A casa era enorme e linda, com um jardim imenso, e silenciosa, parecia ainda mais fria diante da vulnerabilidade de Marvila. Ele desceu do carro, pegou a mochila dela e a conduziu até a entrada, sem tocar em seu corpo, mas com um cuidado que não se via há muito tempo em seus gestos.Enquanto Dom andava um pouco desnorteado, sem jeito, procurando uma manta, Marvila observava o ambiente com olhos cautelosos. Era a primeira vez em meses que se sentia minimamente segura, mesmo sem saber se podia confiar naquele homem.Ela vinha de longe. Estava fugindo do ex-namorado, um homem alcoólatra e violento, que transformava cada noite em um campo de batalha e que, depois de preso, ainda era um fantasma na memória. As marcas em seu corpo já haviam desaparecido, mas as da alma ainda sangravam em silêncio.Ela não tinha família a quem recorrer: órfã, fora criada pela avó, a única que lhe deu colo de verdade. A mãe falecera quando ela era pequena, do pai, nunca teve notícia. Quando descobriu a gravid
Última atualização : 2025-10-22 Ler mais