No escritório, Henrique olhou para o relógio de parede.Meia-noite.Para ele, ainda era cedo demais para dormir.Pegou o livro novamente e leu por mais algum tempo.Meia hora depois, saiu do escritório e voltou ao quarto. Ao abrir a porta, encontrou o ambiente mergulhado na escuridão. Ainda assim, havia no ar um perfume suave que, até então, não pertencia àquele quarto.Ele acendeu a luminária de luz quente.De imediato, viu o volume discreto sobre a cama grande. Tatiane estava deitada de lado, voltada para a janela, deixando um amplo espaço vazio atrás de si. Naquela cama de dois metros e sessenta, seu corpo parecia ainda menor, ainda mais frágil.Henrique ficou parado no mesmo lugar, olhando para ela. Dois segundos depois, reduziu o passo, aproximou-se devagar e se sentou na beira da cama.Observou o rosto tranquilo da mulher adormecida.De repente, estendeu a mão. Seus dedos longos tocaram de leve os fios de cabelo que caíam sobre o rosto dela.Seu olhar profundo permaneceu preso ao
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