LOGIN"Valentina"Eu pisquei duas vezes, assimilando as novas informações que o Dante me dava. Para mim parecia impossível que aquela senhora fina e elegante partisse para um barraco daquela proporção, ainda que fosse por uma causa muito nobre.- A Constança deu uma sur'ra na Aurélia? - Eu perguntei e o Dante fez que sim. - Aquela mulher "chiquerésima" que saiu daqui se engalfinhou com a perua fútil num estacionamento e ainda levou a melhor? - O Dante confirmou bem humorado. - Não, meu lindo, isso não me parece possível. Isso é sério mesmo?- Seu lindo? - O Dante perguntou com um sorriso todo convencido, me apertando ainda mais em seus braços, suas mãos deslizando por todos os lados no meu corpo. - Gostei. Acho que vou querer ouvir isso mais vezes.- Talvez, se você tirasse a calça, chicletinho, eu pudesse te chamar de muitas coisas que você vai gostar ainda mais. - Eu falei manhosa e ele deu aquela gargalhada que ia direto no meu coração. - Você é tão pouco sutil quanto a Constança, meu a
"Valentina"A pergunta do Murilo pegou a Tati de surpresa e a desarmou completamente. As palavras pareciam ter ficado presas na garganta dela e os dois se encararam pelo que pareceu tempo demais. Ao redor deles, nós assistíamos quase sem respirar, esperando o desenrolar daquela cena como quem espera o capítulo da novela.- Eu estou bastante curiosa com o que ela vai dizer, porque até agora ela também deixou todo mundo falar que eles são namorados. Ela até chamou a Constancinha de sogra. - Eu comentei baixinho para o Dante que estava ao meu lado.- Encrenca, não incentiva a Constança. - O Dante avisou com um meio sorriso. - Você costumava ser meu amigo, Murilo. - A Tati falou engasgada, as lágrimas chegando aos olhos outra vez. - Mas aí se tornou o meu chefe e passou a ter zero cuidado com os meus sentimentos. E quer saber o que nós somos agora? Dois estranhos. - Estranhos porra nenhuma! - O Murilo resmungou. - Quer saber, mãe, pode ficar aqui com a Valentina. Eu vou resolver meus pr
"Valentina"O estrondo metálico da porta de ferro do estúdio sendo escancarada contra a parede reverberou pelo estúdio. O Dante e o Murilo entraram a passos largos. O Murilo parecia não ter tido tempo de se arrumar, mas a seriedade no seu rosto fazia parecer que ele estava indo para a guerra.- Mãe, posso saber o que a senhora está fazendo aqui? - Ele atravessou o estúdio e parou bem em frente a mãe, sua voz saindo como um trovão.- Ora, Murilinho, eu vim conhecer a minha nora, porque se dependesse de você, você me despacharia para a Sibéria só para não me apresentá-la. - A Constança falou naturalmente. Era óbvio que o filho não a assustava, nem mesmo quando parecia completamente enfurecido.- Eu deveria mesmo ter feito isso! - Ele concordou sem suavizar a voz ou o olhar. - Mãe, as coisas já estão difíceis o suficiente entre a Tatiana e eu para você aparecer na frente dela dando as suas opiniões.- Olha que interessante, ele sabe quem é a nora. - Eu comentei e o Dante me encarou como
"Valentina"Enquanto a Tati contava os problemas com o Murilo, a Constança e a Márcia ouviam atentamente, fazendo perguntas e manifestando apoio a Tati. E como a Constança perguntava! Com aquele jeitinho espaçoso, ela estava arrancando tudo o que queria da Tatiana e talvez agora ela soubesse mais do Murilo do que ele gostaria. Quando a Tati terminou a Constança estava com a mão sobre o coração.- Mas o Murilinho foi muito insensível! - A Constança declarou. - Você está certa, Tati, nós precisamos ensinar ao Murilinho que não é assim que ele trata a futura mãe dos filhos dele! - Calma aí, Constança. - A Tati, já bem mais à vontade, tentou conter a euforia da mãe do Murilo. - Seu filho e eu não somos...- Ah, minha filha, vocês são! Pode acreditar no que eu digo com a voz da experiência, vocês são um casal, e só estão desperdiçando energia e tempo negando isso. - A Constança afirmou cheia de si. - Agora, preste atenção no conselho que eu vou te dar. Faça o Murilinho se ajoelhar aos seu
"Valentina"A Tatiana piscou várias vezes encarando a mulher, enquanto eu tentava balbuciar uma saída para proteger a minha amiga, mas o olhar incisivo, a persistência e a quantidade de palavras que a Constança Dornelles conseguia proferir em qualquer mínimo espaço de silêncio tornavam impossível interrompê-la ou contrariá-la. Eu dei uma boa olhada na mãe do Murilo. A Constança era a imagem da elegância e da autoridade em seu conjunto de alfaiataria azul marinho e a postura de um general passando em revista seus soldados. Mas, apesar de sua presença dominar o ambiente, ela não gritava arrogância ou futilidade como a Aurélia. Ela parou de falar e mediu a Tatiana da cabeça aos pés, passou os olhos pelas caixas de pizzas e abriu um enorme e carismático sorriso enquanto esperava a resposta da Tati. - Ela disse sogra? - A Tati murmurou para mim, com os olhos estatelados na senhora em nossa frente. - Ela disse. - Eu confirmei.- Sra. Constança... - A Tati tentou falar.- Querida, é apena
"Valentina"Menos de duas horas depois, enquanto os créditos do filme subiam na tela, nós havíamos devorado a metade das pizzas e todo o pote de sorvete. Nós estávamos esticadas nos colchonetes espalhados pelo chão de cimento polido do galpão industrial e a Tatiana parecia mais calma. Eu não perguntei, não pressionei, apenas fiquei ali ao lado dela. Eu sabia que quando se sentisse pronta ela falaria. - Ele me humilhou, Tina. - Ela falou com um rastro de dor na voz e então começou a contar tudo o que tinha acontecido. Ela chorou e quando terminou se virou para mim. - Como é que você vai defender o engravatado de merda agora?- Tati, ele não deveria ter feito isso. Ele errou feio. - Eu me virei para ela. - Mas você tem que considerar a situação sob o ponto de vista dele. Já parou pra pensar como são as mulheres que o Dornelles conhece? Você viu naquele baile, elas são muito diferentes de nós. Talvez ele não tenha considerado que você poderia se sentir mal. - É aí que está, Tina. Que t







