Era como um instinto primal, aquele que faz os animais reconhecerem seus próprios filhotes.Eu me aproximei devagar, com passos silenciosos, enquanto meu olhar se perdia no rosto de Laís. Eu a observava com uma intensidade voraz, como se pudesse compensar, em um instante, todos os anos que estive ausente.Quando Laís me viu chegar, ela desligou o celular e, cheia de orgulho, disse:— Meu pai concordou! E eu não contei nada sobre a alergia! Eu cumpri minha promessa, não cumpri?— Cumpriu sim. — Minha voz saiu embargada. Eu me abaixei, estendi a mão e acariciei suavemente seus cachos macios. — Você é uma menina muito obediente.Laís ficou um pouco confusa. Ela não entendia exatamente o que estava acontecendo, mas, como toda criança, percebeu que havia algo diferente. Seus olhos brilhantes me encararam com curiosidade enquanto ela perguntava:— O que foi? Por que você está assim?— Não é nada. — Respondi, forçando um sorriso. — Eu só estava pensando em fazer um bolo bem grande pra você no
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