REJEITADA PELO ALFA, ESCOLHIDA PELO REI DOS DRAGÕES

REJEITADA PELO ALFA, ESCOLHIDA PELO REI DOS DRAGÕES

last updateLast Updated : 2026-10-22
By:  Eva BelmontUpdated just now
Language: Portuguese
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Na noite em que deveria ser apresentada como a futura Luna da Matilha Lua de Ferro, Elara Valemont foi rejeitada diante de todos pelo homem que amava. O Alfa Darius Blackthorn não apenas rompeu o vínculo que os unia. Ele escolheu outra mulher, acusou Elara de carregar sangue amaldiçoado e ordenou que fosse expulsa antes do amanhecer. Ferida, humilhada e abandonada pela própria família, Elara atravessou a fronteira proibida, onde nenhum lobo sobrevivia. Mas, em vez da morte, encontrou um homem de olhos dourados, cuja presença fazia até as criaturas mais antigas se ajoelharem. Kael Drakhar, o temido Rei dos Dragões. Durante séculos, Kael governou um reino condenado por uma maldição que consumia lentamente sua espécie. Ele havia desistido de encontrar a mulher anunciada por uma profecia esquecida. Até que uma loba rejeitada apareceu em suas terras e despertou o fogo adormecido em seu sangue. Agora, o Alfa que a desprezou deseja recuperá-la. Uma falsa herdeira pretende tomar seu lugar. E os dragões começam a reconhecer em Elara uma autoridade que nem mesmo o rei consegue explicar. O que ninguém imagina é que a mulher considerada fraca possui o único poder capaz de salvar dois reinos ou reduzi-los a cinzas. O Alfa a rejeitou por acreditar que ela não tinha valor. O Rei dos Dragões a escolheu quando ela não possuía nada. Mas quando a verdadeira identidade de Elara vier à tona, será ela quem decidirá se algum dos dois reinos merece sua lealdade.

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Chapter 1

PRÓLOGO — A PROFECIA DAS DUAS CHAMAS

Há quatrocentos e oitenta e sete anos, quando os dragões ainda dominavam os céus e os lobos governavam as florestas sob a bênção da Lua, uma mulher entrou no Santuário das Duas Chamas carregando uma criança que não deveria existir.

A guerra havia devastado os dois reinos.

As montanhas de Drakhar estavam cobertas pelas cinzas de dragões mortos, enquanto as florestas lunares ardiam com o fogo dos exércitos. Durante décadas, lobos e dragões haviam lutado por territórios, poder e uma supremacia que nenhum dos povos conseguira conquistar.

Mas aquela guerra escondia um segredo muito mais antigo.

Um segredo que poderia condenar ambas as espécies.

Morgana Valemont atravessou o corredor do santuário com o vestido manchado de sangue. Seus cabelos escuros estavam presos de qualquer maneira, e uma ferida profunda atravessava seu ombro.

Nos braços, envolvida em uma manta branca, a pequena menina dormia tranquilamente.

A criança tinha apenas algumas horas de vida.

E já havia sido condenada à morte.

— Você não deveria ter vindo.

A voz grave ecoou entre as colunas de pedra.

Morgana ergueu os olhos.

Diante do altar encontrava-se Eryndor, o último dos dragões ancestrais. Sua forma humana conservava os sinais dos séculos: cabelos prateados, olhos dourados e marcas escuras que percorriam seu pescoço como escamas.

— Não havia outro lugar — respondeu ela.

Eryndor aproximou-se lentamente.

Quando seus olhos encontraram a criança, a expressão severa desapareceu.

— Então é verdade.

Morgana apertou a menina contra o peito.

— Ela nasceu esta noite.

— A marca?

Sem responder, Morgana afastou delicadamente a manta.

Sobre o pequeno peito da criança havia um símbolo luminoso: uma lua crescente envolvendo uma chama dourada.

O dragão ancestral recuou.

Por séculos, aquela marca existira apenas nas escrituras proibidas. Um símbolo associado às guardiãs que, muito antes da guerra, haviam mantido o equilíbrio entre os povos.

— O Fogo Lunar... — murmurou Eryndor.

— Minha filha não é uma arma.

— Não foi isso que eu disse.

— Mas será o que todos pensarão quando descobrirem.

Eryndor permaneceu em silêncio.

Morgana conhecia aquele silêncio. Era a mesma reação dos sacerdotes lunares quando haviam percebido o poder que crescia em seu ventre. A mesma expressão dos conselheiros que, semanas antes, haviam sugerido que a criança fosse sacrificada para impedir o cumprimento da profecia.

— O Conselho dos Lobos sabe que ela nasceu — continuou Morgana. — E alguém informou aos dragões.

— Quem?

— Não sei. Mas meus perseguidores chegaram antes que eu pudesse deixar as Terras Lunares.

Eryndor olhou para a entrada do santuário.

— Você foi seguida?

— Consegui despistá-los.

— Morgana, se descobrirem que trouxe a menina para cá, poderão interpretar isso como uma declaração de guerra.

Ela soltou uma risada amarga.

— Eles já querem uma guerra. Minha filha é apenas a desculpa que encontraram.

A criança se mexeu.

Morgana abaixou o rosto e beijou sua testa.

— Elara — sussurrou.

O nome pareceu despertar alguma coisa nas pedras antigas.

Uma chama dourada surgiu sobre o altar, seguida por uma luz prateada que percorreu as inscrições do chão.

Eryndor ficou imóvel.

— O santuário a reconheceu.

Morgana ergueu a cabeça.

— Então você precisa ajudá-la.

— Existe uma maneira de esconder o poder dela. Mas o preço será alto.

— Quanto?

O dragão hesitou.

— Teremos de selar seu sangue. A marca desaparecerá, sua energia ficará adormecida e, enquanto o selo permanecer intacto, ela não conseguirá despertar sua natureza lupina.

Morgana encarou a filha.

Uma loba incapaz de se transformar.

Nas Terras Lunares, aquilo significava fraqueza, humilhação e desprezo.

— Ela será tratada como uma inferior — murmurou.

— Mas estará viva.

A resposta atravessou Morgana como uma lâmina.

Viva.

Era tudo o que podia oferecer à menina naquele momento.

O chão tremeu.

Ao longe, um rugido atravessou as montanhas.

Eryndor ergueu a cabeça imediatamente.

— Os portões externos foram violados.

Morgana se virou para a entrada.

Um segundo estrondo sacudiu o santuário, fazendo pequenas pedras despencarem do teto.

— Eles me encontraram.

— Não temos tempo.

Eryndor aproximou-se do altar e estendeu a mão.

As inscrições antigas começaram a brilhar.

— Coloque a criança aqui.

Morgana recuou instintivamente.

— Você prometeu protegê-la.

— E vou cumprir minha palavra. Mas precisa confiar em mim.

Do lado de fora, vozes começaram a ecoar.

Homens gritavam ordens.

O som de espadas sendo desembainhadas chegou pelo corredor.

Morgana fechou os olhos por um instante.

Depois, com as mãos trêmulas, deitou Elara sobre a pedra.

A menina abriu os olhos.

Eryndor interrompeu o movimento.

Eles não eram azuis, como os de seu pai.

Nem prateados, como os das antigas guardiãs.

Eram violetas, atravessados por pequenos reflexos dourados.

A chama sobre o altar se inclinou em direção à criança.

— Pelos deuses antigos... — sussurrou o dragão.

— O que foi?

— Ela não carrega apenas o poder das guardiãs.

Morgana sentiu o sangue gelar.

— O que está dizendo?

Eryndor passou a mão sobre as inscrições.

— Ela nasceu com a capacidade de responder às duas fontes de magia. O Fogo Lunar não está apenas em seu sangue. Ele é parte da própria essência dela.

Um terceiro estrondo interrompeu a conversa.

Dessa vez, as portas externas cederam.

Eryndor não hesitou.

Pronunciou palavras em uma língua que Morgana desconhecia, e uma corrente luminosa se ergueu ao redor da criança.

Elara começou a chorar.

Morgana tentou alcançá-la, mas o dragão segurou seu braço.

— Não interrompa o ritual!

As chamas douradas envolveram o altar.

A marca no peito de Elara brilhou intensamente antes de desaparecer sob sua pele.

O choro cessou.

A luz se apagou.

E a criança voltou a dormir.

Eryndor apoiou uma das mãos na pedra, visivelmente enfraquecido.

— Está feito.

Morgana correu até a filha.

Examinou seu peito, seus braços e seu rosto.

A marca havia desaparecido.

— Ela está bem?

— Está. O selo permanecerá até que uma força suficiente desperte o sangue adormecido.

— Que força?

Eryndor olhou para a menina.

— Ainda não sei.

Passos apressados se aproximavam pelo corredor.

O dragão ancestral ergueu a mão e abriu uma passagem estreita na parede atrás do altar.

— Esse caminho leva às terras humanas. Tenho uma pessoa de confiança esperando além das montanhas. Ela poderá criar Elara longe dos reinos.

Morgana encarou a passagem.

— E você?

— Preciso impedir que descubram o que fizemos.

Ela abraçou a filha.

Queria acreditar que poderia atravessar aquela passagem, acompanhar seu crescimento, ouvir suas risadas, ensinar-lhe a controlar a magia quando chegasse o momento.

Mas conhecia os homens que a perseguiam.

Eles não parariam enquanto Morgana estivesse livre.

E, se permanecesse ao lado da filha, acabaria conduzindo os inimigos até ela.

— Vou ficar — decidiu.

Eryndor franziu a testa.

— Morgana...

— Eles estão atrás de mim. Se acreditarem que a criança morreu, não continuarão procurando.

— Você sabe o que farão quando a encontrarem?

— Sei.

A mulher respirou profundamente.

— Mas minha filha viverá.

Morgana retirou do pescoço um pequeno medalhão de prata. Nele havia o desenho de uma lua crescente.

Colocou-o junto à manta.

— Quando ela crescer, diga que foi amada.

Sua voz falhou.

— Diga que ninguém a abandonou por não ser suficiente.

Eryndor recebeu a menina com cuidado.

Morgana acariciou os cabelos escuros de Elara.

— Você não nasceu para carregar a culpa dos nossos erros, minha pequena. Não permita que decidam quem você deve ser.

Lágrimas escorreram por seu rosto.

— E, se um dia alguém disser que você não merece ser amada, espero que encontre forças para ir embora.

Ela beijou a testa da filha.

Depois recuou.

Eryndor atravessou a passagem.

A parede começou a se fechar.

Morgana acompanhou o movimento até que a última abertura desaparecesse.

Então se virou para os homens que invadiam o santuário.

À frente dos soldados estava uma figura encapuzada.

— Onde está a criança? — exigiu o desconhecido.

Morgana ergueu o queixo.

— Morta.

O homem parou.

— Está mentindo.

— O ritual consumiu sua vida. Vocês chegaram tarde demais.

Ele examinou o altar apagado.

Depois avançou até Morgana e segurou seu rosto com violência.

— Acredita que isso encerra a profecia?

Morgana sustentou seu olhar.

— Acredito que vocês têm medo de uma criança porque sabem que o poder de seus tronos foi construído sobre mentiras.

O homem a soltou.

— Levem-na.

Dois soldados prenderam seus braços.

Morgana não resistiu.

Enquanto era arrastada para fora do santuário, voltou os olhos para as inscrições no altar.

A lua e a chama haviam desaparecido.

Sua filha estava escondida.

Por enquanto, bastava.


Séculos depois, no Palácio de Obsidiana, Kael Drakhar despertou com o coração acelerado.

O Rei dos Dragões estava acostumado a sonhos sobre a guerra.

Via frequentemente os campos devastados, os corpos de seus soldados e as chamas que haviam consumido sua família.

Mas naquela noite havia sonhado com uma mulher desconhecida.

Uma jovem de cabelos escuros e olhos violetas.

Ela estava ajoelhada sobre a neve, cercada por lobos que observavam seu sofrimento sem ajudá-la.

Um homem de olhos azuis permanecia diante dela.

— Eu rejeito você como minha companheira.

A jovem ergueu o rosto.

Havia lágrimas em suas bochechas, mas nenhuma súplica em seus olhos.

Então a neve ao seu redor começou a derreter.

Uma chama prateada surgiu entre seus dedos.

E, atrás dela, uma voz feminina pronunciou palavras que Kael não escutava desde os dias da Guerra das Cinzas.

Quando a Lua rejeitar sua própria filha, o Fogo reconhecerá aquela que não possui coroa.

Kael se levantou da cama.

Do lado de fora, os dragões que guardavam as torres começaram a rugir.

Um após o outro.

A montanha inteira pareceu despertar.

Ele caminhou até a varanda e encontrou o céu atravessado por relâmpagos dourados.

Havia algo errado.

Sentia uma presença distante, muito além das fronteiras de Drakhar.

Uma energia que deveria ter desaparecido havia séculos.

Atrás dele, a porta se abriu.

Tharion entrou sem anunciar sua presença.

— Irmão, precisamos conversar.

Kael não desviou os olhos do horizonte.

— O que aconteceu?

— As chamas do santuário antigo voltaram a arder.

O rei permaneceu imóvel.

— Isso é impossível.

— Eu também pensei. Mas os guardiões confirmaram. As inscrições despertaram sozinhas e o símbolo das duas chamas apareceu novamente.

Kael fechou as mãos sobre o parapeito.

A imagem da jovem desconhecida ainda queimava em sua memória.

— Onde?

Tharion hesitou.

— No Vale de Aethra. Perto da fronteira dos lobos.

Uma rajada de vento atravessou a varanda.

Kael sentiu sua essência dracônica se agitar dentro do peito.

Durante séculos, acreditara que a última guardiã havia desaparecido.

Agora, porém, alguma coisa chamava por seu fogo.

— Prepare meus homens — ordenou.

— Para uma batalha?

Kael voltou o rosto para o irmão.

Seus olhos haviam adquirido o brilho dourado da forma dracônica.

— Ainda não sei.

Olhou novamente para as montanhas.

— Mas alguém despertou uma magia que o mundo inteiro tentou destruir.

Muito distante dali, na Matilha Lua de Ferro, Elara Valemont dormia sem saber que seu destino estava prestes a mudar.

Na manhã seguinte, ela escolheria o vestido que usaria na cerimônia de união com o homem que amava.

Acreditaria nas promessas que ouvira durante sete anos.

E caminharia até um altar esperando receber uma declaração de amor.

Não imaginava que seria rejeitada diante de todos.

Muito menos que aquela humilhação a conduziria ao único homem capaz de enfrentar dois reinos para protegê-la.

Porque, enquanto o Alfa se preparava para descartá-la, um rei que não se ajoelhava diante de ninguém acabara de sentir o chamado de seu sangue.

E os dragões estavam despertando.

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