Recompus minhas feições de volta ao que eu considerava meu “rosto de Luna”. Altiva e impassível, ou tentando ser, enquanto atravessava aquele grande campo minado social e conseguia chegar, ilesa, à outra margem.Havia bastante gente agrupada ao redor do buffet de refrescos. Lobos eram um povo faminto, afinal. Examinei as bandejas de aperitivos com uma apreciação simbólica pela arte das apresentações. Meu estômago, porém, estava em nós e se opunha com veemência à ideia de comida.Eu também tinha comido pouco no almoço. O estresse tinha enchido minha barriga como uma pedra, sufocando meu apetite o dia inteiro. Eu tinha certeza de que o álcool que estava prestes a consumir me atingiria como uma tonelada de tijolos, mas, de forma imprudente, alcancei uma taça de vinho espumante mesmo assim.Talvez, se eu bebesse aquilo depressa, conseguisse atravessar o que estava por vir envolta em uma névoa agradável.— Luna Avery. — Uma voz ronronou sobre meu ombro.Sobressaltei-me, quase derramand
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