A claridade pálida da manhã filtrava-se pelas fendas elevadas da caverna, mas não trazia calor. O gelo que se acumulava nas bordas da rocha gotejava devagar, criando um metrônomo natural e melancólico. Deitada sobre o leito de peles espessas, Lira abriu os olhos. O teto de pedra parecia girar levemente, mas a tontura da febre havia desaparecido, substituída por uma vibração estranha e intensa que corria sob sua pele. Ela levou a mão ao ombro esquerdo. A ferida que antes latejava com a corrupção negra da magia de Valthor agora exibia uma cicatriz rosada e lisa, quase completamente fechada sob uma camada de unguento seco.Ela respirou fundo, e o aroma de carvalho, terra de floresta e uma essência metálica e adocicada invadiu seus pulmões. Suas pupilas se dilataram. Instintivamente, sua mão buscou o cinto, mas sua espada e suas adagas não estavam lá. Sua armadura de couro havia sido empilhada perto da lareira extinta. Ela estava vulnerável, vestida apenas com o linho leve que cobria seu
Última atualização : 2026-08-19 Ler mais