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Linda narrando... capítulo 5

last update Fecha de publicación: 2026-07-10 18:07:42

Marcas

Autora: Edivania Rios

Romance de Época – Anos 1950

Protagonistas: Linda e Leonardo

Todos os direitos autorais reservados à autora citada acima. Qualquer uso parcial ou total sem autorização será considerado infração legal, nos termos da LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.

 

Nada melhor do que ver os nossos sonhos se concretizando — e os meus estão se realizando, cada detalhe sendo uma satisfação para mim. Já faz cinco dias que estudo na mesma escola do menino por quem me apaixonei.

Ontem, Leonardo venceu Rick no torneio de futebol. Fiquei torcendo tanto para que Rick ganhasse... O assunto virou comentário em toda a sala e na escola inteira, dizendo que ele sempre perde para o melhor. Que povo idiota, que nojo!

Mas eu não desisto. Aproveitei um momento em que ele estava distraído, beijei-o de surpresa e depois pedi mil desculpas — essa é a minha jogada: fingir de ingênua, de quem não fez por mal.

Há dois dias, Dona Lia, a madrasta de Leonardo, vive me perguntando se descobri algo sobre ele que possa comprometê-lo. O irmão dele estuda aqui, mas por que eu tenho que ser a pessoa a descobrir? Pensando bem, é justo: ela paga os meus estudos, minha vaga aqui sai do dinheiro dela.

Comecei a observar Leonardo no recreio. Ele é muito reservado, mas percebi que não é tão inocente quanto parece — pelo contrário, e foi por isso que passei a prestar mais atenção. Vi uma menina se jogar nos braços dele no fundo do corredor, onde não havia ninguém. Ele a apertou contra si e beijou-a com força.

Deus do céu, é a Moanizia! Ela diz ser moça de família... As mulheres enlouquecem por Leonardo, não entendo o que elas veem nele — e já pude notar isso até na disputa de futebol. Ele a levou para uma sala vazia; antes de entrar, ela hesitou um pouco, mas ele sussurrou algo ao ouvido dela, e ela logo se deixou levar. Que mulher mais tola. Chegando à porta, encostei o ouvido e comecei a ouvir.

— Estou com medo de que doa, Leonardo.

— Não vai doer nada, vou fazer com carinho. Vem logo, Moanizia, se pensar muito o sino vai bater.

— Leonardo... você vai me assumir?

— Você vai me dar? Estou doido de vontade.

Bati forte na porta e saí correndo, misturando-me à multidão no pátio. Moanizia saiu logo depois, arrumando a roupa e o cabelo; sorri por dentro — tinha atrapalhado os planos dos dois. Leonardo ficou lá dentro, certamente fingindo que nada acontecera, como se esse fosse o seu jogo: agir e depois se fazer de santo.

Quando chegamos à sala, a Marisa chata estava ao meu lado, Moanizia permanecia calada, e Leonardo entrou como se absolutamente nada tivesse acontecido. Esse menino é o maior libertino que já vi.

— Marisa só vive grudada em Rick — pensei comigo mesma —, preciso bolar uma estratégia forte para tirá-la do caminho.

Fico furiosa: Rick nunca demonstrou o menor interesse por mim, mal fala sobre o que quer da vida. Se arrependimento matasse, eu nunca teria voltado para o Baixão; teria ficado aqui, perto dele, e hoje seria eu a sua namorada. Meus olhos devem estar vermelhos de tanto ódio.

Graças a Deus bateu o sinal da saída. Ao passar por Leonardo, esbarramos um no outro. Ele me olhou, eu o olhei de volta.

— Desculpa — pedi.

Ele apenas me fitou, acenou com a cabeça em sinal de compreensão e seguiu seu caminho. Com essa carinha de anjo, mas é um cafajeste — não faz ideia de que eu sei o que ele queria fazer com aquela moça. Moanizia viu o nosso contato e já começou a criar fantasias a nosso respeito; pelo jeito, está sentindo ciúmes. Mal sabe ela que ele não me interessa nem um pouco — que fique todo dela. Esse libertino vai conseguir o que quer, tenho certeza; a menina está louca por essa aventura, e ele não perderia essa oportunidade por nada.

 

Mais tarde...

Estou na casa de Rick, e Leonardo também está aqui. Chamei Rick para um canto; queria que ele fizesse comigo o que vi Leonardo fazendo com Moanizia, que me dissesse as mesmas palavras, que me garantisse que não iria doer. Mas ele é um bobo, nunca vi coisa igual. Vou chegar mais perto, me encostar nele — quem sabe assim ele cria coragem.

— Rick, vem cá — chamei-o —, fica comigo. Quero que você seja o meu primeiro, me faça sua mulher.

— Você é minha amiga, Linda, e eu a respeito muito. Por favor, não me assuste com essas coisas.

— Eu não quero respeito, quero você!

Ele me deixou ali sozinha, olhando para mim como se não pudesse acreditar no que ouvira. Senti o rosto queimar de vergonha.

— Ah, então é isso, Linda? Você quer o meu namorado, está jogando sujo comigo, não é? O que eu fiz para você? Acabou-se todo o respeito que eu tinha por você! Não vai conseguir o que quer — agora mais do que nunca, vou ficar com Rick.

— Pode pensar o que quiser, sua idiota. Sai da minha frente! — Dei-lhe um empurrão, mostrando que não a quero por perto, nem perto do homem que eu quero.

— Que coisa feia, Linda! Querendo se oferecer para o próprio amigo... as moças de hoje realmente não têm pudor nenhum — disse uma voz. Será que eles ouviram tudo? Fiquei ainda mais furiosa ao ver Leonardo ali.

— Eu e Marisa ouvimos cada palavra, Linda.

— Sai daqui, seu bastardo! Ninguém nesta cidade gosta de você, seu libertino!

— E como se chamam as moças que se oferecem assim? Ah, já sei: fáceis. Desse jeito, Linda, você vai acabar sozinha, como tantas outras que se apressaram.

— Igual à sua mãe, que ficou com um homem casado, não é? Pelo menos eu estou lutando por um homem solteiro!

— Quem é você para falar da minha mãe? Você está seguindo exatamente o mesmo caminho dela. Se você se oferecesse para mim, não ficaria com esse seu bocado nem por um segundo — eu não brinco em serviço. Ele apertou meu braço com firmeza, mas sem machucar, e soltou em seguida.

— Seu idiota! — Comecei a chorar, mas de pura raiva, e saí dali como se não tivesse lugar nenhum no mundo.

Cheguei em casa transtornada, almocei sem vontade e fiquei pensando: preciso saber mais sobre esse Leonardo, profundamente.

— Madrinha, descobri uma coisa sobre ele... mas para eu te contar direito, preciso entender melhor quem ele é, esse homem cheio de mistérios.

— Vou te contar tudo o que sei, para você ficar esperta. A madrasta dele acha que Leonardo nunca teve nenhuma mulher, que ele é virgem até hoje.

— Ela acha isso mesmo?

— Acha, sim. O outro filho dela já vai ser pai, e Leonardo continua nessa calma toda. Diz que, por ser filho de uma destruidora de lares, a linhagem dele é amaldiçoada — infeliz é a mulher que um dia tiver um filho com ele.

— Coitada dessa mulher, mesmo... continue me contando, madrinha.

— O pai dele sabia que nós estávamos falidos e comprou a metade das nossas terras para dar ao bastardo. Lia descobriu isso e quase perdi a amizade dela por causa do acontecido — tive que explicar muito, muito mesmo. Se arrependimento matasse, eu já estaria morta e enterrada.

Minha tia lamentava a decisão que tinha tomado.

— Mas na minha opinião, filha, o velho Pedro ama mais esse bastardo do que o filho que carrega o “sangue azul”. Ele só não assume essa preferência, porque cada vez fica mais rico e esconde tudo debaixo dos panos. E agora seremos vizinhas desse “bicho do outro mundo”. É melhor evitá-lo a todo custo, ou terá o seu nome manchado ao lado de um bastardo.

— Que nojo, credo, madrinha! Jamais chegaria perto.

— O que você ia me contar sobre ele?

— Madrinha, ele não é virgem coisa nenhuma. Fiquei sabendo que já fez várias moças se perderem... e sabe quem será a próxima vítima? Ela está caindo nas garras dele com toda a vontade: Moanizia. Pesquisei sobre a família dela — são os Castellanos.

Minha madrinha coçou a cabeça e saiu andando... Deus sabe o que foi fazer. Espero que não faça nada que possa me prejudicar; ela mesma sabe que eu sou a sua galinha de ovos de ouro. Qualquer passo errado dela pode colocar os nossos sonhos a perder.

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