Gabrielle Goldman Eu poderia começar listando, enumerando meticulosamente todas as razões pelas quais fiz o que fiz. Poderia organizar cada pensamento como um argumento sólido, construir uma linha lógica impecável, talvez até escrever uma tese inteira — cem páginas ou mais — defendendo minha escolha com a frieza de quem acredita ter tomado a decisão correta. Mas, no fundo, eu sei que seria inútil. Nenhuma justificativa seria suficiente para limpar o peso do que deixei para trás. Tenho plena consciência da falha que carrego agora, da rachadura que se abriu dentro de mim no momento em que aceitei sair daquela festa. Ainda assim, por mais cruel que seja admitir isso até para mim mesma, não me arrependo. Talvez isso seja o mais assustador de tudo. Até porque, se quisesse, eu também poderia listar motivos para ter ficado. Poderia falar sobre dever, sobre honra, sobre promessas feitas diante de testemunhas e alianças que deveriam significar eternidade. Poderia falar sobre Lucas, s
Last Updated : 2026-03-22 Read more