- Não podemos contar a ninguém - disse ela, a voz trêmula, enquanto vestia o hábito às pressas, os dedos atrapalhados com os botões. O véu estava no chão, empoeirado, e ela o pegou, ajustando-o com mãos que não paravam de tremer.Gabriel, já abotoando a calça, assentiu, o rosto sério, mas com um brilho nos olhos que dizia que ele não se arrependia.- Não vou contar - disse ele, baixo, limpando o suor da testa com as costas da mão. - Mas isso, Clara... isso não acaba aqui. Você sabe disso.Ela quis protestar, dizer que era um erro, que nunca mais aconteceria, mas as palavras não vieram. Ele estava certo. O que haviam feito era uma linha cruzada, um pecado consumado que não podia ser desfeito. Ela saiu do depósito sem olhar para trás, o corpo ainda pulsando com a memória dele, o cheiro dele impregnado em sua pele.Naquela tarde, durante as vésperas, Clara sentou-se no oratório, o rosário apertado entre os dedos, mas sua mente estava longe das orações. Cada movimento do hábito contra sua
Last Updated : 2026-04-19 Read more