Capítulo 37: A Alvorada de Vidro (Ágata)A luz que entrava pela janela alta do quarto não era a luz amarelada e sufocante da mansão na Barra. Era uma claridade branca, fria, que cheirava a maresia misturada com o ozônio das montanhas. Abri os olhos devagar, sentindo cada centímetro do meu corpo protestar. A dor no meu ombro era uma brasa persistente, um lembrete físico de que o metal do Ricardo tinha me encontrado, mas não tinha me parado.Eu não estava em um hospital comum. As paredes de concreto reforçado e o som distante de rádios comunicadores me diziam que eu estava no coração do império do Miguel. E, por um instante, o pavor de acordar sob o domínio de um homem deu lugar a uma paz estranha. Porque, ao contrário de Ricardo, que me mantinha presa por correntes invisíveis de medo, Miguel me mantinha ali com uma proteção que eu podia sentir no ar.Virei o rosto com esforço e o vi.Miguel estava sentado em uma poltrona de couro gasto, a poucos centímetros da minha cama. Ele não usava
Last Updated : 2026-01-24 Read more