José compreendeu com clareza a indireta carregada de ressentimento, mas preferiu manter o silêncio, ciente de que qualquer palavra seria inútil naquele momento.— Lola, minha querida, você não vivia dizendo que tinha vontade de conhecer Oeiras? — Perguntou Glória, virando-se para a mulher ruiva ao seu lado. O olhar da senhora, antes frio, agora transbordava um afeto genuíno. — Aproveite que estamos aqui e fique o tempo que desejar.Embora tivesse traços estrangeiros marcantes, Lola falava o idioma local com uma fluência impecável.— A decisão é toda sua, mãe. O tempo que a senhora decidir ficar, vou ficar ao seu lado. — Respondeu ela, com um sorriso doce.— Ela é... sua filha? — Indagou José, incapaz de disfarçar a surpresa que tomou conta do seu rosto.Glória acariciou as costas da mão da jovem com uma ternura maternal, suspirando de leve.— É verdade que não compartilhamos o mesmo sangue, mas fui eu quem a viu crescer e se tornar essa mulher maravilhosa. Se ela me chama de mãe com ta
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