A noite na mansão Albuquerque tinha um peso diferente. Não era mais o peso do medo ou da vigilância extrema, mas uma densidade feita de alívio e descoberta. No quarto principal, a penumbra era quebrada apenas por um abajur de sal que emitia uma luz âmbar suave.Heitor estava sentado na beira da cama, os ombros levemente caídos. Sem o paletó e a gravata, ele parecia menor, mais humano. Alice se aproximou com um frasco de pomada e compressas. Com uma paciência infinita, ela o ajudou a tirar a camisa, expondo a pele marcada pelos hematomas arroxeados que subiam pelas costelas e tomavam conta do ombro.— Dói muito? — ela sussurrou, passando os dedos gelados, com extrema leveza, ao redor da área lesionada.Heitor soltou um suspiro longo, fechando os olhos. — Agora não. O seu toque parece anestesiar tudo, Alice.Ela sorriu timidamente e começou a aplicar a pomada com movimentos circulares. Heitor segurou a mão dela por um instante, levando-a aos lábios.— Você não tem ideia do que pass
Last Updated : 2026-02-23 Read more