Lorena Azevedo Essa festa estava tudo, menos confortável. Desde o momento em que o Eduardo Soares deu em cima de mim daquele jeito sutil, disfarçado de educação e cavalheirismo barato, uma sensação amarga e sufocante se instalou no fundo da minha garganta. O ar daquele salão parecia pesado, impregnado de falsidade, perfume caro e intenções sombrias. O pior de tudo era o olhar dele. Não importava em qual canto do ambiente eu estivesse, para onde quer que eu me virasse, sentia os olhos frios e calculistas do Eduardo queimando na minha pele, percorrendo o meu vestido como se estivesse me desnudando. Aquilo me deixava com uma sensação ruim terrível, um arrepio incômodo na espinha que me fazia querer arrancar a seda azul do corpo e correr dali. O Rafael, sempre atento a cada respirar meu, percebeu a minha tensão. Ele me puxou mais um pouco contra o seu corpo firme, a mão pesada na minha cintura trazendo um mínimo de abrigo em meio àquela selva de cobras. — Boneca, está tudo bem? — pergun
Última actualización : 2026-09-28 Leer más