Mag-log in"Valentina"Eu observei a minha avó se aproximar do Aroldo. E vi o Aroldo a olhar como se ela não fosse mais do que um inconveniente. Ele revirou os olhos e bufou, como se ouvi-la fosse uma perda de tempo. - Mãe, você não sabe o que diz, não entende as coisas. - O Aroldo respondeu e ela deu um sorriso fraco. - Eu sempre entendi tudo. A única coisa que eu não consigo entender é onde foi que eu errei com você, meu filho. Eu dei a mesma educação para você e para a sua irmã, o mesmo amor, ensinei as mesmas coisas, mas você nunca me respeitou. - A minha avó falou com calma. - Até acredito que você tenha me amado como mãe, mas isso acabou quando eu fiquei velha e você passou a me ver apenas como um estorvo, alguém que envergonhava a sua esposa e a sua filha, alguém que dava despesa demais e era um fardo. - Não seja ridícula, mãe! Não vem com esse discurso vitimista. Vai me dizer que você ainda é útil pra alguma coisa? Você nem dá conta de arrumar uma casa, a coitada da Marli tinha que da
"Valentina"Depois que o Murilo fechou o computador com um sorriso confiante, eu senti um pouco de alívio. O juiz havia aceitado o pedido dele e suspendeu os efeitos da decisão que devolvia a curatela ao Aroldo até o resultado da perícia solicitada. Até lá, a minha avó continuaria no Residencial Sereno sob a minha responsabilidade, mas as visitas do Aroldo deveriam ser permitidas. Eu não gostava daquilo, mas era melhor do que ele tirar a minha avó de lá. Nós ainda estávamos ao redor da grande mesa branca de ferro, saboreando o almoço especial que o meu mauricinho havia encomendado em um restaurante português. A minha avó adorava bacalhau e comia o peixe com um prazer nítido nos olhinhos brilhantes. Mas s passos apressados da diretora e o seu ar preocupado eram prenúncio de problemas. Ela se aproximou da mesa visivelmente constrangida.- Dr. Dornelles, desculpe interromper, mas preciso da sua ajuda. - A diretora falou com a voz firme, tentando manter a postura de quem tem tudo sob con
"Valentina"A Tatiana e eu nos afastamos da mesa, mas o cachorro continuou sentado na cadeira ao lado do Murilo. Sim, na cadeira, como se realmente fosse um estagiário. Nós nos sentamos no banco sob a árvore em frente ao laguinho, observando a família de patinhos nadando de um lado para o outro.- Como você está com isso, Tina? - Foi a primeira coisa que a Tati perguntou. - Eu fiquei putíssima, Tati. Mas o Dante e o Murilo assumiram o controle de tudo e foram me dando as direções. - Eu respirei fundo. - E quer saber? Eu gostei de ter alguém cuidando de tudo pra mim. Alguém que tira o peso dos meus ombros e segura a minha mão. - Eu me virei para a Tatiana com os olhos marejados. - Mas quanto mais o Dante faz essas coisas, quanto mais ele me mostra como é ser amada e cuidada, mais medo eu tenho, Tati. Porque eu penso como vai ser depois, se esse tratamento não der certo... como eu vou sobreviver depois dele, Tati?- E se você não precisar sobreviver sem ele? E se o tratamento der certo
"Valentina"A calmaria dos jardins floridos do Residencial Sereno naquela tarde destoava da aflição que eu estava sentindo. O meu coração estava apertado com a possibilidade do Aroldo tirar a minha avó da tranquilidade que ele tinha agora, tudo por causa da ganância. O Dante mantinha a sua mão entrelaçada a minha, como se me mantivesse na superfície para respirar. Eu havia acabado de abraçar a minha avó quando o Murilo e a Tatiana apareceram. O Murilo segurava o Newton pela guia e o decote da Tatiana parecia um pouquinho maior. - De onde esses dois estão vindo, Tininha? - A minha avó perguntou.- Do escritório, vó. - Eu respondi simplesmente.Eu observei o cachorro puxando o Murilo, querendo sair correndo, e o Murilo com a mão nas costas da Tatiana, não querendo se afastar dela. Qualquer um diria que eles eram um casal ou quase uma família se observasse bem o cachorro.- E a Tatiana foi trabalhar com essa roupa? Os peitos dela vão pular daquela blusinha, Tininha! Não sei se o Pudinzi
"Murilo"Eu tinha um plano que estava muito bem engatilhado para fazer a minha assistente derreter aquele coraçãozinho de gelo. Depois que saí da sala do Dante mais cedo e voltei para a minha sala, eu já tinha uma estratégia, mas quase me esqueço dela quando abri a porta da sala e dei de cara com a Tatiana de um lado com aquele zíper prestes a estourar e o cachorro esparramado na minha cadeira como se fosse o chefe. O cachorro ergueu a cabeça, abanou o rabo e colocou a língua para fora, babando na minha cadeira. Eu respirei fundo e entrei. Eu atravessei a sala, me sentei na cadeira em frente a mesa e peguei o notebook dando um sorriso para o cachorro que agora seria meu melhor aliado. - Vamos ver o que temos para hoje, caro Newton. - Eu falei enquanto abria o notebook. Eu não precisava olhar para a Tatiana para saber que ela estava tentando não sorrir. Mas a notificação na tela tirou o sorriso do meu rosto. O crápula do Aroldo estava se movendo. Eu rapidamente peticionei e consegui
"Valentina"O Dante passou as mãos repetidas vezes pelas minhas costas, me acalmando. Eu me sentia incapaz de falar. Eu só queria destruir alguma coisa, de preferência o pescoço do Aroldo Camargo. - Murilo, como o Aroldo está conseguindo pagar os honorários do Tavares Rios? Ele cobra caro, não faz pro bono e nem aceita causas no risco. De onde o Aroldo está tirando dinheiro? - O Dante perguntou, ainda me mantendo segura em seus braços. - Dante, não seja inocente! Essa manobra não é só para atingir a Valentina. Isso é para te atingir também. - O Murilo nos encarou. - Ou você se esqueceu que o Tavares foi o advogado que a Aurélia contratou quando o seu pai morreu?- Mas... até onde nós sabemos, a Aurélia não conhece o Aroldo. - O Dante comentou.- Ela não, mas o Otto conhece a família inteira, nós já o vimos com a Agatha, eles parecem bastante próximos. Dante, o Otto tem dinheiro suficiente para pagar o advogado. Ele sabe que atingindo a Valentina ele vai te atingir. - O Murilo esclar







