LOGIN"Valentina"O Dante colocou uma música suave e eu fechei os olhos. Ele acendeu velas com aroma de jasmim e saiu do banheiro, me deixando aproveitar aquele momento. Podia parecer simples, mas havia algo muito especial no fato dele ter se preocupado em me preparar um banho e aquilo foi direto ao meu coração, como mais uma flecha acertada bem no alvo. No início da semana ele disse que queria me conquistar e ele era bom mesmo naquilo, sua atenção aos pequenos detalhes era o que mais me encantava e ele não deixava passar nada, como se eu já não estivesse suficientemente seduzida por ele. Eu não sei quanto tempo eu fiquei naquela banheira pensando no Dante e em tudo o que ele se tornou na minha vida em um tempo curto. Mas eu sei que foi tempo suficiente para acalmar o meu coração acelerado, a minha mente cheia de medos e o meu corpo cheio de desejos. E quando eu terminei, eu não vesti uma das camisas dele, eu abri a gaveta e tirei de lá uma camisola de seda fina, uma peça tão delicada que
"Valentina"Passava das nove da noite quando eu entrei em casa. A D. Marta, sempre eficiente, me recebeu com um sorriso afável e perguntou se deveria levar o jantar no quarto. Eu dispensei, já havia comido com a minha avó. Eu só queria um bom banho e cair na cama. Quando eu chegeui à porta do quarto, eu respirei fundo e dei graças a Deus por não ter encontrado nenhum dos agregados. Eu entrei de cabeça baixa, e só depois que fechei a porta foi que vi o Dante de pé no meio do quarto, sem camisa, só com a calça de moletom, olhando na minha direção. Ele sorriu e abriu os braços, eu corri e me joguei nele. Eu passei a tarde precisando de algo que eu não sabia o que era e agora eu descobri. Eu passei a tarde precisando daquele abraço, o abraço que me ancorava e que me fazia sentir segura. Eu apertei ainda mais os braços ao redor dele e inspirei o cheiro limpo da sua pele. E foi só ali naquele abraço que eu finalmente me senti em casa. - Parece que você sentiu minha falta... - Ele comentou
"Valentina"Eu observei a minha avó se aproximar do Aroldo. E vi o Aroldo a olhar como se ela não fosse mais do que um inconveniente. Ele revirou os olhos e bufou, como se ouvi-la fosse uma perda de tempo. - Mãe, você não sabe o que diz, não entende as coisas. - O Aroldo respondeu e ela deu um sorriso fraco. - Eu sempre entendi tudo. A única coisa que eu não consigo entender é onde foi que eu errei com você, meu filho. Eu dei a mesma educação para você e para a sua irmã, o mesmo amor, ensinei as mesmas coisas, mas você nunca me respeitou. - A minha avó falou com calma. - Até acredito que você tenha me amado como mãe, mas isso acabou quando eu fiquei velha e você passou a me ver apenas como um estorvo, alguém que envergonhava a sua esposa e a sua filha, alguém que dava despesa demais e era um fardo. - Não seja ridícula, mãe! Não vem com esse discurso vitimista. Vai me dizer que você ainda é útil pra alguma coisa? Você nem dá conta de arrumar uma casa, a coitada da Marli tinha que da
"Valentina"Depois que o Murilo fechou o computador com um sorriso confiante, eu senti um pouco de alívio. O juiz havia aceitado o pedido dele e suspendeu os efeitos da decisão que devolvia a curatela ao Aroldo até o resultado da perícia solicitada. Até lá, a minha avó continuaria no Residencial Sereno sob a minha responsabilidade, mas as visitas do Aroldo deveriam ser permitidas. Eu não gostava daquilo, mas era melhor do que ele tirar a minha avó de lá. Nós ainda estávamos ao redor da grande mesa branca de ferro, saboreando o almoço especial que o meu mauricinho havia encomendado em um restaurante português. A minha avó adorava bacalhau e comia o peixe com um prazer nítido nos olhinhos brilhantes. Mas s passos apressados da diretora e o seu ar preocupado eram prenúncio de problemas. Ela se aproximou da mesa visivelmente constrangida.- Dr. Dornelles, desculpe interromper, mas preciso da sua ajuda. - A diretora falou com a voz firme, tentando manter a postura de quem tem tudo sob con
"Valentina"A Tatiana e eu nos afastamos da mesa, mas o cachorro continuou sentado na cadeira ao lado do Murilo. Sim, na cadeira, como se realmente fosse um estagiário. Nós nos sentamos no banco sob a árvore em frente ao laguinho, observando a família de patinhos nadando de um lado para o outro.- Como você está com isso, Tina? - Foi a primeira coisa que a Tati perguntou. - Eu fiquei putíssima, Tati. Mas o Dante e o Murilo assumiram o controle de tudo e foram me dando as direções. - Eu respirei fundo. - E quer saber? Eu gostei de ter alguém cuidando de tudo pra mim. Alguém que tira o peso dos meus ombros e segura a minha mão. - Eu me virei para a Tatiana com os olhos marejados. - Mas quanto mais o Dante faz essas coisas, quanto mais ele me mostra como é ser amada e cuidada, mais medo eu tenho, Tati. Porque eu penso como vai ser depois, se esse tratamento não der certo... como eu vou sobreviver depois dele, Tati?- E se você não precisar sobreviver sem ele? E se o tratamento der certo
"Valentina"A calmaria dos jardins floridos do Residencial Sereno naquela tarde destoava da aflição que eu estava sentindo. O meu coração estava apertado com a possibilidade do Aroldo tirar a minha avó da tranquilidade que ele tinha agora, tudo por causa da ganância. O Dante mantinha a sua mão entrelaçada a minha, como se me mantivesse na superfície para respirar. Eu havia acabado de abraçar a minha avó quando o Murilo e a Tatiana apareceram. O Murilo segurava o Newton pela guia e o decote da Tatiana parecia um pouquinho maior. - De onde esses dois estão vindo, Tininha? - A minha avó perguntou.- Do escritório, vó. - Eu respondi simplesmente.Eu observei o cachorro puxando o Murilo, querendo sair correndo, e o Murilo com a mão nas costas da Tatiana, não querendo se afastar dela. Qualquer um diria que eles eram um casal ou quase uma família se observasse bem o cachorro.- E a Tatiana foi trabalhar com essa roupa? Os peitos dela vão pular daquela blusinha, Tininha! Não sei se o Pudinzi







