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last update Fecha de publicación: 2026-01-26 11:14:45

Alexander encarou a notícia com calma. Um casamento arranjado, apenas mais um trâmite. Afinal, seu pai lhe prometera a presidência do conglomerado assim que se casasse. Era um acordo estratégico. Ganha-ganha. Mas enquanto desligava a chamada, seu olhar voltou a pousar no corredor vazio onde Valeria tinha desaparecido.

Aquela mulher... o sinônimo de fraqueza, de desespero. E, estranhamente, um ímã para ele.

As lágrimas corriam pelas bochechas de Valeria, encharcando o travesseiro. A humilhação dos últimos dias entalava em sua garganta. Garota de recados? Ela, uma ladra? A raiva queimava seu peito, mas no meio da tempestade de emoções, secou os olhos com o dorso da mão e prometeu a si mesma: limparia seu nome. Não deixaria que aquele homem a pisoteasse.

Ela se apresentou mais uma vez no imponente edifício do Grupo Baskerville.

Alexander, com seu olhar gélido e seu terno impecável, parecia desfrutar de seu sofrimento. Suas ordens eram rudes, suas tarefas, humilhantes. Desde trazer-lhe o café na temperatura exata até organizar papéis sem sentido, cada instrução era um lembrete constante de sua situação.

Havia momentos em que Valeria sentia as lágrimas nos olhos, a indignação a sufocando, mas engolia o orgulho. O contrato que tinha assinado era uma corda no pescoço; não havia volta. Já estava há dois meses naquele inferno, e cada dia era pior que o anterior.

— Por que me trouxe isto? Não te pedi isto, maldita seja! — reclamou furioso. Ela, que estava organizando uns papéis, olhou para ele, sobressaltada.

— Sinto muito, foi meu erro, vou resolver.

Ele a apontava com seu olhar felino quase de maneira ameaçadora, então bufou.

— É tudo? É a terceira vez que comete um erro assim! Você é tão distraída — rosnou levantando-se de sua cadeira giratória, dando grandes passadas até invadir o espaço dela. Ela mal levantou o olhar, engoliu em seco. — Entende que é a terceira vez e não pode existir um quarto erro? Nesse caso, terá que ir embora daqui e devolver o dinheiro que recebeu da minha parte, porque aqui a incompetência é multada.

Desta vez, ela arregalou os olhos diante de suas palavras cheias de crueldade e injustiça.

— O senhor não pode fazer isso.

— E você se atreve a me questionar? Será melhor você ir buscar o que pedi, e volte rápido, preciso que vá à lavanderia.

Ela abriu a boca para refutar, mas decidiu ficar em silêncio, mesmo quando ele a estava pisoteando daquela maneira, apesar de aquele cara estar tratando-a tão mal. Por que ele a detestava tanto? Ela nem sequer tinha roubado seu precioso relógio, no entanto, Alexander parecia ser um homem bastante déspota e rancoroso.

"Um idiota", pensou.

Saiu de lá após pedir licença.

Por sua vez, Alexander afrouxou a gravata e recostou-se em seu assento giratório, bufando enquanto olhava para o teto. E aquele silêncio não tardou a ser quebrado pela chamada de sua mãe.

— Filho meu, Dina escolheu o vestido, está espetacular. Tudo está em ordem, quase pronto.

— Fico tranquilo em saber que tudo corre bem, mãe. Já enviaram os convites?

— Sim! Liguei para te dizer isso também. Não falta nada para o grande dia, está nervoso?

— Não sei exatamente o que você quer ouvir, mãe. É apenas mais um evento, pelo bem da família e dos negócios.

— Não seja tão seco — estalou a língua. — Visite-nos logo, filho.

Desligou.

Mais tarde Valeria voltou, desta vez não errou, mas continuava sob o olhar atento de seu chefe. Assim que pôde, quase fugiu para cumprir o que ele pedira. Enquanto caminhava para a lavanderia, a tontura surgiu e um vazio no estômago a lembrava de que não tinha comido nada desde a manhã.

"Idiota. Cretino. Um completo imbecil", pensava a cada passo.

Como ele podia ser tão cruel? Não apenas a humilhava com suas tarefas, agora também exigia que devolvesse o dinheiro se a demitisse. Uma dívida que a prendia àquele inferno. Como sobreviveria se ele a expulsasse? De onde tiraria o dinheiro para devolver cada centavo que tinha recebido?

Sentia-se presa, uma mosca na teia de um predador. O ódio a consumia, mas o desespero era mais forte. Tinha que aguentar, tinha que encontrar uma maneira de escapar daquele vínculo sem perder tudo.

Ao chegar à lavanderia, enquanto esperava para receber o terno, o cheiro de produtos químicos revirou seu estômago. De volta ao edifício Baskerville, subiu no elevador com o terno cinza pendurado no braço. Ao chegar ao andar, parou em frente à porta do escritório de Alexander e, com a mão trêmula, deu batidas suaves.

— Entre — ouviu-se a voz de Alexander, mais fria do que nunca.

Valeria entrou, sentindo-se pequena e insignificante.

— Voltei, senhor Baskerville — anunciou com a voz baixa e trêmula, quase um sussurro.

Ele não levantou o olhar dos papéis que tinha sobre a escrivaninha.

— Coloque ali — ordenou, apontando com um movimento de cabeça para um cabideiro de madeira escura em um canto.

Valeria obedeceu, deixando o terno com cuidado. Depois, parou em frente à escrivaninha, juntando as mãos.

— Precisa de algo mais, senhor?

Alexander finalmente levantou a vista. Seu olhar gélido percorreu Valeria de cima a baixo, detendo-se em seu rosto pálido e olhos cansados. Um sorriso cruel desenhou-se em seus lábios. Com um gesto rápido, jogou um par de notas amassadas no chão, bem aos pés de Valeria.

— Pegue o dinheiro e saia — disse, o deboche era evidente em sua voz. — Considere uma gorjeta.

O coração de Valeria parou. O sangue subiu à cabeça em uma onda de vergonha e raiva. O gesto de Alexander foi um soco no estômago.

Humilhada, ficou imóvel por um segundo, sua mente gritando para que fosse embora sem pegar nada, mas seu corpo, aquele que precisava sobreviver, a lembrava de que tinha que se abaixar. O medo de perder o emprego era mais forte que seu orgulho. Lentamente, inclinou-se e recolheu as notas. Seus dedos roçaram o chão frio e sentiu-se como um animal pegando as migalhas de seu dono.

Dispunha-se a sair, com os olhos fixos no chão, quando a voz de Alexander a deteve.

— Não pretende me agradecer? — perguntou ele com sarcasmo.

As lágrimas ameaçaram transbordar, mas Valeria piscou com força, obrigando-se a manter a compostura.

— Muito obrigada, senhor — murmurou, com a voz quase inaudível.

Sem esperar uma resposta, deu meia-volta e saiu quase correndo do escritório. Sentia a mesma sensação dos últimos dois meses; estava presa em um inferno do qual não podia escapar.

Justo quando fechava a porta do escritório e se dispunha a caminhar para sua mesa, uma mulher loira, elegantemente vestida e com um casaco de alta costura, passou por ela de forma abrupta. Com um movimento brusco, seu ombro colidiu com o de Valeria, fazendo-a cambalear. Uma dor aguda no ombro foi sentida por um segundo. A mulher entrou no escritório de Alexander sem sequer olhá-la.

— Dina, que surpresa — ouviu Alexander, sua voz era surpreendentemente "amável".

— Fazer uma surpresa para meu noivo foi a intenção — disse a mulher com uma voz melosa e segura.

"Meu noivo". A palavra ecoou em sua cabeça. Aquela mulher era a noiva de Alexander, a mulher com quem ele ia se casar.

— Dina, mesmo assim...

— Casamos este fim de semana, a data já foi escolhida — interrompeu-o.

Ou seja, seu chefe se casaria em dois dias. Valeria tentou seguir seu caminho, mas já era tarde demais. A tontura voltou com uma intensidade brutal e sua visão escureceu. A vontade de vomitar subiu por sua garganta e ela teve que parar, apoiando-se contra a parede, seu corpo inteiro tremia.

Tinha um mau pressentimento. E se... estivesse grávida? A ideia a congelou.

Grávida daquele idiota, seu chefe?!

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Último capítulo

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   FIM

    EpílogoQuando os quadrigêmeos já tinham cerca de dois anos de idade, Valeria e Alexander decidiram se casar novamente. Queriam fazê-lo de maneira sincera, para que ficassem boas lembranças daquele dia, e não aquele casamento que foi realizado de forma abrupta e que fora apenas um trâmite. Valeria estava diante do espelho, olhando-se. Estava linda. Tinha lágrimas nos olhos, mas conteve-se para não estragar a maquiagem.Diana aproximou-se, também contente e cheia de muita emoção.— Felicidades, filha! — disse, com a voz tremendo de felicidade —. Realmente me alegra te ver assim. Este dia é lindo e me enche de emoção poder compartilhá-lo ao seu lado. Isso nos faz muito felizes.— Mamãe, você vai me fazer chorar com suas palavras bonitas! — exclamou Valeria, sorrindo através dos olhos umedecidos.— Desejo-te o melhor, de verdade. Assim como você tem vivido sua vida, continue fazendo-o desta maneira que te faz feliz.Abraçaram-se ali, carinhosamente. Naquele momento, apareceu Marina. Mari

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   157

    Quando Valeria acordou, encontrou-se em um quarto de hospital, e ao seu lado estava Alexander. Ele se inclinou sobre ela, com o rosto iluminado pelo alívio.— Que bom que você acordou, Valeria. Como se sente, querida? — perguntou amoroso, enquanto beijava sua testa e sua bochecha com uma ternura gigantesca.Ela sorriu, ainda um pouco fraca.— Acho que ficarei bem, eu acho. Suponho que já prepararam a cesárea, não é?O homem assentiu com a cabeça.— Estão te preparando. Vão te levar para o centro cirúrgico em uma hora, mais ou menos. Você acha que eu devo estar lá com você também?— Tem certeza? Você vai conseguir ficar lá sem desmaiar? — perguntou ela, um pouco divertida.Alexander sorriu com a pergunta dela.— Você acha que eu sou covarde a ponto de desmaiar no nascimento dos meus filhos? É claro que não farei isso. Não vou desmaiar, então não se preocupe.Ela assentiu com a cabeça.— Nesse caso, então não saia do meu lado.— Prometo que não sairei do seu lado, querida.Depois de mai

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   156

    Naquela manhã, haviam terminado de ajustar os últimos detalhes do quarto dos quadrigêmeos. Valeria e Alexander estavam contentes com o resultado. Ambos se abraçaron, olhando o espaço cuidadosamente decorado.— Eu amo este lugar — comentou Valeria, acariciando o ventre volumoso —. E pensar que faltam apenas alguns dias para o nascimento dos bebês. Estou tão nervosa e, ao mesmo tiempo, animada — admitiu, com um enorme sorriso no rosto.Alexander a abraçou pelos ombros, trazendo-a para perto de si com carinho.— Eu também estou bastante ansioso para conhecê-los — mencionou ele —. Sinto-me emocionado, e ainda é inacreditável que vou me tornar pai, e não de apenas um bebê, mas de quatro! — confessou, com um sorriso que denotava uma felicidade genuína.Valeria suspirou, inclinando a cabeça no ombro dele.— Eu não poderia encontrar homem melhor. Acho que estávamos destinados a nos encontrar — disse, em tom de brincadeira.— Por que você está rindo, Valeria? — perguntou ele, carinhosamente.E

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   155

    Valeria se postou diante de seu pai, com a respiração um pouco agitada pela ansiedade; precisava falar com ele e contar sobre sua reconciliação.— Papai, preciso falar com você. Agora — emitiu, buscando os olhos dele.Alejandro cruzou os brazos sobre o peito, sentindo que a calma que havia buscado ao chegar em casa se afastava. Não tinha un bom pressentimento.— Filha, seja o que for, pode esperar. Estou cansado. Podemos falar amanhã?— É sobre o Alexander.O rosto de Alejandro endureceu naquele momento. Não queria falar de Alexander. Por fim, suspirou.— E então? O que tem ele? Ele já assinou os papéis do divórcio que você tanto desejava?Valeria respirou fundo. Tinha que ser direta, apesar de não estar tão segura.— Não, Papai. Não haverá divórcio.— O que você está dizendo, Valeria? — Sua voz era grave, atônita —. Você acaba de recuperar seu sobrenome, passou pelo inferno... Depois de tudo o que esse homem te fez... depois da traição e da desonra... você vem me dizer que não vai se

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   154

    A moça finalmente olhou para Leo. Sua voz soou irritada pela pressão.— Por que o senhor faz tudo isso? Por que insiste em me ajudar quando eu não pedi? — balbuciou ela, não porque quisesse ser ingrata, mas porque se sentia desconfortável com a intromissão.Leo olhou para ela por um instante, um gesto de fastio. Voltou a fixar o olhar na estrada.— Quantas vezes vou ter que repetir para não ser formal comigo? Apenas me trate por "você" — repetiu.Ela suspirou sonoramente, voltando a dirigir-se a ele.— Não entendo por que você insiste em me ajudar quando claramente já fez muito por mim.— Como você quer que eu não me preocupe? Naquele dia, quando você apareceu do nada e se jogou na estrada sem pensar, parecia estar fugindo de alguém ou de algo. E agora mesmo você está com um hematoma no olho. Alguém fez isso com você. Então, diga-me quem te bateu e por que você não denuncia isso à polícia. Você deveria fazer isso para que se tomem providências contra essa pessoa.A mulher ficou novame

  • ​Uma Noite com o CEO: Grávida de Quádruplos   153

    Valeria voltou para casa. Sua mãe, Diana, percebeu que a filha parecia um pouco diferente, como se estivesse mais contente.— Você está bem, Valeria? Noto que está diferente — admitiu ela, aproximando-se —. Parece que algo bom aconteceu.Diana percebeu o reflexo da felicidade nos olhos dela, aquele brilho que voltava a resplandecer de alguma maneira. Significava que algo bom ocorrera.Valeria sorriu amplamente e abraçou a mãe.— Na verdade, você não se engana, Mamãe — sussurrou, com alegria —. Aconteceu algo muito bom. Alexander e eu decidimos começar de novo. Queremos estar juntos. Ambos sabemos que o divórcio não é algo que desejamos. Espero que entenda, Mamãe.Diana encheu-se de surpresa com a notícia, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma felicidade genuína. Ver a filha contente fazia com que ela se sentisse da mesma forma.— É claro que estou contente por você, Valeria! Você não imagina o quanto me sinto feliz ao ouvir isso — disse ela, abraçando-a novamente.Valeria separou-se dela, c

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