Henrique virou o rosto de leve e olhou para Felipe, que estava no banco do passageiro. Depois disse, sem pressa:— Ainda não chegamos a um beco sem saída. Há muito futuro pela frente.Felipe continuou olhando pelo para-brisa, fixo no carro adiante. Tinha o rosto duro, quase sem reação. Não respondeu.Henrique manteve a atenção na estrada.— No fundo, você já devia saber que isso podia acontecer. Agora que as coisas chegaram a esse ponto, encare e resolva. Ficar desse jeito não vai mudar nada.O silêncio se alongou dentro do carro. Só depois de muito tempo Felipe falou:— Às vezes, eu tenho inveja dessa sua frieza. Dessa sua capacidade de decidir tudo como se nada te atingisse. Se um dia a Bia te odiar, talvez você ainda consiga repetir essas mesmas palavras com essa calma toda.Ele soltou uma risada curta, sem humor.— Claro, você vai dizer que não gosta de hipóteses. Que tudo sempre esteve sob o seu controle. Por isso mesmo, você nunca vai entender o que eu estou sentindo agora.Henri
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