendo consigo nuvens escuras e pesadas que começaram a encobrir a lua. Breno já havia jantado e dormia profundamente em seu quarto, alheio à mudança repentina no tempo. Na sala, Christian e Helena guardavam os últimos brinquedos quando o primeiro estrondo ecoou no céu. Um trovão violento sacudiu as paredes da casa de madeira, seguido imediatamente pelo som agressivo do vento e da chuva forte que começou a castigar as janelas. No mesmo milésimo de segundo, Helena soltou um grito abafado. O bloco de montar que estava em sua mão caiu no chão. Ela encolheu as costas, cobrindo os ouvidos com as mãos trêmulas enquanto sua respiração se tornava frenética e superficial. Uma crise de pânico completa a dominou, trazendo à tona traumas antigos e o medo profundo da solidão e do desamparo. Christian, guiado pelo instinto protetor mais puro de seu lobo Alfa, largou tudo o que estava fazendo. Em dois passos largos, ele quebrou a distância entre eles. — Helena! —
"Eu não posso me envolver com a Helena... O Breno precisa dela como babá, e eu não posso estragar a única estabilidade que meu filho tem", pensou Christian consigo mesmo, enquanto encarava o teto escuro do quarto. Ele tentava, sem sucesso, afastar a ferroada de desejo que havia atormentado seu lobo a noite inteira. No andar de baixo, Helena despertou sob os primeiros raios de sol que cortavam as frestas da janela. Ao abrir os olhos, percebeu que havia adormecido a noite toda na cama, abraçada ao pequeno filhote. "Eu deveria ter ido para o quarto de hóspedes...", recriminou-se mentalmente, sentindo as bochechas esquentarem de pura vergonha. Ela se sentou na beirada do colchão, respirou fundo para acalmar as batidas aceleradas do coração e, de repente, um forte cheiro de queimado invadiu suas narinas, vindo direto da cozinha. Helena passou as mãos pelos cabelos para ajeitar os fios desalinhados, ajeitou o vestido simples que estava completamente amassado e desceu as escadas às pre







