Mag-log inBeatriz soltou a cortina e respondeu com ainda mais frieza:— A gente não tem mais nada para conversar além do divórcio. Se for sobre isso, procure meu advogado. Para qualquer outra coisa, não tenho tempo.Desligou sem esperar resposta.Gabriel ficou imóvel por um instante, com o celular na mão, como se não acreditasse que ela tivesse encerrado a ligação daquele jeito.Ligou de novo imediatamente, mas só ouviu a mensagem automática:— O número que você ligou está indisponível no momento. Tente novamente mais tarde.Uma vez, duas, três. A resposta era sempre a mesma.Beatriz tinha bloqueado ele!Ao entender aquilo, Gabriel não conseguiu mais conter a raiva.— Beatriz, você está se superando!A frase saiu entre os dentes, seguida de um soco forte no volante.Ele não entendia como aquela mulher, antes tão dedicada a ele, capaz de suportar sua frieza e seu desprezo sem aceitar ir embora, tinha mudado tanto.Agora era distante, fria, hostil. Nem sequer queria ver ele.A diferença e a sensaç
Beatriz virou o rosto devagar.— Não. Quando decidi ir embora, também decidi tirar ele do meu coração.Fez uma pausa e voltou a olhar pela janela, para um ponto mais distante.— Eu não amo mais ele. Faz tempo. Só não entendo por que continua adiando o divórcio, se já tem até um filho com outra mulher. O que ele quer de mim?Aquilo ia além de uma simples demora. Parecia uma forma silenciosa de tortura e controle.Além disso, Vanessa era filha das pessoas que tinham feito tanto mal a Beatriz. O carinho e a proteção de Gabriel por Vanessa aumentavam a dor e faziam Beatriz sentir aversão por ele também.Não restava apego. Só repulsa e incompreensão.Marcelo ouviu em silêncio, com o olhar atento e frio por trás dos óculos.O jeito como Gabriel tinha encarado Beatriz naquele dia não era o de alguém indiferente. A raiva e a possessividade quase sem disfarce eram intensas demais.Marcelo também não entendia por que Gabriel usava sua influência e arrumava tantos motivos para adiar a audiênci
Marcelo encerrou a ligação e voltou para perto de Beatriz. Ao perceber a mudança na expressão dela, se inclinou e perguntou baixinho:— O que aconteceu?Beatriz baixou os olhos e balançou a cabeça, tentando manter a calma.— Nada.Marcelo já tinha seguido a direção do olhar dela e visto Gabriel e Vanessa na entrada.Vanessa também notou os dois. Ao perceber que Gabriel não parava de olhar para Beatriz, apertou o braço dele contra o próprio corpo por instinto.Beatriz entregou Neve à funcionária com cuidado.— Amanhã volto para buscar ele. Obrigada por cuidarem dele.Em seguida, se virou para Marcelo e falou baixo, mas com firmeza:— Vamos embora.Marcelo manteve a mão próxima às costas dela, num gesto evidente de proteção.Os dois passaram diretamente por Gabriel e Vanessa. Beatriz olhava para a frente e não deu um único olhar a Gabriel, como se nem tivesse percebido a presença deles.Gabriel ficou parado, vendo Beatriz sair ao lado daquele homem de presença marcante. A raiva de se
— Neve!Beatriz chamou baixinho, encantada, e abriu um sorriso radiante.Ao lado dela, Marcelo nem olhava para Neve. Observava o perfil de Beatriz, que finalmente parecia mais tranquila, e sorriu sem perceber.A funcionária acrescentou, também sorrindo:— Ele está se recuperando melhor do que esperávamos e já está muito bem. Vamos observar por mais um dia. Se continuar assim, amanhã a esta hora você já pode levar ele para casa.Neve pareceu reconhecer a voz de Beatriz e esfregou o focinho no vidro.Ela sentiu o coração derreter.— Posso pegar ele um pouquinho?— Claro.A funcionária abriu a porta da sala.Beatriz pegou Neve no colo com cuidado, como se abraçasse um tesouro que julgara perdido.Alisou o pelo macio dele. Sua voz ainda carregava o susto, mas também um grande alívio.— Neve, você me deixou apavorada... Ainda bem que está bem...Marcelo ficou ao lado, observando os dois com ternura.Antes, nunca teria acreditado que passaria tanto tempo num hospital veterinário só para ac
No escritório de advocacia mais prestigiado de Cidade do Mar, Marcelo fechou o processo e consultou o relógio caro no pulso.Faltava meia hora para Beatriz sair do trabalho.Ele se levantou e acabara de pegar o paletó no encosto da cadeira quando a assistente bateu na porta e entrou com uma pilha grossa de documentos.— Marcelo, o Sr. Elder ligou de novo. Quer convidar você para jantar hoje. Disse que, se aceitar defender o filho dele no processo por crime financeiro, paga US$ 500 mil de honorários, seja qual for a sentença. E deu a entender que pode aumentar a oferta.O caso e os honorários elevados já eram conhecidos no meio jurídico. Muitos colegas disputavam aquela oportunidade.Marcelo reagiu como se tivesse ouvido algo sem importância. Não interrompeu o que fazia, e sua voz permaneceu tranquila.— Recuse. Diga que já tenho um compromisso hoje à noite e não posso.A assistente ficou tão surpresa que quase deixou os documentos escorregarem.Sabia que Marcelo nunca ficava sem clie
Em negociações entre outras empresas, até uma diferença mínima nos lucros provocava discussões intermináveis.Como, ali, um oferecia uma vantagem espontaneamente e o outro insistia em recusar?A secretária não conseguia entender o que os dois estavam pensando.No fim, o contrato foi renovado com os termos originais.Rafael terminou o café sem pressa, mas Beatriz não voltou. Guardou a caneta, ajeitou o terno e se levantou para se despedir de Rodrigo.Assim que saiu da sala, encontrou Beatriz numa curva do corredor, voltando do laboratório. Sua expressão estava mais leve, sinal de que o problema tinha sido resolvido.Lívia vinha atrás, cheia de admiração.— Beatriz, você é incrível! Um problema tão complicado, e você descobriu a causa tão rápido!Beatriz sorriu. Antes de responder, ergueu o rosto e encontrou o olhar de Rafael, que vinha na direção delas.Parou e cumprimentou ele com um aceno educado.— Rafael.Ele também parou, observando o rosto tranquilo e delicado dela.— Desde que







