POV / ALÉSSIAO ar saiu inteiro. Não foi grito. Foi um som feio, curto, de quem leva um soco por dentro. Eu me dobrei no cimento, a boca aberta, pescando oxigênio que não vinha. As costelas antigas, as que bateram no tronco na queda da ribanceira, acordaram todas de uma vez e viraram uma pontada só. O sangue do nariz escorreu quente, pingou no chão branco, e eu vi a gota se abrir no concreto como se aquele cubo finalmente tivesse alguma cor.Fiquei ali, jogada de lado, ofegando, a mão na barriga, o corpo inteiro num tremor fino.O mercenário deu mais um passo. A bota parou a dois dedos do meu rosto.— Levanta a cabeça, sua desgraçada! — A saliva dele bateu no chão. — Quem abriu a porra da ilha? Foi a mulher que cuidava das jaulas? Foi a vadia que deu as instruções no primeiro galpão? Quem foi o rato que vendeu a nossa rota para os barcos na praia?A loba.A mulher que tinha me dado as dicas antes da caçada.Será que tinha sido ela? Ou eles estavam atirando no escuro, desesperados porq
Última atualização : 2026-08-28 Ler mais